Quase 50% dos condutores e passageiros ouvidos na pesquisa Movimento Nacional Brasil sobre Duas Rodas sofreram colisões e quedas no Estado
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– JAILTON JR./JC IMAGEM
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O cenário de sinistralidade no trânsito dos usuários de motocicletas em Pernambuco é um pouco menos ruim do que no restante do País. Dados da pesquisa Movimento Nacional Brasil sobre Duas Rodas, do IQG – Instituto Qualisa de Gestão, em parceria com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a FIESP, apontaram que 49,9% dos condutores e passageiros das motos no Estado afirmaram já ter sofrido algum sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT).
O percentual é ligeiramente inferior à média nacional, de 59,5% na base geral da pesquisa, mas que ainda impressiona porque, na prática, significa que praticamente um em cada dois motociclistas em Pernambuco já se envolveu em algum episódio de colisões e quedas nas ruas.
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O estado registrou um Índice Geral de Cultura de Segurança – criado pela Vértea, Academia de Estudos Avançados em Saúde Sustentável, núcleo do IQG – de 64,7 pontos, também ligeiramente abaixo da média nacional. O recorte estadual, com 605 respondentes pernambucanos, mostra ainda que 94,5% dos motociclistas e usuários ouvidos no Estado são do sexo masculino e que 96,5% usam a moto como ferramenta de trabalho — entregas e transporte de passageiros —, percentual acima da média nacional de uso profissional.
Ou seja, em Pernambuco a motocicleta é, antes de tudo, instrumento de renda, o que reforça a relação entre o tempo de exposição ao tráfego e o risco de sinistros de trânsito registrados no Estado.
NORDESTE E NORTE COM CENÁRIO RUIM, COMO PREVISTO
Colocado ao lado dos demais estados do Nordeste, o desempenho pernambucano fica próximo da média regional. Piauí lidera o índice de cultura de segurança na região, com 66,3 pontos — o maior do País, empatado com o Paraná —, mas também apresenta o maior percentual de sinistros entre os nordestinos, com 63,9%. Maranhão (65,9) e Bahia (65,7) vêm na sequência, com taxas de sinistro de 56,2% e 53,4%, respectivamente.
Já Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte formam o grupo com os menores percentuais de sinistro da região, entre 50,6% e 53,8%, ainda que com índices gerais de cultura de segurança na casa dos 63 a 64 pontos — os mais baixos do Nordeste, junto à Paraíba (63,3). Em média, os nove estados nordestinos somam um índice de cultura de segurança de cerca de 64,7 pontos e um percentual médio de sinistros de trânsito próximo a 54,7% — abaixo da média nacional, mas ainda assim expressivo diante do tamanho da frota de motocicletas de trabalho na região.
No Norte do País, o quadro é ainda mais desigual. O Acre tem o pior Índice Geral de Cultura de Segurança do Brasil, com 61,2 pontos, mas não lidera em sinistros — 56% dos motociclistas acreanos relataram já ter se envolvido em algum episódio. Quem chama atenção nesse quesito é o Amazonas, com 63,4% de sinistros relatados, o maior percentual entre os estados nortistas, mesmo com índice de cultura de segurança de 64,4 pontos, próximo da média nacional.
Amapá (65,5) e Roraima (65,7) têm os melhores índices da região, com taxas de sinistro de 59,3% e 61%. Rondônia soma 65,1 pontos e 61,5% de sinistros. Já o Tocantins chama atenção por um perfil amostral diferente dos demais: apenas 77% dos respondentes no estado usam a moto para trabalho — a menor proporção entre todos os estados pesquisados —, o que sugere uma base mais equilibrada entre uso profissional e uso como meio de transporte pessoal, refletida também no menor percentual de sinistros da região, 50,5%.
O CENÁRIO NO RESTANTE DO PAÍS



Fora do Nordeste e do Norte, o cenário nacional é igualmente heterogêneo e preocupante. O Distrito Federal concentra o maior percentual de sinistros de trânsito do País entre todos os estados pesquisados: 68,2% dos motociclistas do DF já se envolveram em algum episódio, mesmo com um Índice Geral de Cultura de Segurança de 63,8 pontos — um dos mais baixos fora do Nordeste.
Na Região Sul, o Rio Grande do Sul também chama atenção, com 66,3% de sinistros relatados, o segundo maior índice do Brasil nesse quesito, ainda que com cultura de segurança moderada (65 pontos). Paraná segue como o estado com o melhor índice geral do Brasil, com 66,3 pontos, e taxa de sinistro de 60,4%. No Centro-Oeste, o Mato Grosso do Sul se destaca pelo menor percentual de sinistros entre os estados com amostra robusta, 51%, com índice de 65,1 pontos.
São Paulo, estado com a maior amostra da pesquisa (8.821 respondentes), tem índice de 65 pontos e taxa de sinistro de 61% — ambos muito próximos da média nacional, o que reforça o peso do estado na composição do resultado geral do País.
Colocado lado a lado, o retrato nacional confirma que a distância entre as regiões é menor do que o senso comum costuma sugerir: o Índice Geral de Cultura de Segurança varia numa faixa relativamente estreita, entre 61,2 e 66,3 pontos, do pior ao melhor estado.
A diferença mais expressiva aparece nos percentuais de sinistro de trânsito, que oscilam entre 49,9% (Pernambuco) e 68,2% (Distrito Federal) — uma variação de quase 20 pontos percentuais que não se explica só pela cultura de segurança percebida, mas também por fatores locais de tráfego, fiscalização e infraestrutura viária que a pesquisa não captura diretamente.
Esses números regionais reforçam um padrão que aparece na análise nacional da pesquisa: a consciência do risco não é o problema. Na dimensão individual do Índice Global de Cultura de Segurança, que mede a percepção do próprio risco e a confiança do motociclista em agir com segurança, o Brasil atingiu 91,2 pontos, considerado alto — puxado por uma consciência do risco de quase 96 pontos.
O gargalo aparece nas dimensões que fogem ao controle do indivíduo: a de grupo, que soma normas sociais altas (85,1) com influência social moderada (41,2), e fecha em 72 pontos; e a sistêmica, que reúne pressões econômicas (46,5) e o ecossistema de reconhecimento do trabalho (89,1), e despenca para apenas 32,2 pontos — a pior nota entre as três dimensões e o principal fator que explica por que a consciência do risco não se traduz automaticamente em menos sinistros de trânsito nas ruas do País.













