Pesquisa revela que alunos dos Anos Finais querem mais aulas práticas, esportes e vivências externas

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Pesquisa revela que alunos dos Anos Finais querem mais aulas práticas, esportes e vivências externas


Clique aqui e escute a matéria

Atividades práticas e esportivas, projetos “mão na massa” e experiências fora da escola, que ampliam o aprendizado e a conexão com o mundo real, estão entre os principais apontamentos feitos por estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental no Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências.

Em Pernambuco, foram ouvidos cerca de 150 mil estudantes. das redes estadual e municipal. As respostas, coletadas pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Itaú Social, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), mostram que quatro em cada dez estudantes pernambucanos acreditam que interações fora da escola contribuem para o seu desenvolvimento.

Entre os alunos do 6º e 7º anos, 37% sugerem a realização de passeios, visitas e trabalhos fora da escola como forma de ampliar as oportunidades de aprendizagem. Já entre os adolescentes do 8º e 9º anos, o percentual é ainda maior, chegando a 44%.

Segundo Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, a escuta é necessária para a construção de políticas educacionais mais conectadas às demandas dos estudantes e à realidade local.

“Essa é a primeira vez que a gente realmente pôde fazer, como país, um exercício de escuta dos adolescentes que estão nas redes públicas, justamente em uma etapa que marca o começo e boa parte da adolescência, em que há muitas mudanças não só físicas, mas também na dimensão emocional, nas ‘questões sociais de relacionamento com os pares”, afirmou. 

Ao mesmo tempo, essa etapa dos Anos Finais não tinha tido um esforço real de ser objeto de atenção de políticas públicas e programas”, destacou Patrícia, em entrevista à coluna Enem e Educação.

Ainda segundo o levantamento, outras práticas valorizadas incluem trabalhos em grupo (32% dos mais novos e 26% dos mais velhos), aulas de reforço (26% e 24%) e leitura (26% e 18%, respectivamente).

A pesquisa também revelou os conteúdos considerados mais importantes pelos estudantes. As disciplinas tradicionais, como língua portuguesa, matemática, ciências humanas e ciências da natureza, lideram a preferência (49% dos 6º e 7º anos e 40% dos 8º e 9º anos). Em seguida vêm esporte e bem-estar (39% e 36%), e arte e cultura para os mais novos (31%) ou educação financeira para os mais velhos (28%).

Escola do futuro e a convivência no ambiente escolar

Os estudantes também apontaram suas expectativas para a “escola do futuro”. Atividades com tecnologia e mídias sociais foram a maior preferência (40%), seguidas por atividades esportivas (40% para os mais novos e 38% para os mais velhos) e aulas práticas ou “mão na massa” (39% e 38%).

Segundo Patrícia Mota Guedes, essas escolhas indicam que “além das práticas pedagógicas inovadoras, é fundamental integrar esforços das secretarias de educação com cultura, esportes e saúde para ampliar as oportunidades de aprendizado e dar sentido ao que os estudantes aprendem na escola”.

Os alunos mais jovens apresentam indicadores mais positivos em relação à convivência escolar: 85% têm amigos com quem gostam de estar, 79% possuem pelo menos um adulto em quem confiam e 72% consideram o ambiente adequado para aprender. Entre os mais velhos, 83% destacam a socialização com colegas, 69% têm um adulto de confiança e 58% consideram o ambiente bom para aprendizagem.

 

Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social – Agência Ophelia

Desafios de aprendizagem e permanência

É justamente nos Anos Finais do Ensino Fundamental que se acirram as dificuldades de aprendizagem, aumentam os índices de repetência e abandono escolar e se concentram os maiores desafios relatados por educadores para construir uma escola que engaje e estimule a participação dos adolescentes.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Educação, divulgados em junho do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, em 2024, 8,7 milhões de adolescentes e jovens brasileiros, entre 14 e 29 anos, não haviam concluído o ensino médio, seja por abandono escolar ou por nunca terem frequentado essa etapa. Os maiores percentuais de evasão ocorrem a partir dos 16 anos, com 16,5% aos 16, 19,9% aos 17 e 20,7% aos 18 anos.

O abandono, no entanto, começa ainda no ensino fundamental. Até os 13 anos, 6,5% dos estudantes já haviam deixado a escola, percentual que sobe para 6,8% aos 14 anos. O abandono precoce é mais elevado no Nordeste (7,8%) e no Norte (6,1%), mas também aparece de forma significativa no Sul (5,9%).

Antes mesmo dos 14 anos, o abandono escolar atinge 13,3% dos estudantes, indicando desistência durante uma etapa que deveria estar universalizada. Ainda assim, a principal ruptura ocorre aos 15 anos, quando a taxa de evasão alcança 12,6%, quase o dobro do registrado aos 14 anos (6,8%).

Oportunidades de aprendizagem

 Para Patrícia Mota Guedes, a escuta dos estudantes aponta caminhos importantes para ampliar o engajamento e favorecer a permanência nos Anos Finais do Ensino Fundamental. Entre eles está a atuação integrada das secretarias de Educação com as áreas de cultura, esporte e saúde, de forma a ampliar as oportunidades de aprendizagem.

A superintendente do Itaú Social destaca ainda a ampliação da jornada escolar, desde que acompanhada da qualidade desse tempo, com um currículo que ultrapasse os limites da sala de aula e ajude a dar sentido ao que os estudantes aprendem.

“Isso já tem sido uma prática nas escolas das elites, em escolas públicas que são referência, mas que ainda estão muito isoladas. Em algumas redes municipais isso vem sendo um ponto da própria política da educação integral. Então a escuta mostra que mesmo trazendo o tempo integral e ampliando a estrutura da escola, os alunos querem também a circulação no território e a conexão com outros espaços de aprendizagem”, explicou Patrícia. 

Sobre o relatório

A pesquisa com dados do estado de Pernambuco faz parte do Relatório Nacional da Semana da Escuta das Adolescências, que apresentou as percepções dos estudantes sobre suas identidades, diversidades e obstáculos à participação, estimulando gestores, professores e comunidades a promoverem escolas mais inclusivas e transformadoras.

 No contexto nacional, a iniciativa ouviu mais de 2,3 milhões de estudantes, marcando um passo importante na elaboração de uma política pública voltada especialmente para os Anos Finais do Ensino Fundamental.

 



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *