Cone traz para o Brasil, conceito de hub de cargas em aeroportos após complexo na retroárea de Suape. Primeiro opera em Fortaleza

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Cone traz para o Brasil, conceito de hub de cargas em aeroportos após complexo na retroárea de Suape. Primeiro opera em Fortaleza


Empresa pernambucana colocou em operação o Cone Air Hubs Fortaleza, na área de concessão do Aeroporto Pinto Martins com operações da AMazon e DHL

Por

Fernando Castilho


Publicado em 06/07/2026 às 8:00
| Atualizado em 06/07/2026 às 10:49


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Quando há quinze anos, o empresário Marcos Roberto Dubeux construiu no Cabo de Santo Agostinho o que chamou de Condomínio de Negócios – Cone, muita gente achou ousadia demais para uma empresa que estava apresentando uma solução para um negócio que não estava claramente demonstrado em Pernambuco.

Em 2010, quando o Cone Suape chegou, a proposta era direta: criar a primeira grande plataforma de condomínio de negócios do Nordeste , na retroárea do Porto de Suape, que vivia sua expansão máxima com os investimentos do PAC. A aposta era na infraestrutura como alavanca para construir antes, atrair depois. As empresas vieram.

Quinze anos depois, o Cone Suape soma 1,5 milhão de metros quadrados de área desenvolvida direta e indiretamente, com mais de 100 empresas instaladas e mais de 8 mil empregos diretos gerados. Pernambuco tornou-se o quarto colocado no ranking nacional de logística avançada.

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O Cone Multimodal, unidade central do complexo, concentra soluções para todos os portes: da armazenagem seca padrão à câmara fria customizada para operações de marketplace, do truck center com mais de 500 vagas ao serviço de Concierge Corporativo.

Mas agora, com o modelo validado em Suape e se expandindo para a Bahia, Marcos Roberto aposta que o mesmo ciclo pode se repetir, porém nos aeroportos. E desta vez ele foi para Fortaleza desenvolver o projeto que chamou de Cone Air Hubs.


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Empresário Marcos Roberto Moura Dubeux – DIVULGAÇÃO

Cone Air Hubs não é extensão do Cone Suape

Mas desde o começo é importante entender um fundamento nesse novo jogo. O Cone Air Hubs não é uma extensão do Cone Suape. É uma empresa nova, com capital próprio, identidade própria e tese própria construída por Marcos Roberto para aplicar em aeroportos o que quinze anos de operação retroportuária ensinaram sobre como a infraestrutura integrada transforma territórios.

E sendo assim, para entender o que a Cone Air Hubs quer construir no Brasil, o melhor ponto de partida não é olhar para o que ela já construiu em Fortaleza. É preciso olhar para Frankfurt, na Alemanha.

Explica-se: o Aeroporto de Frankfurt, operado pela Fraport AG, é o maior hub de carga da Europa e um dos três maiores do mundo. Dentro de seu perímetro e no ecossistema imediato, trabalham cerca de 81 mil pessoas, de pilotos a operadores de armazém, de técnicos de manutenção a motoristas de last mile. Ela emprega diretamente 22 mil funcionários próprios. A Fraport é a operadora do Aeroporto Internacional Pinto Martins de Fortaleza,

O complexo alemão contribui com aproximadamente 9 bilhões de euros para o PIB regional da Grande Frankfurt todos os anos. Não é apenas um aeroporto. É uma cidade dentro da cidade, na prática, o Aeroporto de Frankfurt é uma aerotrópolis construída ao longo de décadas sobre uma decisão simples: colocar a infraestrutura logística integrada ao lado da pista.

O modelo de negócio do Cone Air Hubs só começou quando a Fraport chegou ao Brasil e assumiu a concessão do Aeroporto de Fortaleza. A Cone Air Hubs é a primeira empresa brasileira a desenvolver esse modelo em escala, dentro de uma área de concessão federal, em parceria com a operadora aeroportuária internacional.

Ela trouxe consigo essa visão. E foi ao conhecer o conceito do Cone Air Hubs que seus executivos reconheceram o modelo e terminaram literalmente embarcando no empreendimento.


Divulgação

Modelo de negócios do Cone Air Hub de Fortaleza. – Divulgação

Air Hubs conecta placa-mãe com processador

Marcos Roberto define o conceito — para entendimento rápido — como o de que o aeroporto é a placa-mãe de um computador. Tem a estrutura essencial, pista de alto padrão, conectividade estabelecida. A Cone Air Hubs se encaixa como o processador.

É a camada que ativa o verdadeiro potencial logístico e econômico daquela infraestrutura. Sem o processador, a placa-mãe opera abaixo de sua capacidade, mas com ele, o sistema inteiro acelera. No caso de Fortaleza, o Aeroporto Internacional Pinto Martins já tem essa placa-mãe.

No mercado de classe mundial desse tipo de plataforma, Memphis, Louisville, Leipzig e Miami seguiram a mesma lógica. E em todos esses casos, o aeroporto deixou de ser apenas um terminal de passageiros e tornou-se uma plataforma logística integrada, um airport logistics hub. A carga entra pela porta dos fundos, mas virou o principal motor econômico do entorno.

O empresário admite que o Brasil chegou tarde ao modelo. Enquanto o e-commerce explodiu impulsionado pelo Remessa Conforme e pela chegada de gigantes como Shopee, Shein e AliExpress, os aeroportos brasileiros continuaram operando com terminais de carga (TECAs) subdimensionados e sem retroáreas logísticas integradas. A mercadoria chegava de avião em poucas horas, mas não tinha para onde ir depois. Ainda hoje pode levar dias.


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Fase 1 do Airhub Fortaleza – Divulgação

A carga chega ao TECA, mas o fluxo para ela. Não há retroárea para armazenagem imediata. Não há galpões dedicados para triagem e fulfillment. Não há truck center para absorver o escoamento na última milha. A mercadoria que deveria sair em horas fica parada esperando solução logística que o aeroporto, sozinho, não oferece.

O problema é que existe uma métrica pouco conhecida fora do setor e que define o modelo de remuneração de uma companhia aérea: um quilograma de carga inserido na malha aérea gera cinco vezes mais receita do que um quilograma de passageiro.

É a carga que financia a operação. É ela que viabiliza novas rotas, aumenta a frequência de voos e, ao final do ciclo virtuoso, reduz o preço da passagem para o cidadão comum. O consumidor do Nordeste quer o mesmo prazo que o consumidor de São Paulo. As companhias aéreas precisam de mais receita de carga para viabilizar rotas regionais. Finalmente, o governo federal precisa que as concessões aeroportuárias se sustentem economicamente.


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O Cone implantou 1,5 mihão de m² de Área Bruta Locável no Cabo de Santo Agostinho – DIVULGAÇÃO

Primeiro airport logistics hub do Brasil

O projeto inaugural da Cone Air Hubs fica em Fortaleza e a escolha não é aleatória. A capital cearense é a metrópole brasileira mais próxima da Europa geograficamente; está no coração de um hub demográfico de 21 milhões de pessoas e tem ligação rodoviária direta com dez estados brasileiros.

Seu Aeroporto Internacional Pinto Martins é operado pela Fraport, a mesma concessionária alemã que em Frankfurt demonstrou como um aeroporto pode se tornar motor econômico de uma região inteira.

A comparação com Suape é reveladora. O Porto de Suape, em Pernambuco, fica dentro da região metropolitana do Recife com toda a infraestrutura urbana, viária e logística que isso implica. O Porto do Pecém, no Ceará, fica a 55 quilômetros de Fortaleza, distante da malha urbana densa e dos grandes fluxos de consumo e distribuição.

O Aeroporto Pinto Martins, por sua vez, está a menos de cinco quilômetros do centro de Fortaleza, com acesso imediato pela BR-116, a 15 quilômetros do Porto de Mucuripe e conectado por rodovia a dez estados. Reunia, portanto, as mesmas condições que tornaram Suape estratégico, proximidade urbana, multimodalidade e escala de mercado, mas aplicadas à lógica da carga aérea e da velocidade do e-commerce.


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Armazem da Fase 1 do Air Hub Fortaleza – Divulgação

Complexo terá 360 mil m² em oito fases

O terreno do projeto está dentro do perímetro da concessão federal. Os números refletem a escala da ambição: 615.243 metros quadrados de área total, Área Bruta locável prevista de 360 mil metros quadrados em oito fases modulares, investimento total de até R$ 1,2 bilhão e primeira entrega realizada em 2026.

A infraestrutura inclui armazéns secos e refrigerados, truck center integrado, posto de abastecimento B2B e central de serviços, o modelo plug & play que o Cone aperfeiçoou em Suape, agora calibrado para a velocidade do e-commerce aéreo.

O dado que valida a tese de mercado vem dos ocupantes-âncora já contratados: Amazon e DHL. Não é coincidência que dois dos maiores nomes do e-commerce e da logística global sejam os primeiros a chegar. Eles precisam exatamente do que o projeto oferece: velocidade de processamento no ponto de origem da carga aérea, proximidade física do aeroporto e escala de distribuição para o Nordeste, a região que mais cresce em consumo no Brasil.

Para uma Amazon, uma DHL ou qualquer operador logístico global que precisa decidir onde instalar sua operação mais estratégica no Nordeste, a resposta ficou mais simples: Fortaleza é o único lugar do Brasil onde a carga pousa em um aeroporto de padrão internacional, é processada em um hub logístico integrado e tem o MIT brasileiro desenvolvendo tecnologia a metros de distância.

O projeto conta com o apoio de investidores nacionais e internacionais que reconheceram na tese da Cone Air Hubs uma oportunidade estrutural rara: um mercado de infraestrutura logística aeroportuária ainda não ocupado no Brasil, com demanda comprovada pelos âncoras contratados, parceiro operacional de classe mundial na Fraport e um fundador com quinze anos de execução comprovada no mesmo modelo aplicado à retroárea de portos.


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Com o controle de acesso aos operadores dos seus armazéns em tempo integral – Divulgação

Fortaleza, marca início de uma rede

Naturalmente, o Cone Air Hubs não nasceu para ser um projeto de Fortaleza, mas para ser uma rede. Aliás, a lógica é a mesma que a FedEx aplicou em Memphis: uma vez que o modelo funciona em um aeroporto, ele se replica nos demais e cada novo hub fortalece a malha inteira.
Porto Alegre, onde a Fraport também opera o Aeroporto Internacional Salgado Filho, já está no horizonte da expansão. A parceria com a concessionária alemã não é apenas operacional, é estratégica.

A Fraport conhece o modelo. Reconheceu a tese. E tem sob sua gestão no Brasil dois aeroportos com perfil logístico complementar: Fortaleza como gateway do Nordeste para a Europa, Porto Alegre como hub do Sul para o Mercosul.

Em cada aeroporto, o Cone Air Hubs chega como extensão funcional do terminal , não como concorrente da concessionária, mas como o processador logístico que completa o sistema. E, portanto, os serviços que o Cone Suape aperfeiçoou em quinze anos — truck center, gestão de segurança de ativos, Concierge Corporativo e suporte operacional integrado — chegam juntos. Prontos para operar desde o primeiro dia.


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Nova sede do ITA em Fortaleza ao lado do Aeroporto Pinto Martins e do Cone Air Hub Fortaleza. – DIVULGAÇÃO

Cone Air Hubs é vizinho do Campus do ITA CE

Para completar, o Cone Air Hubs ainda tem um vizinho muito importante. A menos de quinhentos metros do primeiro galpão da companhia, outro projeto de escala nacional acaba de concluir sua primeira fase: o Campus Ceará do Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

O ITA, conhecido internacionalmente como o MIT do Brasil, a instituição que formou os engenheiros que construíram a Embraer e definiram os padrões técnicos da aviação nacional, instalou seu primeiro campus fora de São José dos Campos na Base Aérea de Fortaleza, em parceria com SENAI, FIEC, CNI, Ministério da Defesa e Força Aérea Brasileira.

A Fase 1 está em operação, com cursos nas áreas de Engenharia de Energia e Sistemas. O Ceará Tech Park, ecossistema de inovação que envolve o campus do ITA, o Instituto SENAI de Inovação e um pipeline de 81 empresas parceiras, incluindo Siemens, Vale, ArcelorMittal e AWS, está sendo desenvolvido no mesmo perímetro.






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