TROCA DE FARPAS
Daquilo que é possível publicar sem ferir a estética do bom gosto, nos embates em meio à votação da PEC do fim da escala 6×1, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) foi aplaudida pela “torcida organizada” por ter chamado de “cristãos-novos de última hora” deputados do PL que propuseram uma escala de trabalho ainda menor.
AFIANDO O DISCURSO
O deputado Coronel Meira (PL-PE) chamou a votação de “joguinho eleitoreiro” e “projeto populista” e desafiou os governistas e a própria Erika Hilton a reduzirem ainda mais a escala de trabalho.
— Se os governistas querem, mesmo, dar folga ao trabalhador brasileiro, nosso partido está defendendo a escala 4×3. Ajuda o trabalhador e aumenta o número de vagas de trabalho, disse.
VOTO EM LÁ MAIOR
Pastor, sargento, cantor e ex-gay são algumas das formas como o deputado Isidório (Avante-BA) se apresenta quando é abordado pelos corredores da Câmara. Em meio à votação na Comissão Especial, o baiano entoou um hino em estilo marcha-rancho:
— A direita vai perder a batalha / Trabalhadores já ganharam a batalha / Trabalhadoras já ganharam a batalha / Agindo Deus, os inimigos dos trabalhadores / Não passarão, não passarão.
ANTECIPANDO A JORNADA
Um prestador de serviço do Senac, já acostumado até com a quantidade de leite que coloca no café do deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), disse, no cafezinho da Câmara, que, a partir de fevereiro de 2027, pretende transferir sua bancada para o Senado Federal. Ouviu-se um “Deus te ouça” do deputado pernambucano.
SEM CAMISETA
Em meio à votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), determinou que todos os deputados que vestiam camisetas de apoio à PEC retirassem a peça. Somente os adesivos alusivos à votação foram permitidos.
FUROS NO BOLSA FAMÍLIA
Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta uma “série de falhas estruturais” por parte do governo federal no “acompanhamento das condicionalidades” que precisam ser cumpridas pelos beneficiários do Bolsa Família.
SEM RASTREAMENTO
O TCU descobriu que um dos problemas “mais consistentes e recorrentes” é a falta de “rastreamento” dos indicadores de saúde das crianças cadastradas no programa. Na educação “não é diferente”: mais de 5 milhões de beneficiários não comprovaram que seus dependentes estão frequentando a escola.
REUNIÃO PARA MARCAR REUNIÃO
Com cheiro de fumaça no ar, quando se olha em direção à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) disse que estuda voltar a se encontrar com o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) para “avançar nas conversas sobre uma possível aliança”. Caiado não descarta uma chapa conjunta com Zema.
A COPA É NOSSA…
… e nem estamos falando da seleção masculina. O Congresso aprovou a Lei Geral da Copa do Mundo Feminina de 2027, com sede no Brasil. A proposta trata de segurança e de condições especiais de trabalho durante o campeonato. Os jogos serão disputados entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. Recife, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo são as sedes da Copa.
PENSE NISSO!
Onde “diacho” estavam os deputados que aprovaram a PEC do fim da escala 6×1 e não perceberam, antes do período pré-eleitoral, que havia “muitos trabalhadores” em situação de “total desamparo”?
Pelo visto, os 50 milhões de trabalhadores com carteira assinada passaram todo esse tempo como seres invisíveis. Nem Erika Hilton, nem Reginaldo Lopes, nem Lula, nem ninguém escutou os clamores daqueles que queriam mais tempo para ficar com a família em casa.
Se não for demagogia política, cheira a isso. Parece que estamos diante de um lampejo eleitoral para angariar o voto do trabalhador que quer ficar mais tempo “com os filhos” e com “a esposa ou a companheira”. Se vai ser bom para o país, isso será visto depois.
Quando escutei um pastor “progressista” dizer que é hora de acabar “com essa escala escravocrata”, logo me dei conta de que o país tem uma dívida com quem trabalhou a vida inteira nessa escala que ora se finda e contra a qual ninguém escreveu uma linha de protesto.
O discurso que mais se distanciou da hipocrisia veio do deputado Sargento Isidório: “o trabalhador precisa de mais tempo com a família e mais tempo pra fazer mais ‘minino’…”
Pense nisso!














