Culpada por rejeitar Britney Spears, francesa lança livro com desculpas à antiga ídola

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Culpada por rejeitar Britney Spears, francesa lança livro com desculpas à antiga ídola


Sob os holofotes desde muito jovem, uma garota de cabelos loiros, dona de uma feminilidade que parecia tão natural quanto estratégica, se transformou em um dos maiores nomes do pop mundial. Mas quando Britney Spears cresceu, viu a mesma exposição que a consagrou se voltar contra ela.

Ao mesmo tempo, outra garota de cabelos loiros e com sonho de se tornar popstar crescia na França admirando a cantora de “Toxic”. Não deu certo, e ela se tornou escritora. Já adulta, Louise Chennevière lança “Por Britney”, um ensaio que é também uma carta de desculpas à ídola de infância.

“Eu a amei muito quando era criança e depois a abandonei”, diz Chennevière. “Esse é um livro de amor, um amor que eu sentia por mulheres quando era criança e que me foi roubado.”

Nos anos em que se afastou da cantora, a francesa também ficou mais longe de tudo que considerava feminino. Abrindo mão do sonho de cantar, escolheu estudar algo que julgava sério, a literatura. Mas percebeu que abandonava também uma parte de si mesma.

Foi em 2023, com o lançamento da autobiografia “A Mulher em Mim” que o reencontro aconteceu. O livro de Britney fez grande parte do mundo, incluindo Chennevière, se lembrar dela. “Quando li foi como um colapso entre a infância e a vida adulta. Por 20 anos eu não tinha conexão com ela e, de repente, tudo voltou.”

Em seus dois primeiros livros, “Comme la Chienne”, de 2019, e “Mausolée”, de 2021, o autora já contava histórias sobre mulheres, movida pela necessidade de se afirmar em um meio dominado por homens.

Hoje entende que sua negação da feminilidade e do feminino eram um sintoma do sistema que ela tentava escapar. “Não querer ser como as outras garotas é uma reação de defesa que nos faz nos comportar como os dominantes”, segundo a autora.

“Quando publiquei meu primeiro livro, eu queria que as pessoas me levassem a sério, que entendessem que eu podia fazer literatura.” No mundo intelectual, não havia espaço para o pop, principalmente o produzido por mulheres e para mulheres.

A ficção era uma forma de relatar suas experiências como mulher sem se expor. “Por Britney” é a primeira obra em que diz não carregar esses temores.

No ensaio, Chennevière não quis explorar a história de Britney como tantos fizeram, mas se colocar ao lado dela. As quase 70 páginas em fluxo contínuo costuram a história da cantora americana, a sua própria e também a da escritora canadense Nelly Arcan.

Nascida na década de 1970, Arcan é a mais velha entre as três e, segundo Chennevière, aquela que mais sentiu o peso desse sistema. A autora de “Puta”, um monólogo sobre sua experiência como acompanhante de luxo, se matou em 2009 aos 35 anos, após ser alvo de críticas a seus modos de vida e à franqueza com que falava deles.

Sobrepondo essas três trajetórias, o livro demonstra as diversas formas como a sociedade rejeita o que considera feminino. “Como mulher, o mundo está sempre tentando derrubar você ou te colocar no seu lugar. Não importa o que você faz, não importa o que você escreve, você nunca sairá do lugar de uma mulher.”

Chennevière nunca descreve o que é esse lugar. Ela mostra. No livro, narra várias experiências comuns a mulheres de todo o mundo e, por vezes, deixa relatos inacabados e ações subentendidas. O padrão, segundo ela, não é planejado. “Uma mulher pode completar minhas frases, porque todas podemos nos relacionar a essa experiência de certa forma.”

Mas ela diz não escrever só para mulheres. “Eu tenho um pai, eu sou amiga de homens, eu tenho um namorado e eu estou cansada de ter que explicar as mesmas coisas o tempo todo.”



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