Respeito aos mais velhos

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Respeito aos mais velhos



Data que vem da tradição católica, celebração anual do dia dos avós encontra cada vez mais idosos no Brasil e no mundo, à espera do apoio dos jovens

Por

JC


Publicado em 26/07/2026 às 0:00

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A evocação de São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus Cristo, segundo a Igreja Católica, estão na raiz da homenagem aos idosos em 26 de julho, a título de tributo simbólico pela transmissão longeva da fé e dos valores cristãos de uma geração para outra. A celebração faz cada vez mais sentido na transição demográfica por que passam o Brasil e outras partes do mundo, com taxa de fertilidade menor e maior fatia proporcional de idosos nas populações.
Além do caráter de prestação do respeito aos mais velhos, nem sempre observado pelos mais jovens nas últimas décadas, uma questão prática sobressai na reflexão provocada pela data que lança luz nas gerações mais maduras, cuja extensão em nossos dias se amplia, e pode variar dos 60 até acima dos 90 anos de idade. Trata-se da convivência geracional, numa civilização na qual a juventude vai envelhecendo sem ter a mesma quantidade de filhos que se tinha no século passado, e os idosos se mantêm ativos por mais tempo, contribuindo para o dinamismo da economia, mas também demandando cuidados que precisam da participação dos jovens – ou dos menos idosos, em diferenças etárias que não chegam a três décadas.
No âmbito familiar, a proximidade com o avô e a avó tornam os netos – e seus pais – sujeitos a envolvimentos benéficos para o amadurecimento mental e físico. A cognição e o comportamento social tendem a ser melhores em famílias onde os avós estão presentes e compartilham problemas e conquistas. No caso oposto, quando a referência dos idosos é perdida, há menos experiências partilhadas, com prejuízos na apreensão da realidade ao redor, pela falta de perspectivas diferentes que somente o tempo vivido é capaz de oferecer.
No prisma coletivo, a desvalorização dos idosos nas últimas décadas impôs perdas incalculáveis que afrontam o bom senso. Os mais velhos passaram a ser tratados, sobretudo pelas autoridades públicas, como estorvo, fardo, resto sobrevivente insignificante. O desrespeito nas filas da previdência e nos hospitais, no Brasil, é parte desse cenário degradante que diz muito de nossa sociedade – de nossa formação histórica e do futuro com que nos deparamos diariamente. Agora, graças ao envelhecimento demográfico em massa, da meia-idade esticada e do despovoamento da juventude, a reconexão entre as gerações mais novas e as mais velhas é necessidade urgente.
Nos últimos 30 anos, quase da virada do milênio para cá, o número de indivíduos acima de 60 anos duplicou no planeta, chegando a 1,2 bilhão, e pode ter quase 1 bilhão a mais em 2050, segundo estimativa das Nações Unidas. O choque geracional em curso, portanto, não é fácil de negar. Passou da hora de se aproveitar a força da sabedoria dos mais velhos, do potencial de aconselhamento tanto nos imbróglios da vida, quanto nos dilemas coletivos que clamam por olhares apurados com o distanciamento do tempo. Avós gostam de carinho, da lembrança dos filhos e netos – mas gostam, também, de serem tratados como devem, vendo seus direitos atendidos ao lado de uma realização plena.



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