São Paulo
Consagrada pela versão de 2009 com Marieta Severo e Andréa Beltrão, “As Centenárias”, texto de Newton Moreno, volta como musical e fica em São Paulo até 14 de junho, após estrear no Rio de Janeiro. Juliana Linhares e Laila Garin vestem os papéis das veteranas sob a direção de Luiz Carlos Vasconcelos.
A dupla interpreta Socorro e Zaninha, duas carpideiras, profissionais do luto, contratadas para chorar pelos mortos em funerais. Enquanto esperam o defunto da vez, rememoram episódios de suas carreiras de lamento pelo sertão nordestino. O ator Leandro Castilho se divide entre todos os outros personagens.
Cenas do musical ‘As Centenárias’, com Juliana Linhares e Laila Garin
–
Ariel Cavotti/Divulgação As Centenárias
Linhares, criadora do musical ao lado de Andréa Alves, criou o projeto para contracenar com Garin. Foi sua também a ideia de acrescentar músicas à encenação. “Achei um mote bom ter duas atrizes nordestinas cantando o carpir, puxando o sotaque e levando o espetáculo para essa coisa da canção nordestina”, diz. Para isso, ela contou com o músico Chico César, que compôs a partir de letras de Newton Moreno.
O público não deve esperar, no entanto, o vocabulário de gestos e entonações que vê nas versões de grandes musicais americanos que chegam ao Brasil, ditados pelas convenções da Broadway. “Eu gosto de teatro vivo. A estrutura importada do musical às vezes enrijece, é outro corpo e outra musicalidade. Não estou ali por essa linguagem, mas pela que é do teatro como um todo”, conta Linhares.
Completando a falange nordestina que encabeça o projeto, o diretor Luiz Carlos Vasconcelos somou à peça os frutos das experimentações que vem fazendo nos últimos muitos anos.
Uma de suas obsessões começou quando ele conheceu o quadrado de Sator no romance “Avalovara”, de Osman Lins, uma forma que em qualquer sentido em que seja lida, na vertical ou na horizontal e mesmo de trás para frente, forma a frase do latim antigo “sator arepo tenet opera rotas”, de significado disputado. No romance de Lins, uma das traduções dadas é “o lavrador mantém cuidadosamente a charrua nos sulcos”, mas o enigma, que tem pelo menos 2.000 anos, passou por interpretações mais esotéricas ao longo da história, que supunham que ele falasse de Deus.
O diretor passou a usar uma versão desse tipo de quadrado como um tabuleiro por onde se movem os atores de suas peças, acreditando na influência que elas têm sobre a audiência.
“Em ‘As Centenárias’, nenhum movimento dos atores é de livre e espontânea vontade, estão sempre sendo guiados pelos padrões do quadrado mágico. É um aprisionamento aos trajetos para a liberdade total da fantasia do espectador”, afirma o diretor.

O quadrado de Sator
–
GETTY IMAGES
Sua fixação por essa forma vem de uma vontade de encontrar para a cena teatral um correspondente às proporções constantes exploradas por séculos pelas artes plásticas, por se acreditar que elas seriam imediatamente agradáveis ao olho humano.
“Eu me guio por esses padrões potentes que favorecem uma harmonia, um encantamento ao olhar humano. Creio profundamente que esses trajetos dentro do quadrado mágico têm o poder de atrair a atenção”, diz.
Sedução essa que não depende de nenhuma racionalização. “O público não precisa saber que esses padrões estão ocultos ali, mas vai sentir que há um padrão estabelecido ali, e isso de alguma maneira é encantador”, diz o diretor.
Vasconcelos afirma se preocupar apenas com a beleza, e que qualquer sucesso que a peça conquiste será resultado de tê-la ou não alcançado.
Linhares, por sua vez, confessa esperar certo acolhimento pela capital paulista. “Aqui em São Paulo tem mais nordestino, estou com a expectativa de que a gente faça uma corrente de ancestralidade”, diz a criadora do projeto.
As Centenárias
Dir.: Luiz Carlos Vasconcelos. Com: Juliana Linhares e Laila Garin. Sesc Bom Retiro – al. Nothmann, 185, Campos Elíseos, região central. Qui. a sáb., às 20h. Dom., às 18h. Até 14/6. Ingr.: R$ 60 em sescsp.org.br. 12 anos

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/ponte-hong-kong-zhuhai-macau-vis-202605141623.jpeg?w=300&resize=300,300&ssl=1)

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/winston-churchill-speaking-in-de-202605140733-2.jpeg?w=300&resize=300,300&ssl=1)


/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/porto-de-o-barqueiro-fishing-202605140733.jpeg?w=300&resize=300,300&ssl=1)






/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/ponte-hong-kong-zhuhai-macau-vis-202605141623.jpeg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/winston-churchill-speaking-in-de-202605140733-2.jpeg?w=150&resize=150,150&ssl=1)

