Enquanto na Zona da Mata Norte há desabrigados por causa de inundações depois das chuvas, a estiagem permanece em municípios no Sertão e no Agreste
JC
Publicado em 01/07/2026 às 0:00
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Os fenômenos climáticos extremos, que podem se intensificar e se tornar mais frequentes nos próximos anos, encontram em Pernambuco espaços para se manifestar de duas maneiras, simultaneamente. E a população pôde perceber isso nos últimos dias. Após as fortes chuvas que provocaram inundações na Mata Norte, no final de semana passado, centenas de pessoas ocupam abrigos públicos, desalojadas de suas casas. Em Timbaúba, mais de 1.500 pessoas ficaram desalojadas, com mais de 11 mil impactadas. E em Goiana, são quase 500 habitantes acolhidos, com o município em situação de emergência decretada. Em um cenário oposto, nada menos que 75 cidades no Agreste e no Sertão foram listadas pelo governo do Estado, na terça, 30, igualmente em situação de emergência – mas devido à seca, e não ao excesso de água.
A coincidência exprime uma realidade que precisa ser cada vez mais vista como previsível, para que as medidas de agilização das medidas, como os decretos de emergência, sejam acompanhadas imediatamente por ações de minimização dos efeitos para as populações afetadas. Se a crise climática já se mostra há alguns anos, em gravidade crescente, em diversos pontos do planeta, e o El Niño aguardado para os próximos meses exibe, segundo novas pesquisas, sinais de que deve, de fato, confirmar expectativas alarmantes quanto à ocorrência no segundo semestre deste ano, é importante que lugares vulneráveis às mudanças no clima tomem as providências necessárias de prevenção aos desastres, e proteção para os habitantes.
Os reservatórios de água com baixos níveis de volume, e os impactos na vida das pessoas e na economia, por exemplo, na agropecuária, por causa da escassez de chuvas, levaram o governo de Pernambuco a decretar a emergência oficial em municípios das regiões Agreste e Sertão. Assim, o governo estadual se prontifica a melhorar as condições de enfrentamento dos problemas, para os quais as prefeituras não possuem instrumentos institucionais, ou recursos financeiros, para enfrentar, no mais breve prazo possível. Entre os municípios enquadrados em situação emergencial, estão Belo Jardim, Santa Cruz do Capibaribe, Triunfo, Arcoverde, Pesqueira, Petrolina, Serra Talhada e São Bento do Una.
O poder público no Brasil ainda tem dificuldades em compreender e atuar de acordo com diretrizes globais de emergência climática. As consequências locais do despreparo diante da crise climática em andamento – que deve piorar antes de ser atenuada, segundo especialistas – passam por uma atitude passiva dos governantes e legisladores, que não tratam a questão com a seriedade merecida. As emergências da seca e da chuva em Pernambuco não serão evitadas por decretos, nem por medidas isoladas, na maioria dos casos, paliativas ou em reflexo ao que já se consumou. É impossível evitar os períodos de estiagem, bem como as tempestades e inundações – mas é possível prevenir seus efeitos, poupando a população de sofrimentos que se repetem, e tendem a se repetir todos os anos, daqui para frente.














