Eram esperados anúncios concretos de cortes de despesas ou a indicação de um nome com credibilidade no mercado para o Ministério da Fazenda
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato è reeleição, discursou e abordou a conjuntura econômica durante jantar com ministros e líderes do setor privado na sexta-feira (25), em São Paulo. Parte da plateia, no entanto, saiu frustrada do encontro, que reuniu mais de 700 pessoas, entre executivos, banqueiros e advogados.
O Estadão conversou, sob anonimato, com vários presentes dos setores financeiro, industrial e imobiliário. Programado para as 19h, o evento iniciou-se às 20h40. Houve 1h40 de discursos dos organizadores (Esfera Brasil, Prerrogativas e Parlatório), ministros e empresários antes de Lula assumir a palavra. Convidados de peso, como Milton Maluhy (Itaú), deixaram o local antes do pronunciamento do presidente.
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Alguns esperavam anúncios concretos de cortes de despesas ou a indicação de um nome com credibilidade no mercado — como o vice-presidente Geraldo Alckmin — para o Ministério da Fazenda. Sem essas medidas, muitos avaliaram que o tom do evento assemelhou-se ao de uma campanha eleitoral.
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Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, consultoria de risco político, notou esforços da equipe governamental para sinalizar compromisso fiscal. “Os discursos foram mais construtivos”, avaliou.
Ele destacou que Aloizio Mercadante (BNDES) ressaltou o controle de gastos; Alckmin e Dario Durigan (Fazenda) defenderam que as despesas não devem superar o PIB; e o próprio Lula reiterou que não se deve gastar mais do que se arrecada.
Contudo, Garman pontuou que não há expectativa de uma reforma profunda: “O problema é que há uma falta de credibilidade grande nesse aspecto”.
Dois presentes classificaram o encontro como “quase desrespeitoso”. Avaliaram os discursos como focados nas realizações do governo, sem autocrítica sobre a política de gastos, fator que inibe a queda de juros e eleva o endividamento.
Esperava-se um gesto amigável ao setor produtivo, alvo de maior tributação. Para elevar a arrecadação, o governo taxou lucros, dividendos, fundos exclusivos, offshores e elevou a CSLL de instituições financeiras.
“O jantar foi nitidamente de prestação de contas, já que o governo tomou medidas que aumentaram impostos e não foram bem recebidas”, afirmou Basilio Jafet, vice-presidente do Secovi-SP, que representa 93 mil empresas do mercado imobiliário. “O evento foi bom para entender o governo, mas sentimos que o ajuste fiscal não teve a profundidade que merece.”
O discurso de Mercadante foi apontado como o mais pertinente. Quebrando o protocolo, ele cumprimentou convidados como Eduardo Giannetti, Claudia Costin, Emerson Kapaz, Joaquim Levy, Carlos Sanchez, Lírio Parisotto, Isaac Sidney (Febraban) e Maluhy.
Ele abordou o ajuste fiscal detalhadamente, relembrando os superávits primários e o grau de investimento de gestões petistas anteriores. “Todos querem se desendividar e o presidente, mais do que ninguém, também quer”, declarou Mercadante.
Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro, elogiou a fala de Mercadante. Acompanhado por 20 presidentes de seguradoras, afirmou que o setor passou a respeitar o governo após a efetivação de marcos regulatórios antes paralisados.
O tema fiscal não foi aprofundado na sala reservada onde Lula recebeu empresários antes do evento, com uma passagem rápida apenas para cumprimentos. Por fim, convidados lamentaram a ausência de propostas futuras, notando que as declarações se limitaram a realizações passadas, sem o anúncio de iniciativas inovadoras.










