Prêmio Camões 2026 vai para a escritora portuguesa Lídia Jorge

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Prêmio Camões 2026 vai para a escritora portuguesa Lídia Jorge


A escritora portuguesa Lídia Jorge foi anunciada, nesta quinta-feira (2), como vencedora do prêmio Camões, o mais importante reconhecimento da literatura em português.

É a maior consagração da carreira da autora de 80 anos, que passou a ser editada recentemente no Brasil pela Autêntica Contemporânea. Nos últimos anos, a casa lançou seu novo romance “Misericórdia” e reeditou “Diante da Manta do Soldado”.

A portuguesa passou pelo Brasil no ano passado, quando foi convidada da programação da Feira do Livro, em São Paulo, e fez lançamentos em cidades como Brasília.

Antes, Lídia teve alguns de seus principais trabalhos editados na Record, como “O Vento Assobiando nas Gruas” e “A Costa dos Murmúrios”, romance que marcou sua carreira ao abordar a vida em Moçambique desconstruindo a narrativa colonial —e deve ganhar nova edição em 2027 pela Autêntica.

Sua obra também foi publicada pelo braço brasileiro da editora LeYa e pela Peirópolis, casa especializada em livros infantis, que lançou “A Instrumentalina”.

Lídia nasceu na região do Algarve, no sul de Portugal, em 1946. Estudou filologia românica na Universidade de Lisboa e se tornou professora de ensino secundário —depois, deu aulas na faculdade em que se formou. Viveu em Angola e Moçambique ao lado do marido, o jornalista Carlos Albino, que era oficial do Exército português na época em que o colonialismo ruía.

O livro de estreia da autora, em 1980, foi “O Dia dos Prodígios”, fantasia que aborda a Revolução dos Cravos e foi recebida como abre-alas de uma nova fase da literatura portuguesa.

“Misericórdia”, de 2022, deu um novo fôlego à recepção de Lídia, se tornando um best-seller na Europa ao abordar um lar de idosos com atenção sensível à velhice, à morte e a uma jovem cuidadora brasileira. O romance tornou Lídia a primeira portuguesa a vencer o prêmio Médicis, atribuído a livros traduzidos ao francês.

“A sua escrita, marcada por uma prosa poética densa, aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina, o impacto das transformações históricas na vida cotidiana, o significado das revoluções, a emigração, as tensões entre a sociedade moderna e pós-moderna, os conflitos entre gerações, as rupturas familiares, com um estilo literário de forte carga lírica e foco na memória coletiva”, diz o comunicado do júri do Camões, afirmando que a decisão pela vencedora foi unânime.

É a terceira vez seguida em que o Camões reconhece uma escritora mulher –depois da angolana Ana Paula Tavares em 2025 e da brasileira Adélia Prado em 2024–, uma sequência inédita para o prêmio.

Lídia é a décima mulher a ganhar a premiação, realizada desde 1989. Já foram reconhecidas autoras fundamentais como Lygia Fagundes Telles, Sophia de Mello Breyner Andresen e Rachel de Queiroz.

A vitória da autora vai de acordo com uma tradição recente do Camões de alternar vencedores entre escritores brasileiros, portugueses e de países africanos lusófonos. O último português a levar o prêmio foi João Barrento, em 2023.

O reconhecimento pelo conjunto da obra inclui um prêmio de 100 mil euros (cerca de R$ 590 mil), concedido pela Fundação Biblioteca Nacional, do Ministério da Cultura brasileiro, e pelo governo de Portugal.

A vencedora foi definida por um júri internacional formado por dois críticos brasileiros, dois portugueses, um angolano e um guineense, que cumprem mandatos bienais.

SAIBA QUEM FORAM TODOS OS VENCEDORES DO CAMÕES:

2026 – Lídia Jorge, Portugal

2025 – Ana Paula Tavares, Angola

2024 – Adélia Prado, Brasil

2023 – João Barrento, Portugal

2022 – Silviano Santiago, Brasil

2021 – Paulina Chiziane, Moçambique

2020 – Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Portugal

2019 – Chico Buarque, Brasil

2018 – Germano Almeida, Cabo Verde

2017 – Manuel Alegre, Portugal

2016 – Raduan Nassar, Brasil

2015 – Hélia Correia, Portugal

2014 – Alberto da Costa e Silva, Brasil

2013 – Mia Couto, Moçambique

2012 – Dalton Trevisan, Brasil

2011 – Manuel António Pina, Portugal

2010 – Ferreira Gullar, Brasil

2009 – Armênio Vieira, Cabo Verde

2008 – João Ubaldo Ribeiro, Brasil

2007 – António Lobo Antunes, Portugal

2006 – José Luandino Vieira, Angola

2005 – Lygia Fagundes Telles, Brasil

2004 – Agustina Bessa-Luís, Portugal

2003 – Rubem Fonseca, Brasil

2002 – Maria Velho da Costa, Portugal

2001 – Eugênio de Andrade, Portugal

2000 – Autran Dourado, Brasil

1999 – Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal

1998 – Antonio Candido, Brasil

1997 – Pepetela, Angola

1996 – Eduardo Lourenço, Portugal

1995 – José Saramago, Portugal

1994 – Jorge Amado, Brasil

1993 – Rachel de Queiroz, Brasil

1992 – Vergílio Ferreira, Portugal

1991 – José Craveirinha, Moçambique

1990 – João Cabral de Melo Neto, Brasil

1989 – Miguel Torga, Portugal



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