‘Eu farei todas de uma vez só’, diz Caiado sobre reformas em eventual governo

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‘Eu farei todas de uma vez só’, diz Caiado sobre reformas em eventual governo


À Rádio Jornal, pré-candidato do PSD defendeu pacote de reformas, criticou Lula e disse que eleição será marcada por “conduta moral”


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Em meio à movimentação de pré-candidatos de direita e centro-direita para tentar construir uma alternativa a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em 2026, o pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende apresentar um pacote amplo de reformas logo no início de um eventual governo.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (28), o ex-governador de Goiás buscou se apresentar como uma opção de gestão, segurança pública e reorganização institucional. A fala ocorre em um momento de aproximação entre Caiado e Romeu Zema (Novo), que passaram a sinalizar publicamente a possibilidade de uma aliança eleitoral.

Questionado sobre qual seria seu primeiro ato caso fosse eleito presidente, Caiado afirmou que não pretende enviar apenas uma proposta ao Congresso Nacional, mas um conjunto de mudanças estruturais.

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“Eu não farei isso. Eu farei todas de uma vez só. Dia 5 de janeiro, eu quero apresentar ao Congresso Nacional o que nós temos que rever dentro da reforma tributária, que ainda está em execução, e que várias consequências danosas tem trazido a vários segmentos da economia brasileira. Uma reforma administrativa dura, capaz de dar ao cidadão brasileiro a convicção de que nós vamos cortar na carne.”

Entre as prioridades citadas por ele estão mudanças na reforma tributária, uma reforma administrativa, uma nova reforma trabalhista, uma reforma política e medidas na área de segurança pública. Caiado também defendeu que ministros sejam escolhidos por critérios técnicos e não por composição política.

“Ministro tem que ser técnico muito bom, muito mais capaz do que eu em cada uma das suas áreas, com competência, tarefa de casa e botar o sistema para trabalhar, e não para ficar fazendo politicagem rasteira.”

Confira a entrevista completa: 

Disputa eleitoral e críticas ao PT

Ao longo da entrevista, Caiado usou a experiência em Goiás como vitrine de gestão. Segundo ele, quando assumiu o estado, encontrou contas em crise, servidores com salários atrasados e problemas na segurança pública. O pré-candidato afirmou que reorganizou a administração estadual e citou resultados em educação, segurança e saúde.

“Tudo isso, cheguei, estado assaltado, colapsado, bloqueado do Tesouro, Capag C, caminhando para D, não tinha pagamento dos servidores no estado, tudo atrasado, faccionado. De repente, você vê o estado mais pujante, com o dobro do crescimento do Brasil, empresários cada vez mais investindo.”

Caiado também direcionou críticas ao governo Lula e afirmou que o país precisa abandonar o que classificou como políticas sem caráter estruturante. Para ele, o Brasil tem sido conduzido por medidas de curto prazo, dependência de programas sociais e disputas políticas que colocam grupos sociais uns contra os outros.

“Desde Juscelino Kubitschek, nós nunca mais vimos um estadista no Brasil. São políticos que estão ali muito mais para lutar pela sua reeleição ou para se enriquecerem ou conviverem com a corrupção disseminada. O PT no poder durante 20 anos é o maior atraso que nós já tivemos em relação a outras economias do mundo.”

O pré-candidato também afirmou que o país precisa recuperar capacidade de investimento, especialmente em infraestrutura e logística. Segundo ele, o Brasil depende excessivamente do modal rodoviário e precisa ampliar parcerias com a iniciativa privada para ganhar competitividade.

“Qual é a capacidade de investimento de um país que está envolvido em corrupção, ineficiência e cada vez mais gigantismo da máquina pública? Não tem. As reformas serão necessárias, pacotes serão necessários para que você tenha condições de investir em infraestrutura.”

Segurança, política externa e governabilidade

Na área de segurança pública, Caiado defendeu o reconhecimento de facções criminosas como organizações terroristas. Segundo ele, essa seria uma das primeiras medidas de um eventual governo e faria parte de uma estratégia nacional de enfrentamento ao crime organizado.

“Encaminhando imediatamente também o reconhecimento de que facções criminosas são terroristas, dando toda a condição para que o país possa utilizar todas as Forças Armadas para o combate e a reintegração territorial do país.”

O pré-candidato afirmou que a segurança é condição para qualquer projeto de desenvolvimento. Ao falar sobre logística e infraestrutura, sustentou que o país não conseguirá avançar sem controle territorial e sem uma política nacional articulada com governadores.

“A primeira etapa é implantar um sistema de segurança pública pleno no país, junto com os governadores de Estado, e realmente resgatar o Estado de Direito no país. A partir daí, você vai ver que outras ações, outras reformas que encaminharem ao Congresso, serão votadas num ritmo mais rápido.”

Na política externa, Caiado disse que pretende “resgatar o Itamaraty” e criticou o que chamou de política ideológica no governo Lula. Para ele, o Brasil deve manter diálogo com os Estados Unidos sem deixar de conversar com outros países e blocos econômicos.

“Itamaraty é feito para fazer uma política de Estado, não uma política de governo. Não tem que se contaminar pelas posições ideológicas de A e de B. Conversarei com todos os países.”

O pré-candidato também afirmou que o Brasil precisa elevar o nível das negociações internacionais e deixar de exportar apenas matérias-primas. Segundo ele, o país continua preso a uma lógica de baixo valor agregado.

“Continuamos assim num governo que não tem políticas estruturantes, que não tem políticas de desenvolvimento, que não tem apoio à inteligência artificial, à pesquisa, à inovação, à tecnologia. É um Brasil que continua trocando matéria-prima por inteligência.”

Na parte final da entrevista, Caiado criticou a relação atual entre os Poderes e disse que o país vive uma “desorganização institucional”. Para ele, a eleição de 2026 será definida também pela capacidade do próximo presidente de recuperar autoridade política e moral.

“Essa eleição de 2026, o grande divisor de águas vai ser a conduta moral de quem venha assumir a Presidência da República. Se eu não tiver essa capacidade de dar o bom exemplo para o país, ele não dará conta também de governar e de conciliar os poderes.”

Segundo Caiado, a falta de comando nacional abre espaço para conflitos entre instituições e para o descrédito da política.

“Ninguém sabe mais o que é, não tem um sistema político brasileiro hoje no Brasil. Tem uma desorganização completa, cada um querendo avançar nas prerrogativas de outros. Essa desordem provoca o que é muito grave para a população, que é a ausência de um comando para o país.”






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