Quando se fala em produtividade, não se deve referir a trabalhar mais horas, mas sim a produzir mais e melhor com a mesma quantidade de recursos
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Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
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A economia brasileira sempre teve potencial de crescimento, mas também sempre esbarra no mesmo obstáculo: a baixa produtividade. O problema não é novidade e tem cobrado um preço cada vez mais alto na nossa competitividade internacional. A estagnação produtiva do país não é um mero acidente estatístico, mas o reflexo direto de problemas estruturais profundos que governantes empurram com a barriga.
Quando se fala em produtividade na economia, não se deve referir a trabalhar mais horas, mas sim a produzir mais e melhor com a mesma quantidade de recursos. E é exatamente aqui que o Brasil tem falhado. Dados e levantamentos recentes expõem que, enquanto o setor do agronegócio continua sendo o grande motor de eficiência e rápida adoção tecnológica, o setor de serviços e, principalmente, a indústria, ficam para trás. Como serviços e indústria respondem pela maior fatia do nosso Produto Interno Bruto (PIB), essa paralisia acaba arrastando o desempenho geral do crescimento do país para baixo.
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O grande ponto de estrangulamento reside na qualidade do nosso capital humano. Temos uma deficiência crônica na formação de base. Quando uma parcela significativa da força de trabalho chega ao mercado com lacunas graves em conhecimentos fundamentais — como matemática, linguagem e raciocínio lógico —, a absorção de novas tecnologias e a otimização de processos nas empresas tornam-se missões quase impossíveis. Sem capital humano altamente qualificado, não há inovação empresarial que se sustente de pé.
Além do evidente déficit educacional, a nossa baixa produtividade é retroalimentada por um ambiente de negócios historicamente hostil e imprevisível. O elevado custo de capital — que encarece o crédito e inibe o investimento — drena os recursos que deveriam ir diretamente para a modernização do parque produtivo. A maior parte do orçamento acaba comprometida, sobrando uma fatia irrisória para dotações essenciais em ciência, tecnologia e inovação.
A infraestrutura precária, aliada à insegurança jurídica e a um sistema tributário complexo, formam as engrenagens pesadas do Custo Brasil. Falta uma visão de longo prazo. Projetos de infraestrutura e de ganhos logísticos muitas vezes se tornam reféns de disputas orçamentárias de curto prazo, inviabilizando saltos consistentes que melhorariam o escoamento e a nossa capacidade industrial.
O Brasil vem perdendo posições valiosas em rankings globais de competitividade justamente por conta dessas falhas estruturais crônicas. Para romper esse ciclo vicioso de estagnação, não bastam políticas de estímulo artificial de curto prazo. É necessário focar na raiz do problema: investir massivamente na qualificação técnica e na educação de base, garantir segurança e estabilidade institucional para atrair investimentos privados produtivos, e destravar definitivamente as amarras logísticas do país.
Somente atacando essas frentes estruturais de maneira coordenada a produtividade será elevada, gerando um crescimento econômico consistente, que se traduza em ganhos reais de renda para toda a população.













