Autores fundamentais da literatura brasileira, Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Orígenes Lessa deixaram o catálogo da editora Global, responsável por sua publicação desde 2011.
Em comunicado enviado a parceiros, a editora afirmou não poder mais comercializar obras dos três escritores a partir desta quarta-feira, 1º de julho, devido a “uma pendência judicial que impede as renovações” de seus contratos.
Agora, a Global confirma à Folha que vendeu todo o estoque dos livros dos três escritores, totalizando quase 200 mil exemplares, à rede Leitura. Hoje com 137 lojas espalhadas por 25 estados brasileiros, a empresa tem o maior porte e capilaridade entre as livrarias físicas do país.
Isso quer dizer que cerca de cem títulos de Meireles, Bandeira e Lessa agora fazem parte do acervo exclusivo da Leitura. Segundo a Global, o movimento garante “continuidade de circulação e amplo acesso dos leitores às obras”.
“Enquanto grande parte dos clássicos da literatura brasileira enfrentam desafios para permanecer disponíveis ao público, uma iniciativa entre a Global Editora e a rede Leitura busca garantir que um importante patrimônio editorial continue chegando às mãos dos leitores”, diz a nota enviada pela editora à coluna.
Nenhum porta-voz da Global, contudo, quis dar entrevista para detalhar, por exemplo, por que o contrato que perdurou nos últimos 15 anos não foi renovado.
A obra dos três escritores tem sido negociada pela agência literária Solombra, do advogado Alexandre Teixeira, neto de Cecília Meireles. A Folha tentou contato com ele e com a agência desde a manhã de quarta (1º), mas não teve resposta.
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O resultado é que não se sabe se as obras de Meireles, Bandeira e Lessa migrarão para outra editora depois do rompimento com a Global. Mas os livros já impressos poderão ser comprados na Leitura —e em outras livrarias que tenham estocado exemplares da editora até junho.
Antes da ida para a Global, editora com mais de 50 anos de estrada que é casa de clássicos como Guimarães Rosa, Cora Coralina, Ana Maria Machado e Ignácio de Loyola Brandão, as obras de Meireles e Bandeira estavam fora de catálogo —por anos, no caso da autora do “Romanceiro da Inconfidência”.
Marcus Teles, dono da Livraria Leitura, celebra o negócio dizendo que seu objetivo é fazer com que os livros cheguem cada vez mais aos leitores.
“Seria muito ruim ficar sem esses livros no Brasil”, diz o empresário mineiro. “O livro poderia ficar anos esgotado até poder ser editado de novo. Na Leitura, que é bem pulverizada, sabemos que vai estar disponível para todo lado.”
Teles promete fazer promoções para tornar as obras “menos divulgadas” desses autores mais acessíveis, delineando um plano de escolher cerca de 30 dos 100 títulos agora em posse da Leitura para vender a preços populares, de até R$ 30.
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