Colégio Brasileiro de Cirurgiões em Pernambuco terá gestão voltada à formação médica e à defesa da categoria

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Colégio Brasileiro de Cirurgiões em Pernambuco terá gestão voltada à formação médica e à defesa da categoria


Pedro Pereira Gonzaga Neto, que toma posse nesta terça-feira (8), assume a entidade no estado para o biênio 2026–2027


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A formação médica, a defesa dos direitos da categoria e a busca por melhores condições de trabalho estarão entre as prioridades da nova gestão do Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Capítulo Pernambuco. O cirurgião Pedro Pereira Gonzaga Neto assume a presidência da entidade para o biênio 2026–2027, em solenidade realizada nesta terça-feira (8), às 19h, na Associação Médica de Pernambuco, no Recife.

A proposta da nova diretoria é ampliar a atuação do Colégio na representação dos cirurgiões pernambucanos e fortalecer sua participação nas discussões relacionadas ao exercício da profissão. Além da programação científica, a gestão pretende criar espaços de diálogo com os profissionais, aproximar diferentes gerações e buscar soluções para dificuldades enfrentadas nos serviços públicos e privados.

“Queremos um Colégio mais presente na vida dos cirurgiões e mais atento ao que acontece dentro dos hospitais. A atualização científica continuará sendo uma missão fundamental, mas também precisamos discutir as condições em que esses profissionais trabalham, suas dificuldades e os caminhos para fortalecer a categoria”, afirma Pedro Gonzaga.

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Entre os temas que deverão integrar essa agenda estão a estrutura disponível para a realização dos procedimentos, a composição das equipes, o acesso a equipamentos e insumos, a segurança nos centros cirúrgicos e as condições necessárias para o acompanhamento dos pacientes antes e depois das operações.

A entidade também pretende ampliar o diálogo com hospitais, universidades, programas de residência, gestores públicos e outras organizações médicas. A intenção é levar problemas recorrentes da prática cirúrgica para o debate institucional e contribuir para a construção de propostas voltadas ao aprimoramento da assistência.

Representação e condições de trabalho

A realidade enfrentada pelos cirurgiões varia de acordo com a estrutura dos serviços e as regiões onde atuam. Enquanto alguns hospitais já realizam procedimentos robóticos e minimamente invasivos, outras unidades enfrentam limitações relacionadas a equipamentos, insumos, equipes especializadas e capacidade de atendimento.

No Sistema Único de Saúde (SUS), as diferenças também se refletem nas filas, na demanda reprimida e na dificuldade de acesso a procedimentos de média e alta complexidade. Pacientes do interior, muitas vezes, precisam se deslocar até a Região Metropolitana do Recife para encontrar serviços especializados, aumentando a pressão sobre os hospitais de referência.

“A discussão sobre cirurgia precisa começar muito antes da entrada do paciente no bloco. É necessário observar o acesso à consulta, o tempo de espera, a realização dos exames, a estrutura hospitalar e o acompanhamento depois do procedimento. A cirurgia faz parte de uma rede de cuidados que precisa funcionar de forma integrada”, destaca o novo presidente.

Na saúde privada e suplementar, entram em debate questões como a sustentabilidade da assistência, a relação entre os diferentes atores do setor, a autonomia médica e os critérios adotados para a incorporação de tecnologias. Para a nova gestão, inovação e qualidade devem avançar de forma conjunta, considerando a indicação adequada dos procedimentos e a segurança do paciente.

A defesa da categoria também envolve o reconhecimento da responsabilidade e dos desafios da atividade cirúrgica. Jornadas extensas, pressão por resultados, necessidade constante de atualização e falhas na estrutura dos serviços podem afetar o trabalho das equipes e a qualidade da assistência.

Segundo Gonzaga, o Colégio deverá atuar como um canal de escuta e representação dos profissionais.

“O cirurgião precisa saber que existe uma entidade disposta a ouvir, reunir as demandas e estabelecer um diálogo qualificado com as instituições. Não se trata de olhar apenas para questões individuais, mas de identificar desafios comuns e construir posicionamentos coletivos”, ressalta.

A gestão pretende aproximar profissionais de diferentes especialidades, gerações e regiões de Pernambuco, estimulando a participação dos membros nas decisões da entidade e o intercâmbio de experiências entre profissionais que atuam em hospitais públicos, serviços privados, universidades e unidades de formação.

Formação médica e produção científica

Outro eixo da gestão será o fortalecimento da educação continuada. A programação deverá reunir atividades científicas, discussões de casos, cursos e iniciativas de atualização sobre técnicas, condutas, segurança do paciente e novas tecnologias aplicadas à cirurgia.

Em uma área marcada por mudanças constantes, a formação profissional não termina com a residência médica ou a obtenção do título de especialista. Novas técnicas, equipamentos e protocolos exigem atualização permanente, avaliação crítica e treinamento adequado.

“A tecnologia oferece possibilidades importantes, mas sua utilização exige preparo. Não basta ter acesso a um equipamento moderno. É preciso formar equipes, selecionar corretamente os pacientes e garantir que a inovação seja incorporada com responsabilidade”, observa Gonzaga.

A cirurgia robótica e os procedimentos minimamente invasivos estão entre os exemplos dessas transformações. Em casos selecionados, essas abordagens podem reduzir o trauma cirúrgico e favorecer uma recuperação mais rápida. A expansão dessas tecnologias, no entanto, envolve custos, qualificação profissional e planejamento, especialmente diante das diferenças existentes entre os serviços de saúde.

A aproximação com universidades, hospitais de ensino e programas de residência médica também deverá contribuir para a qualificação das novas gerações. A gestão pretende estimular ainda a participação dos cirurgiões pernambucanos em pesquisas, congressos e publicações, ampliando a visibilidade da produção científica desenvolvida no estado.

“Pernambuco tem profissionais qualificados, bons serviços e capacidade de produzir conhecimento. Precisamos criar mais pontes entre a prática assistencial, as universidades e a pesquisa para que essa produção ganhe força e possa contribuir com a cirurgia em todo o país”, defende.

Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo, Pedro Gonzaga atua nas redes pública e privada do Recife, com foco em cirurgia da parede abdominal, tratamento de hérnias e procedimentos minimamente invasivos e robóticos. É professor da Universidade Católica de Pernambuco, chefe do Serviço de Cirurgia do Hospital Santo Amaro, da Santa Casa de Misericórdia do Recife, e mestrando em Cirurgia pela Universidade Federal de Pernambuco.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Campina Grande, realizou residência em Cirurgia Geral e Videolaparoscopia no Hospital Getúlio Vargas, no Recife. Também possui pós-graduação em cirurgia de hérnias inguinais e crurais pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Ao assumir a presidência do Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Capítulo Pernambuco, Gonzaga coloca a representação profissional, a formação médica e a qualidade da assistência entre os principais eixos da gestão. O desafio para os próximos dois anos será aproximar a entidade dos cirurgiões e transformar as demandas da categoria em propostas voltadas à melhoria do exercício da profissão e do atendimento à população.

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