Mais de um terço da população com idade de 15 anos ou mais no país não concluiu a educação básica – e isso traz efeitos para o desenvolvimento
JC
Publicado em 10/07/2026 às 0:00
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Uma das premissas mais aceitas para o amadurecimento individual e a prosperidade coletiva associa o acesso a oportunidades com a formação adquirida. O déficit educacional gera frustrações pessoais e desigualdades que podem atravessar gerações, perpetuando o problema e dando vazão a outros, como a ampliação da violência em reflexo à realidade desigual. “A desigualdade social e a falta de escolaridade são as principais causas da violência. Por isso, só haverá paz com mais educação”, escreveu o então senador Cristovam Buarque, em artigo publicado em 2007 na Revista de Informação Legislativa.
Enquanto o fosso da formação persiste, não é à toa que a insegurança é uma das principais preocupações do povo brasileiro, há décadas. A estrutura social carece de base sólida, com repercussões prolongadas e profundas sobre a economia. Com o objetivo de apresentar melhorias ao novo Plano Nacional de Educação, uma pesquisa realizada por 16 organizações, coimo a Unesco, a Fundação Roberto Marinho e o Unicef, mostra números que retratam a questão de maneira incisiva. Mais de um terço da população economicamente ativa, com 15 anos ou mais, não concluiu a educação básica no Brasil: 44 milhões de pessoas não terminaram o ensino fundamental, e 19 milhões, o ensino médio. No total, são quase 64 milhões de cidadãs e cidadãos privados do florescimento de suas potencialidades, e de melhorar a renda de suas famílias, por não disporem da formação adequada.
De acordo com o levantamento, menos de 2% desse alto contingente populacional têm acesso à Educação de Jovens Adultos (EJA). As entidades apontam que mais escolaridade significa maior produção e consumo, fazendo com que o indivíduo participe ativamente no desenvolvimento coletivo. O país poderia gerar R$ 66 bilhões de renda extra por ano se os excluídos contassem com a educação básica, segundo o estudo, divulgado inicialmente pelo Jornal Nacional, da Globo.
Embora a expansão do acesso à EJA se ponha como importante contribuição à reversão desse gargalo nacional, é preciso que a análise de tão graves dados sirva para elevar tanto a permanência quanto a qualidade das aulas nas escolas. Até porque a corrida pela formação básica de adultos é retardatária, e encontra condições de aprendizado que não são as ideais. Sim, ampliar o alcance da EJA seria de enorme serventia, para uma nação afundada na carência educacional. No entanto, o panorama descortinado oferece aos governos de todos os níveis, e aos educadores, a constatação de situação crítica que merece intervenções urgentes e abrangentes, tendo como foco as gerações mais novas.
Manter as crianças e adolescentes nas escolas, elevar a qualidade da educação e da interação com os estudantes, garantir aos professores condições mínimas de trabalho, em especial salários dignos da responsabilidade que carregam – são alguns dos desafios postos para que o país seja capaz de crescer com justiça social nas próximas décadas. Ou veremos essa multidão seguir sem rumo, deixando, por tabela, o Brasil à deriva, como sempre.











