O Monsta X demorou sete anos para voltar ao Brasil. O grupo de k-pop fez show nesta terça (9), em São Paulo, mas encontrou um público menor do que nas apresentações que fizeram em 2018 e 2019, no mesmo Espaço Unimed. Antes de subirem ao palco, todos os setores ainda tinham ingressos disponíveis, ofertados por 50% de desconto.
A boyband também voltou desfalcada: I.M., rapper e integrante mais novo, está prestando o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul. Já Wonho deixou o grupo em 2019, meses após a passagem pela capital paulista. Apesar disso, o quinteto —hoje na faixa dos 30 anos— entregou a mesma energia das performances de tempos atrás.
Shownu, Minhyuk, Kihyun, Hyungwon e Joohoney abriram com “Dramarama”, canção que lhes rendeu o primeiro prêmio em programas musicais coreanos e deu o pontapé na carreira, em 2017. O hit ganhou pegada de rock, assim como “Love Killa”, na sequência.
Uma seção mais calma e sexy, cantada com microfone na mão e pouca coreografia, incluiu faixas como “Middle of the Night”, “Deny” e “And”. Mas ela durou pouco, e o setlist foi carregado de músicas animadas. Cada integrante também fez performances solo.
Conhecido pelo conceito mais maduro e sensual, o grupo resgatou alguns dos principais sucessos dos 11 anos de estrada. Entre eles, “Beautiful”, “Alligator”, “Shoot Out” e “Hero”, num remix de dubstep. Foram as que mais animaram a plateia.
“Do What I Want” era uma das mais aguardadas pelos fãs brasileiros: a música, lançada no ano passado, traz um sample de “Tati e as Gulosas”, do Furacão 2000. Fãs cantaram o trecho em português do funk, o que não passou despercebido pelos cantores. Próximo do fim do show, eles a cantaram mais uma vez, fugindo do setlist.
Ao longo de 2h45, eles se dedicaram a falar gírias em português e a animar o público, pedindo para pular, gritar e cantar. Quem guiava essa empolgação era o rapper Joohoney, que tem bastante presença de palco. Ele chegou a pegar o celular para gravar o coro de “Eu não vou embora” dos fãs. E garantiu que vai transformá-lo em sample.
O bis, momento em que os artistas do k-pop se dedicam a canções tranquilas que dialogam com os fãs, virou uma despedida em clima de balada. Um mix de faixas agitadas, como “Oh My” e “Rodeo” foram acompanhadas por jogos de luzes e fumaça, fazendo todo mundo pular.
Nessa hora, os cantores pegaram bandeiras do Brasil, vestiram camisa da seleção, boné e o que mais encontraram no palco com as cores do país. Também brincaram sobre ganharem CPF e disseram que é por causa de plateias como a nossa que eles querem continuar se apresentando. “O show não é feito só para mostrar, mas para curtir e construir juntos”, comentou Joohoney.
Os próprios integrantes falaram sobre a demora do retorno. “Tiveram vários motivos para não virmos nesse tempo todo. Mas agora em diante não temos motivo para não vir”, disse Hyungwon. “Não sei quando, mas prometo que vamos voltar e que vai ser mais curto do que sete anos”, completou Kihyun.
Após a apresentação em 2019, o grupo prometeu que voltaria no ano seguinte, o que devia se concretizar, dado o sucesso das passagens anteriores. Mas veio a pandemia e pausou as turnês. Depois, os garotos tiveram de se alistar no exército. Essa pausa longa quebrou a onda em que eles vinham no Brasil.
Esse pode ser um dos motivos para a procura menor nessa terceira passagem. Nas redes sociais, fãs reclamavam do preço dos ingressos —que partiam de R$ 590— e diziam priorizar o show do BTS, em outubro. Há sete anos, poucos artistas do k-pop vinham ao país. Hoje, a agenda do gênero é disputada.
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