Em sinal de distanciamento, maioria da população brasileira não sabe ou não lembra o nome de senadores e deputados, segundo pesquisa Datafolha
JC
Publicado em 30/06/2026 às 0:00
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O trabalho parlamentar é essencial para a democracia. Isto não se reveste de importância exclusivamente do ponto de vista institucional, burocrático, que também tem relevância. Quanto mais a função de vereadores, deputados estaduais e federais, e senadores, for valorizado pelo eleitorado que os elegem, e pela população em geral, maior o vínculo do poder Legislativo com a cidadania e o aprimoramento do processo democrático. Em caso contrário, a desvalorização dos parlamentos indica a criação de distância dos políticos em relação aos cidadãos, corroendo a política e dando margem à negação do valor da democracia para a vida coletiva. Afinal, se as pessoas não se importam com o que fazem os parlamentares, qual a razão de existência dos parlamentos?
O afastamento entre os brasileiros e o Congresso, assim como das câmaras municipais e assembleias estaduais, vem ganhando dimensão preocupante, pelo menos, desde o início deste século. A Constituição de 1988 pode ter representado um marco positivo de reconhecimento do trabalho parlamentar e seu significado para a República, conferindo ao Legislativo o peso institucional de um dos pilares da democracia, ao lado do Executivo e do Judiciário. De lá para cá, contudo, a identificação coletiva com os representantes escolhidos pelo povo parece vir diminuindo, como parte de um processo de degradação da representatividade que contribui para o afastamento mútuo: os cidadãos desconfiam dos parlamentares, e os parlamentares tocam suas funções sem se preocupar com a repercussão do que fazem.
Embora não seja surpreendente, os resultados de pesquisa Datafolha sobre esse distanciamento são preocupantes, sobretudo em ano de eleições para o Congresso e para deputados estaduais, além de governadores e presidente da República. De acordo com o panorama encontrado, 68% dos entrevistados desconhecem o nome de um deputado federal, e 75%, de um senador. E nos dois casos, praticamente dois terços não recordam em quem votaram para o Congresso na última escolha efetuada na urna, há quatro anos. Se não lembram, é porque não acompanham. E se não acompanham, talvez seja em virtude de certo desinteresse alargado pelo afastamento do trabalho parlamentar da realidade em que deputados e senadores deveriam estar mais inseridos.
Dos 513 deputados federais em exercício de seus mandatos, somente 6 foram mencionados por pelo menos 1% dos entrevistados. A performance do Senado foi melhor: dos 81 atuais integrantes da casa, 15 foram citados por pelo menos 1% dos entrevistados. Os números são ruins para os parlamentares, e poderiam servir de reflexão: com acesso regular às pautas de notícias diárias, que não deixam de abordar os temas discutidos e as votações no Congresso, o trabalho individual dos representantes do povo é invisível para o povo. A questão não é de falha de comunicação institucional, demandando alguma campanha de conscientização para que a população veja o que os congressistas fazem. Ou pelo menos não é disso que o problema, em essência, trata.
Para que os brasileiros não esqueçam os nomes dos parlamentares, os parlamentares não devem continuar esquecendo a nação que representam, em nome da qual trabalham. Os passos de aproximação dependem do Legislativo, e não, dos cidadãos.












