Coletivos entram em circulação neste sábado (26). Avanço é lento diante de uma frota em que mais da metade dos coletivos passou da vida útil
Roberta Soares
Publicado em 25/09/2026 às 16:18
| Atualizado em 25/09/2026 às 18:00
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– Conorte/Divulgação
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O transporte público da Região Metropolitana do Recife (RMR) dá mais um passo, ainda que tímido, rumo à climatização total da frota. Neste sábado (26), o governo de Pernambuco – gestor do sistema – coloca em circulação pré-operacional 50 novos ônibus com ar-condicionado, equipados com tecnologia Euro 6.
É um avanço real e que se soma a outras iniciativas previstas no contrato das empresas concessionárias, é fato. Com os novos ônibus refrigerados, a frota total climatizada (veículos em operação e reserva) sobe para 27,7%, o que correspondem a um incremento de quase 50% de refrigeração em relação ao início do governo Raquel Lyra (subindo de 14% para 27,7%).
Mas também é fato que não resolve o problema da climatização da frota, que segue com um índice de refrigeração ainda abaixo de 30%, deixando a maior parte dos passageiros exposta ao calor intenso dentro dos coletivos.
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Os novos ônibus com ar-condicionado vão circular em caráter de teste, das 13h às 19h, pelos municípios de Abreu e Lima, Paulista, Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes, sem custo para o poder público — a operação fica a cargo da concessionária Conorte, responsável pela área Norte da RMR.
Os 50 ônibus fazem parte de um pacote maior, de 150 veículos totalmente climatizados: 110 modelos convencionais e 40 unidades BRT, de 15 metros e três eixos, destinados ao corredor de BRT Norte-Sul.
Na próxima semana, o Grande Recife Consórcio de Transportes Metropolitano (CTM) e a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco (Semobi) devem divulgar quais linhas receberão os novos coletivos, considerando volume de passageiros, tempo de viagem e velocidade média dos trechos.
INVESTIMENTO MELHORA ÍNDICE, MAS RITMO AINDA É INSUFICIENTE

Mesmo com novos ônibus climatizados na RMR, frota refrigerada ainda segue inferior a 30% – ARTE
A renovação foi viabilizada pelas mudanças no modelo de remuneração do sistema, implementadas em 2024, e pela participação das concessionárias no financiamento da frota, com acesso a recursos do Novo PAC Refrota, via FGTS. Somando as entregas mais recentes, entre elas um investimento de R$ 65 milhões que trouxe 40 ônibus com tecnologia Euro 6 e entradas USB em junho de 2025, o sistema já incorporou cerca de 420 ônibus climatizados até maio deste ano.
Ainda assim, o índice geral de refrigeração da frota do Grande Recife está em apenas 24,27% da frota em circulação. Na prática, isso significa que a grande maioria dos passageiros da RMR continua dependendo de ônibus sem ar-condicionado, em uma região de calor elevado ao longo do ano.
O secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Pedro Neves, trata a renovação como prioridade do governo estadual, e o diretor-presidente do CTM, Matheus Freitas, classifica a chegada dos novos veículos como “mais um avanço importante”. Mas o próprio ritmo dos investimentos expõe o tamanho do desafio: mesmo somando entregas sucessivas desde 2024, o sistema segue muito distante de garantir climatização à maioria dos usuários.
ENQUANTO ISSO, FROTA OPERADA PELAS EMPRESAS PERMISSIONÁRIAS SEGUE VELHA E QUENTE

Novos ônibus climatizados começam a circular na RMR neste sábado, mas frota com ar-condicionado ainda não chega a 30% do sistema – CTM/Divulgação
O problema da refrigeração é só uma face de uma crise mais ampla: a idade da frota dos ônibus em operação na RMR. Levantamentos feitos pelo JC mostram que o percentual de ônibus com vida útil vencida saltou de cerca de 40%, em setembro de 2025, para 53% em 2026.
Uma planilha do sistema referente a maio deste ano detalha que, dos 2.504 ônibus em operação na RMR, 1.243 já ultrapassaram o tempo de uso recomendado — quase um em cada dois coletivos que circulam pelas ruas do Grande Recife. A idade média da frota chega a 6,47 anos.
A discrepância entre os modelos de gestão é acentuada: enquanto as concessionárias Conorte e MobiBrasil têm 26,2% da frota com vida útil vencida, entre as permissionárias — que respondem por 70% da operação da RMR e não têm contrato formal de concessão — esse índice sobe para 61,1%.
Empresas como a Caxangá operam com 64% da frota (228 veículos) fora do prazo recomendado, a Borborema tem a idade média mais alta, de 7,76 anos, e Metropolitana e Globo mantêm, respectivamente, 61,5% e 58,6% de seus coletivos em situação irregular. O desgaste eleva o custo operacional do sistema — pago pela tarifa e pelo subsídio estadual — e amplia o risco de problemas mecânicos e de sinistros de trânsito envolvendo os veículos mais antigos.
MAIS DE UMA DÉCADA ESPERANDO A LICITAÇÃO DAS LINHAS DE ÔNIBUS
Esse cenário de sucateamento tem origem nos constantes adiamentos que o governo do Estado tem promovido em relação à licitação remanescente das linhas de ônibus, uma espera que já dura mais de 12 anos. O processo foi iniciado e interrompido em 2014 e atravessou diferentes gestões, independentemente do partido no poder.
Na atual administração, da governadora Raquel Lyra (PSD), o edital já teria sido liberado pela Procuradoria Geral do Estado PGE) e encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para validação, mas não se tem previsão de quando será lançado. Segundo os últimos prazos informados pelo governo, deveria ter sido lançado ainda em setembro.












