Líder de gangue de Los Angeles planejou assassinato de Tupac, diz promotor

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Líder de gangue de Los Angeles planejou assassinato de Tupac, diz promotor


Um ex-líder de uma gangue de rua orquestrou, em 1996, o ataque a tiros contra o astro do hip-hop Tupac Shakur, disparando de dentro de um carro em Las Vegas, em retaliação pelo espancamento de seu sobrinho, disse um promotor aos jurados durante as alegações iniciais de um julgamento por homicídio relacionado a um crime que permaneceu sem solução por décadas e se tornou um momento marcante na história do rap.

Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, é acusado no Condado de Clark, em Nevada, de uma única imputação de homicídio com uso de arma letal. Ele se declarou inocente. Davis é acusado de liderar um grupo de homens para matar Shakur, de 25 anos, um dos artistas de rap mais influentes e bem-sucedidos comercialmente, em um ataque a tiros realizado de dentro de um carro nas proximidades da Las Vegas Strip.

“Vocês descobrirão que, quando surgiu a oportunidade de retaliação, Duane Davis se certificou de que os atiradores estivessem armados e prontos para executar o plano. E, surpreendentemente, vocês saberão disso pelo próprio Duane Davis”, disse o promotor Binu Palal aos jurados em um tribunal no centro de Las Vegas, referindo-se a declarações públicas recentes de Davis que reavivaram o caso há muito adormecido.

O advogado de defesa, Michael Sandt, afirmou que, após 30 anos, os investigadores ainda têm pouquíssimas provas para sustentar a acusação. Sandt também disse que Davis tinha o hábito de falar “besteira” e que os relatos apresentados por ele em entrevistas e em seu livro não podiam ser corroborados.

“Basta olhar para os fatos concretos. Que fatos vocês têm para sustentar qualquer coisa que Keffe D tenha dito em alguma de suas entrevistas ou no livro?”, disse Sandt ao júri.

O assassinato de Shakur reforçou a imagem de violência que permeava a cultura hip-hop e suas letras durante a era de ouro do rap “gangsta”, alimentando a rivalidade daquela época entre o rap da Costa Leste e o da Costa Oeste.

Após a prisão de Davis, em 2023, a polícia afirmou que ele era suspeito do assassinato havia muito tempo, mas que os investigadores não dispunham de provas admissíveis suficientes para acusá-lo até que ele começou a se incriminar em uma série de declarações públicas.

O julgamento, presidido pela juíza Carli Kierny, deve durar até seis semanas. O júri foi selecionado na semana passada. O julgamento poderá contar com o depoimento do cofundador da Death Row Records, Marion “Suge” Knight, ex-magnata do rap que estava com Shakur na noite em que ele foi morto e que atualmente cumpre uma pena de 28 anos de prisão por uma condenação não relacionada por homicídio culposo voluntário.

As autoridades descreveram Davis como o “mandante” de um plano elaborado às pressas para vingar o espancamento de seu sobrinho por Shakur e integrantes da comitiva do rapper dentro do cassino MGM Grand, em Las Vegas, na noite de 7 de setembro de 1996.

A violência no cassino teria se originado da hostilidade entre duas gangues de rua da região de Los Angeles —a South Side Compton Crips, da qual Davis se dizia líder, e a Mob Piru, que, segundo a polícia, era ligada a Knight e à Death Row Records. Eles estavam em Las Vegas para assistir a uma luta pelo título mundial dos pesos-pesados entre Mike Tyson e Bruce Seldon.

Davis teria obtido a arma do crime e a entregado a um dos dois homens no banco traseiro de um Cadillac branco, enquanto circulavam à procura do carro de Knight e Shakur após a briga.

Os disparos ocorreram quando Davis e os outros alcançaram o veículo de Knight e Shakur. Shakur foi atingido quatro vezes e morreu em um hospital seis dias depois. Knight, que dirigia o carro, sofreu um ferimento leve causado por um fragmento de bala que raspou sua cabeça.

A investigação do assassinato ficou estagnada durante anos, mas a polícia afirmou que declarações feitas por Davis em 2018 a diversos veículos de comunicação sobre seu envolvimento no ataque reavivaram o caso.

Davis afirmou em entrevistas e em seu livro de memórias de 2019, “Compton Street Legend”, que estava no banco dianteiro do passageiro do Cadillac e havia entregado a arma a um dos dois homens sentados atrás dele, segundo a polícia.

A polícia não informou quem atirou em Shakur. Os outros três homens que estavam no Cadillac com Davis já morreram.

Segundo a lei de Nevada, Davis pode ser acusado de homicídio se tiver participado do crime, mesmo sem ter puxado o gatilho.

Em seu livro, Davis escreveu que há muito era considerado suspeito dos assassinatos de Shakur e de um rapper rival, Christopher Wallace, que se apresentava como The Notorious B.I.G. pela gravadora Bad Boy Entertainment, sediada em Nova York, e foi morto a tiros em Los Angeles em março de 1997.

Embora o assassinato de Wallace continue sem solução, os investigadores há muito especulam que ele tenha sido morto em retaliação pelo assassinato de Shakur, ocorrido meses antes.



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