Uma nova coleção quer distribuir livros que foram censurados, incinerados ou recolhidos por diferentes regimes autoritários ao longo da história. É a Biblioteca Insubmissa, idealizada pela Ímã Editorial em um modelo de clube de assinatura.
A cada dois meses, pelo valor de R$ 99 sem frete, os assinantes recebem dois livros: um que foi alvo de censura, em capa dura e projeto gráfico caprichado, e outra obra relevante de tema correlato.
Segundo o editor Julio Silveira, a proposta do projeto, “além de resgatar essas pérolas, é ir contra a corrente da caretice e da sanha de censura que vivemos hoje”.
Para se ter uma ideia, o primeiro livro distribuído foi “La Garçonne: A Mulher Livre”, romance dos anos 1920 sobre uma mulher que se rebela ao flagrar a traição do noivo antes do casamento —ela decide romper com ele e se deitar com quem quiser.
O autor, o militar V. Margueritte, foi excomungado pela Igreja e desonrado pelo Estado. A obra chegou aos leitores acompanhada de “A Vagabunda”, clássico feminista da virada do século 20 escrito por Colette.
A editora adianta que os próximos livros da coleção incluem “Irmãos de Sangue”, de Ernst Haffner, descrito como um “Capitães da Areia” da República de Weimar, com meninos praticando golpes numa Berlim decrépita —foi um dos primeiros livros queimados em praça pública pelo regime nazista.
Envios futuros também vão incluir “Monte de Vênus”, romance da argentina Reina Roffé sobre uma mulher que assume experiências lésbicas enquanto o país descamba para a ditadura —o livro foi recolhido pelos militares após circular por cerca de um mês em 1976.
E ainda “O Navio Caranguejeiro”, publicado em 1929 por Takiji Kobayashi, autor comunista que foi fuzilado após publicar esse livro sobre um motim sangrento em um navio do período imperial do Japão.
Silveira, o editor, promete ainda que a coleção vai trazer livros que foram proibidos por ditaduras na União Soviética e no Irã nas próximas edições, mostrando aos poucos como a censura assume amplitude ideológica e geográfica ao longo da história.
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PENSE BEM A editora independente Caxinguelê inaugura um selo chamado Atotô, com curadoria da educadora Bárbara Carine e do compositor Thiago Thomé. Germinado pelo casal em uma viagem ao Egito, o projeto quer sugerir livros que ofereçam novas perspectivas afrocentradas sobre o mundo —e os primeiros títulos serão deles próprios. “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, de Carine, reflete sobre o apagamento de histórias africanas nos currículos, e “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertari”, de Thomé, é um romance de aventura protagonizado por um arqueólogo negro, que pensa ancestralidade e colonialismo.
SINTA MELHOR Depois da boa repercussão de “Pensar com as Mãos”, a WMF Martins Fontes vai publicar um novo livro de Marília Garcia a tempo da Flip, onde a autora fará a palestra de abertura em homenagem a Orides Fontela. É o livro-poema “Lia, Mira, Maria”, nascido de performances feitas pela autora, inspirado pelo luto por sua mãe, Lia, pela amiga Maria Nazaré e por monotipias da artista plástica Mira Schendel, gravadas em papel de arroz. A obra reflete sobre a fragilidade da vida e sua relação da arte.
RIA BEM O novo livro infantil de Gregorio Duvivier, que vem surfando a ótima onda de popularidade do espetáculo “O Céu da Língua”, será publicado pela editora Elo ainda neste mês. “Zé Limeira”, ilustrado por Bruna Lubambo, conta em versos a infância do lendário repentista paraibano. O autor define o protagonista de seu livro como o “Homero do cordel, uma figura mítica, central, do qual muitos poetas sabem versos de cor e, ainda assim, não se tem certeza se ele existiu de fato”.
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