Morte de motoqueiro e passageiro na BR-101 acende alerta sobre falta de regras para motoapp

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Morte de motoqueiro e passageiro na BR-101 acende alerta sobre falta de regras para motoapp


Óbitos reforçam a urgência de regulamentação nos municípios do Grande Recife para condutores e passageiros de serviços como Uber e 99 Moto

Por

Roberta Soares


Publicado em 09/06/2026 às 13:34
| Atualizado em 09/06/2026 às 15:53


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A liberação geral do uso de motocicletas como transporte remunerado de passageiros – como o Uber e 99 Moto – segue provocando violentas mortes não só de condutores, mas também de passageiros do serviço na Região Metropolitana do Recife. Principalmente em rodovias federais que cortam o Grande Recife e onde os motoapps têm circulado com frequência, apesar do tráfego pesado e perigoso para o veículo de duas rodas.

Na manhã desta terça-feira (9/6), dois homens morreram violentamente após caírem de uma motocicleta e serem – como tem sido comum – atropelados por um segundo veículo que trafegava na BR-101, no município de Paulista, no Grande Recife. Os dois homens, que aparentavam 30 anos, morreram na hora. O sinistro de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT), aconteceu às 9h45, na altura do Km 51,9, no sentido Paulista-Abreu e Lima, já próximo à bifurcação da BR com a rodovia PE-15.

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Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a suspeita é de que as vítimas tenham caído da motocicleta e, em seguida, foram atropeladas por um veículo que não foi identificado no local.
Indícios colhidos pela equipe da PRF apontam que se tratava de uma viagem por aplicativo. Além de suportes de celular instalados na moto e aparelhos caídos ao chão, um dos homens utilizava uma bolsa peitoral, acessório característico de condutores que operam para plataformas como Uber e 99 Moto.

CENÁRIO DE INSEGURANÇA E AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO

Gabriel Ferreira/JC Imagem

Circulação de motos nas rodovias, principalmente as federais (BRs), aumenta ainda mais o risco de quedas e colisões, que quase sempre resultam em mortes – Gabriel Ferreira/JC Imagem

GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM

Mais de 70% dos atendimentos do Samu no Grande Recife envolvem sinistros com motos após a explosão dos aplicativos como Uber e 99 Moto – GABRIEL FERREIRA/JC IMAGEM

As duas novas mortes ampliam a estatística de mortes violentas envolvendo o transporte remunerado de passageiros por motocicletas no Grande Recife. Recentemente, outras tragédias evidenciaram o perigo extremo desse serviço. Apenas quatro dias antes do ocorrido em Paulista, na tarde da sexta-feira (5), um outro motoqueiro de aplicativo de 40 anos perdeu a vida ao cair também na BR-101, no Km 58, na altura do bairro da Guabiraba, na Zona Norte do Recife.

Segundo informações da PRF, a inabilidade do condutor teria provocado o sinistro de trânsito. O motoqueiro perdeu o controle da moto quando tentava sair do acostamento para acessar a rodovia, após fazer um retorno proibido na via. De acordo com o relato da passageira que o acompanhava, o condutor perdeu o controle da direção, o que causou o tombamento do veículo. Com a queda, ambos foram ao chão, mas o homem acabou entrando na pista de rolamento e foi atropelado por um veículo que transitava pelo local no exato momento e cujo condutor sequer parou para prestar socorro.

Apesar da gravidade do ocorrido, a mulher que estava na garupa não sofreu ferimentos. As identidades dos envolvidos não foram informadas pelas autoridades.

CASOS E MAIS CASOS DE MORTES ENVOLVENDO MOTOAPPS NAS RODOVIAS


PRF

Motoqueiro e passageiro de motoapp morrem atropelados na BR-101 – PRF

A fragilidade das motocicletas, principalmente usadas no transporte de passageiros, fica ainda mais evidente nas rodovias, onde são muitas as ‘armadilhas’ perigosas para os veículos de duas rodas. No Grande Recife, por exemplo, são muitos os casos de óbitos de ocupantes de motoapps nas BRs 101 e 232, que cortam as cidades e viraram praticamente ‘avenidas’ de conexão na RMR.

Em abril, um condutor de moto por aplicativo morreu instantaneamente ao ser lançado de um viaduto de 11 metros de altura na BR-232, no Curado, após ser atingido na traseira por uma caminhonete. Naquela ocasião, o passageiro conseguiu sobreviver ao pular do veículo segundos antes do impacto.

Outro caso emblemático ocorreu na Avenida Boa Viagem, no Pina, onde uma passageira morreu ao ser arremessada contra um poste após uma colisão. O agravante desse episódio foi a descoberta de que o motociclista envolvido estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa, o que levanta questionamentos sobre os critérios de segurança das plataformas. Especialistas apontam que a ausência de regras rígidas por parte das gestões municipais, que são as responsáveis pela regulamentação segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), contribui para a continuidade dessa rotina de imperícia e imprudência.

POR QUE AS RODOVIAS SÃO TÃO LETAIS PARA AS MOTOCICLETAS

A vulnerabilidade de quem viaja sobre duas rodas é potencializada em vias de alta velocidade. De acordo com as informações técnicas, os principais riscos para motos em rodovias incluem:

Vulnerabilidade extrema: O corpo humano suporta impactos naturais de até 30 km/h; em rodovias, a velocidade média superior a 80 km/h torna quase qualquer sinistro de trânsito fatal.

Pontos cegos: Devido ao tamanho reduzido, as motos frequentemente ficam fora do campo de visão de motoristas de ônibus e caminhões, o que gera esmagamentos ou fechadas.

Abalroamento traseiro: Colisões na traseira são comuns quando a motocicleta entra na rodovia sem atingir uma velocidade compatível com o tráfego da via.

Fatores externos e instabilidade: Elementos como rajadas de vento, buracos ou desníveis no asfalto podem desestabilizar o veículo facilmente em altas velocidades.






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