Transporte por moto: Maioria das motocicletas usadas no serviço de Uber e 99 Moto não suporta peso de duas pessoas

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Transporte por moto: Maioria das motocicletas usadas no serviço de Uber e 99 Moto não suporta peso de duas pessoas


Falta de limite de peso em motocicletas usadas pelos aplicativos de transporte, como Uber e 99 Moto, coloca em risco condutores e passageiros

Por

Roberta Soares


Publicado em 09/09/2025 às 14:36
| Atualizado em 09/09/2025 às 14:50



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Muita gente que aderiu aos aplicativos de transporte remunerado de passageiros com motocicletas, como o Uber e 99 Moto, não faz ideia do perigo ‘escondido’ vivenciado nas viagens. E o alerta é válido não só para os passageiros, mas também para os condutores.

A maioria das motos utilizadas nesses serviços – com a validação das plataformas de mobilidade e, ao mesmo tempo, do poder público municipal, estadual e até federal – não é projetada para transportar duas pessoas, especialmente adultos, excedendo com facilidade os limites de peso estipulados pelos fabricantes.

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Essa é mais uma lacuna crítica para a segurança viária com graves consequências no trânsito, exposta pelo rápido crescimento dos serviços de transporte de passageiros por aplicativo com motocicletas.

E essa realidade, apesar de extremamente preocupante, é ignorada pelas plataformas, que sequer estipulam modelo, tamanho e cilindrada das motocicletas para o cadastro nos serviços de Uber e 99 Moto, por exemplo. Essa omissão diante de critérios mínimos sempre existiu para o delivery de mercadorias e alimentos, sendo reproduzida também para o transporte remunerado de pessoas – o que é ainda mais grave.

ALERTA TEM COMO BASE INFORMAÇÕES TÉCNICAS DOS PRÓPRIOS FABRICANTES DE MOTOCICLETAS


BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A motocicleta expõe seus ocupantes à velocidade alta. Nos últimos 10 anos, a produção de motos aumentou 24 vezes e o número de vítimas delas também aumentou na mesma proporção – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

As informações têm como base os dados técnicos dos fabricantes de motocicletas. Cada moto possui um limite máximo de carga definido pelo fabricante, que envolve o peso do piloto, do passageiro e da bagagem. Superar esse limite não é apenas uma questão de sobrecarga, mas uma séria ameaça à segurança: o excesso de peso compromete severamente o equilíbrio da moto e do motociclista, multiplicando as chances de sinistros de trânsito graves.

Além disso, o desgaste de componentes vitais como pneus e suspensão é acelerado, diminuindo drasticamente a vida útil do veículo e aumentando os custos de manutenção.

MAIORIA DAS MOTOS TEM BAIXA CILINDRADA E NÃO SUPORTA PESO DE CONDUTOR E PASSAGEIRO


Arte

Tabela comparativa de capacidade de carga – motocicletas – Arte

Muitas das motocicletas mais comuns para esses serviços são de baixa cilindrada, como os modelos de 125 a 150 cilindradas, que inerentemente não são concebidas para o transporte duplo. A Honda CG 160, a moto mais vendida no Brasil, tem sua capacidade máxima de carga estipulada em 161 kg. Um exemplo direto, a Yamaha Fazer 150, suporta pouco mais: 170 kg. Apenas variantes bem maiores e mais caras, como a Honda Gold Wing, oferecem uma capacidade superior, limitada a 205 kg.

A preocupação se intensifica ao considerarmos o perfil da população. Dados apontam que dois adultos com mais de 80 kg cada já excedem o peso máximo suportado por uma motocicleta comum. No Brasil, a situação é agravada: em 2023, 56,8% dos brasileiros estavam com excesso de peso. Um passageiro de 70 kg, somado ao peso do motociclista, já pode levar algumas motos ao limite. A cada dia, mais motociclistas de aplicativo enfrentam o dilema de transportar passageiros que, inconscientemente, os colocam em risco.

ALÉM DO PERIGO, MOTOS DESCUMPREM REGRAS DE TRÂNSITO

A questão do excesso de peso transcende a segurança e o desgaste veicular, alcançando o âmbito legal. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro: transitar com peso bruto total superior ao fixado pelo fabricante é uma infração grave. O condutor que ultrapassar o limite está sujeito a uma multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira de motorista.

O risco financeiro e legal, somado à instabilidade e ao esforço físico, representa um ônus significativo para o trabalho do motociclista. “Quando tratamos do uso da motocicleta no País, como ferramenta de trabalho, por vezes nos deparamos com situações inóspitas, em que por conta da necessidade de gerar renda, alguns condutores acabam por exceder a capacidade máxima de tração do veículo, o que é um risco sob vários aspectos”, alerta o advogado especialista em trânsito, mobilidade e segurança Renato Campestrini.

E segue: “As motocicletas, em especial de baixa cilindrada, quando utilizadas de forma frequente com peso acima ou próximo da sua capacidade máxima de tração, ficam suscetíveis ao desgaste acentuado de pneus, suspensões e acima de tudo, sobrecarregam os sistemas de freios, levando em conta que muitos dos condutores não sabem utilizar de forma correta os sistemas”, diz.

Agência Estado

Essa é mais uma lacuna crítica para a segurança viária com graves consequências no trânsito, exposta pelo rápido crescimento dos serviços de transporte de passageiros por aplicativo com motocicletas – Agência Estado

Agência Estado

A motocicleta expõe seus ocupantes à velocidade alta. Nos últimos 10 anos, a produção de motos aumentou 24 vezes e o número de vítimas delas também aumentou na mesma proporção – Agência Estado

Segundo o especialista, o risco é ainda maior nos casos de motocicletas básicas. “É certo que a oferta dos chamados freios combinados, em que o traseiro aciona também o dianteiro e vice-versa, ou o sistema antibloqueio ABS ajudam a minimizar os efeitos de uma frenagem inadequada, mas não aliviam os sistemas de freios dos efeitos do uso intenso, algo que potencializa os riscos de envolvimento em um sinistro de trânsito. Se a motocicleta for ainda mais básica, com freios a tambor na dianteira, o risco de fadiga é ainda maior”, ensina.

Motociclista, Campestrini também relata experiências próprias vividas nas ruas. “Não é incomum me deparar com motociclistas nas vias públicas com dificuldades de frenagem, por conta do sistema de freios ter apresentado fadiga pelo uso intenso, seja pelo transporte de passageiros em velocidade acima do desejável para cumprir mais viagens”, afirma.

E finalizando lembrando que a legislação prevê que os municípios podem regulamentar o transporte e a cilindrada dos veículos. “Mas, ainda assim, os veículos de baixa cilindrada iriam seguir sendo os mais acessíveis e rentáveis mantendo de tal forma os riscos”, alerta Renato Campestrini.

MOTO APPS TÊM RECUSADO CORRIDAS DEVIDO AO EXCESSO DE PESO DOS PASSAGEIROS E SOFREM CRÍTICAS

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A questão do excesso de peso transcende a segurança e o desgaste veicular, alcançando o âmbito legal – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A maioria das motos utilizadas nesses serviços não é projetada para transportar duas pessoas, especialmente adultos, excedendo com facilidade os limites de peso estipulados pelos fabricantes.
BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

Com medo de sofrer uma queda, muitos motoqueiros começam a recusar viagens com passageiros acima do peso, por exemplo. A repercussão nas redes sociais tem sido intensa. Vídeos de motociclistas de aplicativo recusando-se a transportar pessoas com sobrepeso viralizaram, gerando debates acalorados.

Enquanto alguns condutores são acusados de gordofobia, muitos apontam explicitamente os riscos à segurança e o potencial de danificar a motocicleta como motivos para o cancelamento das corridas.
Ao menos 14,8% dos homens adultos, quando juntos, ultrapassam a capacidade de carga da maioria das motocicletas que vêm sendo usadas pelos parceiros dos aplicativos.

Segundo dados do estudo “Antropometria e estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos no Brasil”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, homens entre 20 e 24 anos apresentaram uma média de altura e peso de 1,73 m e 69,4 kg.

Esse valor ainda se encaixa dentro dos limites de carga dos modelos, mas as considerações de que 49% destes adultos têm sobrepeso – o que, segundo o ìndice de Massa Corporal (IMC), para jovens de 20 anos é ao menos 74,8 kg – aproxima ainda mais da capacidade máxima da moto.

O estudo ainda aponta que 14,8% da população se enquadram como obesos, pesando ao menos 89,8 kg, considerando a mesma idade e altura mediana.

Em dados recentes, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a organização global de saúde pública Vital Strategies alertou que, em 2023, 56,8% dos brasileiros estavam com excesso de peso. A nova estatística aponta que o percentual e o peso da população aumentaram, o que aproxima ainda mais o brasileiro de exceder o peso das motocicletas.

 





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