O polonês Pawel Pawlikowski dirigiu centenas de quilômetros pela Polônia para achar cenários que imitassem ruínas de guerra. “Fatherland”, novo filme do diretor que compete pela Palma de Ouro neste Festival de Cannes, acompanha a peregrinação do escritor Thomas Mann e sua filha, Erika, pela Alemanha em reconstrução após a Segunda Guerra Mundial.
Sandra Hüller volta para Cannes depois de ter protagonizado “Anatomia de uma Queda”, vencedor da Palma de Ouro em 2024. No mesmo ano, ela também fez “Zona de Interesse”, que levou o Oscar de melhor filme internacional ao mostrar a vida cotidiana de uma família nazista ao lado de um campo de concentração.
Dessa vez, porém, sua personagem é menos desenvolvida em tela. Em “Fatherland”, Erika é uma espécie de braço direito do pai. Ajuda a preparar seus discursos, corta sua barba, escolhe suas roupas e o acompanha em reuniões e eventos lotados de homens, onde quase não fala.
Ela tenta equilibrar a personalidade caótica do irmão, que escolheu cortar relações com o pai egocêntrico, e Mann, retratado como um homem pragmático e obcecado pelo seu legado. Erika o acompanha em eventos diplomáticos de autoridades americanas e soviéticas, que dividem a Alemanha.
Paparicado pelos dois lados da Alemanha dividida, o protagonista parece oscilar entre a crença de que sua influência poderia amenizar as tensões entre as duas Alemanhas e a satisfação de, após ser perseguido e marcado pelo nazismo, sentir-se enfim vingado pelo reconhecimento do país que um dia o expulsou.
Os cenários simétricos e exuberantes, gravados em branco e preto como nos outros filmes do polonês, “Ida” e “Guerra Fria”, que também se passam nos anos seguintes ao mesmo conflito, ajudam a compor o clima de rigidez e controle. As viagens constantes da dupla até lembram a estrutura de “Ida” —filme mais celebrado de Pawlikowski, que acompanha a jornada melancólica da personagem-título, uma órfã prestes a se tornar freira, e de sua tia Wanda.
As duas percorrem o interior da Polônia em busca dos restos mortais dos pais da jovem, judeus assassinados durante a ocupação nazista, para descobrir o real desfecho da história da família.
Filmar histórias que se passam na estrada é familiar para Pawlikowski, que começou a carreira com documentários, e já disse preferir não gravar seus filmes em estúdios. Na época das filmagens de “Ida”, produtores disseram que o diretor até chegou a dormir ao ar livre.
No caso de “Fatherland”, os diálogos revelam menos sobre os seus personagens, e preferem discorrer sobre situações políticas específicas ou citar filósofos como Karl Marx e Friedrich Hegel para transmitir o clima inóspito na Alemanha pós-Guerra.
A personagem de Sandra Hüller se mostra confortável em sua posição —com exceção de quando é questionada pelo ex-marido ou por uma jornalista que a chama de comunista. Quando uma tragédia acontece, ela é obrigada a encarar o comportamento frio do pai, que segue performando para seus pares. De certa forma, o Mann de Pawel Pawlikowski parece cutucar a dureza da cultura alemã.
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