Despesas bilionárias com munição, armas e tecnologia bélica apenas dos EUA, em poucos dias de ataque ao Irã, chamam a atenção do mundo
JC
Publicado em 12/03/2026 às 0:00
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Em quase duas semanas de ataques e contra-ataques, a humanidade companha com apreensão as cenas de destruição, e os riscos mórbidos de luz nos céus do Oriente Médio. Os bombardeios foram espalhados no revide do Irã, alvo da parceria bélica e política dos Estados Unidos de Donald Trump com Israel de Benjamin Netanyahu. As populações de vários países na região sofrem com a invasão de mísseis e drones iranianos, enquanto Trump e Netanyahu intensificam os disparos, alegando a fragilização crescente do governo e do arsenal do Irã. No Estreito de Ormuz, a tensão se acumula feito colesterol numa artéria importante da economia global, ameaçando o abastecimento de petróleo sobretudo na Ásia. Para evitar o colapso, 400 milhões de barris serão liberados das reservas de outros países, medida de impacto para segurar a crise por alguns dias – mesmo assim, o preço do barril de petróleo continua em alta.
A reação da economia pode ser mais importante para a abreviação da guerra do que a identificação de novos alvos – Trump declarou que “praticamente não há mais alvos” para ataque no Irã. E não somente pela bagunça no mercado de energia. Nos Estados Unidos, do Congresso às ruas, questiona-se o custo da investida sem justificativas até aqui convincentes para os cidadãos norte-americanos. De acordo com fontes da Casa Branca, nos dois primeiros dias de bombardeio ao Irã foram gastos, pelos EUA, cerca de 5,6 bilhões de dólares, o equivalente a mais de R$ 28 bilhões. Em dois dias. Em outra informação da imprensa estadunidense, o montante gasto nos seis dias iniciais teriam sido de 11 bilhões de dólares, ou quase R$ 60 bilhões. Se já se passaram 13 dias de avalanche bélica sobre o Irã, inclusive com intensificação da pulsão de morte, podemos estimar um gasto de mais de R$ 150 bilhões nesse período – sem contar o dinheiro literalmente queimado dos orçamentos de Israel, do Irã e outros países afetados, seja como aliados, seja como alvos colaterais do conflito.
É possível que Trump submeta ao Congresso dos EUA, em breve, um pedido de dotação orçamentária suplementar para financiar os ataques no Irã. Pelo que já foi gasto em tão pouco tempo, o valor cogitado de 50 bilhões de dólares, ou mais de R$ 250 bilhões, com tal objetivo, já é visto como baixo. Em comparação, vale mencionar a soma de todo o orçamento público de Pernambuco para este ano – pouco mais de R$ 60 bilhões, o equivalente ao que os norte-americanos torraram em menos de uma semana no Irã.
O custo bilionário das guerras é uma afronta à humanidade. Um disparate da parte dos que gastam, violência simbólica criminosa às nações atacadas, além das vidas perdidas e dos prejuízos materiais. Diante da falência dos organismos internacionais e da insensibilidade da maioria dos líderes atuais no planeta, resta às populações locais buscarem se mobilizar em cada país, com o intuito de frear o ímpeto de guerra abominável que parece brincar de videogame – mas provoca mortes de inocentes, arruína cidades, deixa rastros de sangue e medo, e pode paralisar parte da economia global, à exceção, é claro, da lucrativa indústria de armamentos.
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