Aumento de visitantes de fora do país ao estado gera maior demanda por estrutura de receptivo, mobilidade e diversidade nas atrações locais
JC
Publicado em 28/06/2026 às 0:00
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Um resultado expressivo na atração de turistas de fora do país para Pernambuco foi alcançado nos primeiros meses deste ano, evidenciando acertos e desafios para a gestão pública – e para a população como um todo, que espera, acolhe e se relaciona com quem não é daqui. Os números são animadores, traduzem um ótimo momento da cultura e da economia estadual, refletem investimentos que mostram bons efeitos. Mas também lançam, graças à aceleração conquistada, demandas estruturais que precisam ser atendidas com celeridade, para que a estatística consolide a tendência de crescimento que seja capaz de se espalhar em outros setores.
De acordo com informações da Polícia Federal e do Ministério do Turismo, chegaram quase 73 mil estrangeiros em solo pernambucano, de janeiro a maio. No mesmo período em 2025, foram pouco menos de 36 mil, num aumento acima de 100%. Trata-se de recorde turbinado pelo alcance do dobro de visitantes, no curto prazo de um ano para o outro. Sem dúvida, um feito para o turismo pernambucano, digno de celebração pelo valor institucional, cultural e econômico de salto dessa magnitude, que não está relacionado exclusivamente a uma temporada, por exemplo, de Carnaval.
Apenas em maio, foram quase 8 mil turistas, incremento de perto de 90% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em 2024, nos cinco primeiros meses do ano, menos de 25 mil estrangeiros vieram ao estado. Antes da pandemia de Covid, em 2019, esse fluxo foi de cerca de 41 mil visitantes no período. Portanto, o cenário atual consolida a recuperação, e adiciona dezenas de milhares de turistas ao cotidiano pernambucano. O fato merece comemoração, porém traz agregada a responsabilidade maior de receber bem, para fazer com que os visitantes retornem, e saiam tão satisfeitos que propaguem os destinos de Pernambuco em seus locais de origem e trabalho.
O melhor aproveitamento da diversidade climática, paisagística e cultural das cidades pode explicar o boom do turismo em nosso estado. Esse é um ponto a ser explorado, indicando para quem chega que há muito mais a ser visto e sentido como experiência de viagem e de vida. Para que a mensagem seja bem transmitida, a hospitalidade há de ser idêntica em qualquer canto, fazendo da pernambucanidade um ativo e um atrativo para os visitantes.
Se é importante vender a pluralidade dos destinos em Pernambuco fora do estado, nos mercados nacional e internacional, não menos crucial é cuidar para que a infraestrutura receptiva acompanhe o crescimento recorde de chegadas, sendo incorporada à impressão formada pela hospitalidade do povo. E pelo menos um gargalo não deve ser deixado de lado: a mobilidade, em especial na Região Metropolitana do Recife, começando pelos transtornos no deslocamento pela capital, mas não se limitando a ela. O viajante quer ganhar tempo enquanto se desloca, e não, perder horas preciosas do desembarque ao hotel, ou de um município a outro. E vale ressaltar: investimentos realizados para o turismo beneficiam, antes e depois da estadia dos turistas, a população dos lugares visitados, com impactos positivos na economia e na vida em comum.














