Maroon 5, em 28° show no Brasil, faz o arroz com feijão que o brasileiro ama no Rock in Rio

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Maroon 5, em 28° show no Brasil, faz o arroz com feijão que o brasileiro ama no Rock in Rio


O Maroon 5 fez neste sábado (13), o sexto dia do Rock in Rio, um show manjado que era exatamente o que o público no Rio de Janeiro queria. A banda foi a atração principal do dia, que também teve Demi Lovato, Mumford and Sons, J Balvin e João Gomes, entre outros.

A atual turnê do Maroon 5 é a “Love is Like”, mesmo nome do disco que os americanos lançaram no ano passado. Apesar disso, o repertório não contou com nenhuma faixa do trabalho mais recente, e não dá pra dizer que alguém tenha sentido falta das novidades.

Assim como o Maroon 5 não enjoou de fazer o mesmo show, também é verdade que o público brasileiro não se cansou da performance previsível. Os ingressos para este sábado esgotaram com antecedência —o que não aconteceu nos dias do rock, do metal e do k-pop do Rock in Rio 2026.

O Maroon também não é nenhuma novidade no Brasil, e nem no festival, onde chegaram à quarta apresentação —sendo que duas foram no mesmo ano, em 2017, quando eles substituíram Lady Gaga. A última passagem pelo país foi em 2023, no The Town, o irmão paulista do Rock in Rio.

Desta vez, o grupo liderado por Adam Levine fez shows em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, em Salvador e também na capital paulista, na última terça (8). Com este Rock in Rio, são 28 shows no Brasil desde que a banda pisou no país pela primeira vez, em 2004.

Naquela ocasião, os americanos divulgaram o primeiro álbum da carreira, “Songs About Jane”, de 2002, em programas de TV como “Caldeirão do Huck“. Mais de duas décadas depois, aqueles sucessos radiofônicos —duas músicas do disco foram trilha de novelas por aqui— ainda fazem a cabeça dos brasileiros.

No Rock in Rio, isso ficou claro quando “This Love”, faixa do álbum de estreia, causou um alvoroço na plateia — por sua vez, já acesa com as performances anteriores, de “Harder To Breathe” —com uma menção a “War Pigs”, do Black Sabbath, na introdução— e “Lucky Strike”.

Adam Levine não demorou a saudar seu público. “É o melhor show, para os melhores fãs”, disse no começo, enquanto caminhava pela passarela no palco Mundo, o maior do megaevento carioca.

O espaço estava lotado como nos maiores shows desta edição do festival — Stray Kids e Elton John entre eles. E os fãs cantaram alto não só os hits dos anos 2000, mas também os da década passada, casos de “Stereo Hearts”, “Animals” e “One More Nights”, tocados em sequência.

Mas houve uma diferença entre as plateias do Maroon 5 e de outras apresentações internacionais também lotadas no Rock in Rio — inclusive a de Demi Lovato, horas antes no mesmo espaço. Talvez pela ausência de urgência, aquela sensação de que se trata de um momento único, o público da banda de Adam Levine estava mais sóbrio e distraído.

Isso significa que o espaço em frente ao palco Mundo não estava aglomerado, muita gente passou boa parte do show de costas para os músicos e até conversando. Ainda que animadas, dançando e cantando, as pessoas passaram a sensação de estarem diante de algo casual, não de uma rara chance de ver sua banda favorita.

Os músicos também passaram uma energia semelhante. O palco não trouxe grandes estruturas, com um efeito ou outro no telão e os arranjos foram praticamente os mesmos das turnês anteriores.

Mesmo a música do Maroon 5 não vai muito além do básico —a banda empresta algo de Michael Jackson em “Sugar”, de The Police em “Maps” e por aí vai. Trata-se de um pop rock convencional, altamente contagiante, que oscila entre o romântico e o dançante.

E assim os americanos seguiram. Puxaram a balançada “Misery”, passaram para a balada “Sunday Morning” e chegaram em “Heavy”, faixa solo do tecladista PJ Morton —ele inclusive fez seu show individual no palco Sunset do Rock in Rio, na véspera, o dia do k-pop.

O mais próximo de algum frescor veio com a performance de “Won’t Go Home Without You”, do segundo disco da banda, “It Won’t Be Soon Before Long”, de 2007. “Acho que não tocamos muito ela no Brasil, mas temos tocado recentemente”, disse Levine sobre a música, tocada no The Town há três anos, e bem recebida pela plateia.

O que segurou foi o repertório, quase todo formado por hits que foram sucesso no rádio, TV ou streaming. São músicas tão amplamente conhecidas que até quem não sabe uma palavra da letra em inglês consegue balbuciar algo para acompanhar a voz fina e anasalada de Levine.

Foi assim em “She Will Be Loved”, em que o vocalista desceu até o público e pediu para que todas as pessoas no Parque Olímpico, onde acontece o Rock in Rio, cantassem o último refrão. Também em “Maps”, tocada na sequência, que botou os fãs para pular.

O momento canônico dos shows do Maroon 5, quando Adam Levine tira a camisa e mostra o tanquinho, veio junto com a chuva —que havia dado uma trégua nesta semana depois de castigar o Rock in Rio nos primeiros dias do festival—, entre “Don’t Wanna Know” e “What Lovers Do”. O vocalista faz o mesmo truque em toda apresentação —e, pelo menos no Brasil, é sempre muito aplaudido pelos fãs.

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Dá para dizer que essa cena resume bem a relação dos músicos americanos com os fãs brasileiros. A banda faz um arroz com feijão que, se não atiça o paladar, pelo menos aplaca a fome e ninguém enjoa o suficiente para retirar das refeições de todo dia. E no fim das contas não tem erro —quase todo mundo gosta.

O show durou cerca de 1h45 e ainda teve “Girls Like You” e “Moves Like Jagger” antes de o Maroon 5 voltar ao palco —com Levine vestido novamente, apenas para tirar a camisa pela segunda vez— para um bis. A banda ainda tocou “Payphone” e “Sugar” para encerrar o penúltimo dia do Rock in Rio.



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