Raphael Montes e Conceição Evaristo agitam multidão no início da Bienal do Livro

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Raphael Montes e Conceição Evaristo agitam multidão no início da Bienal do Livro


A Bienal do Livro de São Paulo teve início nesta sexta (4) em clima de êxtase. Correria e gritos ecoavam pelo Distrito Anhembi, que foi enchendo cada vez mais com o passar das horas.

Uma das que causou mais comoção foi a autora americana Lynn Painter, do best-seller “Melhor do que nos Filmes” numa breve aparição em um espaço secundário do evento –ela é destaque do palco principal no sábado.

Nesse primeiro dia, já podiam ser vistos clássicos da bienal, como as malas de rodinhas para carregar livros, e acessórios como patinhos amarelos na cabeça dos visitantes.

Conceição Evaristo abriu a programação da Arena Cultural, palco principal do evento. Celebrando seus 80 anos, ela contou temer que as pessoas pensem mais em sua história pessoal do que em sua escrita. Nascida em uma favela de Belo Horizonte, ela trabalhou como empregada doméstica antes de se tornar professora e, posteriormente, escritora. “O que me faz escritora não é minha biografia, é meu texto”, afirmou.

“Não adianta de nada me achar bonitinha se não ler o meu texto.” No entanto, se a plateia era feita de leitores, Evaristo deve estar mesmo sendo lida. Tanto o auditório como o entorno estavam lotados para acompanhar a autora em conversa com Eliana Alves Cruz, com quem assinou “Escreviventes”.

Em um momento, Cruz relembrou conquistas recentes de mulheres negras pioneiras. Evaristo se tornou a primeira negra eleita para a Academia Mineira de Letras em 2024, Ana Maria Gonçalves se tornou a primeira negra imortal da Academia Brasileira de Letras em no ano passado, e a própria Cruz entrou para a Academia Carioca de Letras neste ano.

Em agosto de 2018, Evaristo se inscreveu para uma vaga na ABL, mas levou apenas um voto. “Minha candidatura causou desconforto à Academia e os obrigou a pensar”, ela disse.

Sobre a fama que levou à multidão na bienal, Evaristo pediu desculpas. “Eu não dou conta da fama, é muita fama”, disse, arrancando risos da plateia.

A autora contou ter sido parada para tirar fotos no mercado, que sua casa no Rio de Janeiro já foi descoberta por guias turísticos e já houve até casos de gente estendendo livros por sua janela para conseguir autógrafos. “Eu não quero ser indelicada com as pessoas, mas tem hora que é complicado.”

O contraste foi grande com a mesa seguinte, que começou enquanto a autora de “Olhos D’Água” ainda assinava exemplares. Estevão Ribeiro, Marcelino Freire, Camilla Dias e, novamente, Eliana Alves Cruz, falaram sobre “Escreviventes” para uma plateia consideravelmente menor.

O livro é uma carta de amor para a octogenária, como disse Alves Cruz. A mesa, inclusive, terminou com os participantes gritando um “eu te amo” para Evaristo.

A Arena Cultural voltou a lotar quando recebeu Raphael Montes no início da noite. A ocupação do espaço começou com tumulto. Apesar dos pedidos da organização do evento, fãs correram, pularam bancos e se empurraram para garantir lugares mais à frente. A maioria eram jovens e adolescentes.

A Companhia das Letras, editora de Montes, distribuiu entre os fãs máscaras com a cara do autor e também tatuagens temáticas de seu novo livro, “A Estranha na Cama”.

O autor best-seller encontrou a atriz Paolla Oliveira e o jornalista Gabriel Zorzetto, que mediou a conversa, para falar da versão cinematográfica da obra recém-lançada. Os direitos de adaptação foram adquiridos pela Netflix antes mesmo de o autor terminar a escrita do novo livro.

Oliveira, que interpreta a protagonista, exaltou a capacidade de Montes em criar “tensão psicológica sem pudor”. “Ele é uma máquina de criar suspense”, afirmou a atriz.

Montes devolveu o elogio, destacando o olhar de Oliveira ao dar vida à personagem. “A primeira vez que eu vi a olhada da Paolla, não sabia se ela me odiava ou se queria ir para a cama comigo.”

O autor fala e escreve sobre sexo sem pudor, já acostumado a causar polêmica com seus livros sobre atos de violência extrema e canibalismo. Segundo Oliveira, ter personagens femininas “desejando” ainda é novidade e isso faz de “A Estranha na Cama” uma narrativa moderna.

Essa é também uma história sobre aparências e o que elas escondem, tema que Montes afirmou ser comum a todos os seus livros e produções audiovisuais.

Ele terminou a mesa sugerindo um novo livro a caminho e fazendo um quiz sobre sua carreira com os fãs. O filme de “A Estranha na Cama” será lançado no ano que vem.

A 28ª edição da Bienal do Livro continua até o domingo, 13 de setembro.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *