‘Não vamos ter solução se não entrarmos com os quatro pés nisso’, diz Humberto Costa sobre Transnordestina

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‘Não vamos ter solução se não entrarmos com os quatro pés nisso’, diz Humberto Costa sobre Transnordestina


Candidato afirma que Pernambuco precisa superar disputas políticas e propõe participação da Petrobras na conclusão do trecho entre Salgueiro e Suape

Por

Larissa Aguiar


Publicado em 08/09/2026 às 18:59
| Atualizado em 08/09/2026 às 18:59


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O candidato ao Senado Humberto Costa (PT) defendeu, nesta terça-feira (8), a mobilização conjunta da classe política, do setor produtivo e do governo para garantir a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina.

Durante diálogo promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), no Recife, o petista afirmou que o Estado precisa agir de forma permanente para evitar que o avanço da ferrovia no Ceará amplie a desvantagem logística de Pernambuco.

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O encontro fez parte da rodada de conversas da Fiepe com candidatos nas eleições deste ano, com foco em propostas para a economia, a indústria e o desenvolvimento de Pernambuco. Além de Humberto, a entidade recebeu Mendonça Filho (PL), Marília Arraes (PDT) e Paulo Rubem (Rede). Apesar de convidados, Túlio Gadêlha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP) não participaram da agenda.

Transnordestina

Ao responder às perguntas dos representantes da indústria, Humberto colocou a ligação ferroviária entre Salgueiro e o litoral pernambucano no centro de sua agenda para o Senado. Para ele, a discussão não pode ser reduzida à responsabilização de governos ou grupos políticos pelo atraso da obra.

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“Não adianta só na hora que acontece um problema, aí junta todo mundo, vai fazer aquela reunião bonita, aí todo mundo fala e reclama. Tem que ter um processo permanente”, afirmou.

O candidato propôs a criação de um comitê estadual reunindo empresários, governo de Pernambuco, bancada federal, academia e outros setores interessados na obra. A ideia, segundo ele, seria estabelecer uma articulação contínua para pressionar pela execução do trecho e manter o tema entre as prioridades do governo federal.

Críticas

Humberto classificou como “absurdo” o desmembramento da Transnordestina, que permitiu a continuidade das obras no trecho em direção ao Ceará enquanto Pernambuco permaneceu sem a ligação ferroviária.

O senador afirmou que o Estado precisa tratar a questão como uma pauta que ultrapasse o calendário eleitoral. “Essa luta pela construção da Transnordestina passa a eleição”, declarou. “A gente vai ter que entrar com os quatro pés nisso aí, se não nós não teremos uma solução para isso.”

Na avaliação do candidato, a conclusão da ferrovia é fundamental não apenas para Pernambuco, mas para a integração econômica de todo o Nordeste. Ele advertiu que a conclusão do trecho cearense, sem uma conexão semelhante em Pernambuco, pode ampliar a diferença de competitividade entre os dois Estados.

Indústria

Antes do bloco de perguntas, Humberto apresentou uma leitura sobre os setores que considera estratégicos para a economia pernambucana. Citou o polo farmacêutico instalado a partir da Hemobrás, o Complexo Industrial Portuário de Suape, o polo de confecções do Agreste, a fruticultura irrigada do Sertão e a cadeia produtiva do gesso no Araripe.

Para o petista, Pernambuco reúne condições para ampliar a atração de investimentos, mas ainda precisa enfrentar gargalos de infraestrutura, qualificação profissional, acesso à água e logística.

Ele também destacou o potencial das energias renováveis e defendeu que o Estado se prepare para aproveitar oportunidades relacionadas ao hidrogênio verde, combustíveis renováveis e outras tecnologias.

Reforma tributária

Questionado sobre os efeitos da reforma tributária para Pernambuco, Humberto reconheceu que o fim gradual do ICMS como instrumento de atração de empresas exigirá novas estratégias de desenvolvimento regional. Ele lembrou a articulação feita no Congresso para garantir a manutenção de incentivos para empreendimentos já instalados no Estado.

Para o candidato, a saída passa pela utilização dos mecanismos de compensação previstos na reforma e pela elaboração de projetos capazes de captar recursos para infraestrutura. Na avaliação dele, a competitividade pernambucana não poderá depender apenas de incentivos fiscais.

Escala 6×1

Humberto declarou apoio à redução da jornada e argumentou que a medida pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem necessariamente comprometer a produtividade.

Ele citou o avanço tecnológico e a inteligência artificial como instrumentos capazes de contribuir para ganhos de produtividade e defendeu um período de transição para que os setores produtivos se adaptem às novas regras.

“Eu creio que é importante, não somente para o trabalhador”, afirmou, ao defender que os trabalhadores tenham mais tempo para a família, lazer, formação profissional e outras atividades.

Nas considerações finais, Humberto buscou apresentar sua trajetória política como argumento para a continuidade do mandato no Senado. Relembrou passagens como vereador do Recife, deputado estadual, deputado federal, ministro da Saúde e secretário estadual das Cidades, além dos dois mandatos como senador. “Se eu tiver que escolher entre o que pensa o meu partido e o interesse de Pernambuco, eu vou votar com o interesse de Pernambuco”, declarou.

 






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