Após maratona de inaugurações Raquel enfrenta o mais difícil: a montagem de sua chapa
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“Toda ausência é atrevida” – ensina o ditado popular quando alguém não é citado ou esquecido por não se encontrar a olhos vistos. Não se pode culpar a governadora Raquel Lyra ou afirmar, de forma deliberada, que ela deixou de se referir ao deputado Eduardo da Fonte em agendas na Mata Norte esta semana às vésperas da definição dos candidatos ao Senado em sua chapa e na mesma semana em que ele foi escolhido pela executiva estadual da Federação União Progressista como o nome do PP e União Brasil para a disputa senatorial, derrotando o outro pretendente: o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.
Na verdade, e este pode ser um sintoma do “esquecimento”, Eduardo da Fonte é o único dos pretendentes que não compareceu a inaugurações e eventos nesta reta final da pré-campanha. Embora seja o único já escolhido pela Federação que representa, o deputado, por estratégia ou falta de ambiente – enfrentou embates com alguns integrantes do alto escalão do Palácio do Campo das Princesas – vem se esquivando, com raras exceções, a acompanhar os outros três pré-candidatos, o senador Fernando Dueire, o deputado federal Túlio Gadelha e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que até esta sexta-feira acompanharam a verdadeira maratona de inaugurações que a governadora realizou para dar cabo das entregas que precisava fazer antes de estar impedida pela legislação eleitoral.
Elogios a Dueire, Túlio e Miguel
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A esse esforço, Raquel respondeu sempre com elogios como fez na Mata Norte esta semana quando, pegando no braço de cada um, chamou Fernando Dueire de “meu senador” acrescentando que ele nunca lhe faltou no apoio em Brasília ao Governo do Estado e aos Municípios, ressaltou o trabalho de Túlio Gadelha como deputado federal e o citou como “uma ponte” com o Governo Lula e elogiou Miguel Coelho “pela capacidade de trabalho e de entrega”.
Esta citação a Dueire, Túlio e Miguel é sinal de preferência? Pode até ser mas até agora ninguém, nem mesmo seus assessores mais próximos, consegue adivinhar o que está passando pela cabeça de Raquel neste momento de definições. Um deputado estadual governista muito próximo do Palácio disse a este blog, pedindo off, que “Raquel é uma política diferente. Ela demora a tomar decisões, guarda para si o que pretende fazer até o último minuto e quando o jogo está perto de terminar faz um gol deixando os adversários a ver navios. Qualquer outro político que fizesse isso poderia se dar mal, mas ela tem se dado bem”.
Estilo diferente de fazer política
Este mesmo deputado explicou com um exemplo recente: “ João Campos preencheu às pressas as vagas em sua chapa e acabou esquerdizando demais o seu palanque ao ponto de ter afastado dele eleitores de centro e de direita que inclusive votaram nele em 2024. Agora, além de estar enfrentando uma governadora aprovada, pode ter sua votação restrita a eleitores de esquerda que, sozinhos, não garantem eleição. Já Raquel está, devagarinho, montando um palanque amplo que inclui direita, centro e a esquerda lulista que já votou nela em 2022”.
É nesse sentido que ganha maior realce a definição da chapa da governadora. Colocando na balança das possibilidades cada um dos quatro pretendentes ao Senado responde, a seu modo, às expectativas de Raquel do ponto de vista eleitoral. Eduardo da Fonte e Miguel Coelho representam uma Federação que tem 106 deputados federais e mais de 20% do tempo de Televisão disponível este ano, Fernando Dueire, além de já ser senador e ter direito à reeleição, está com o apoio de mais 100 prefeitos, cacife que nenhum outro consegue bater e Túlio Gadelha é a representação dos votos lulistas no palanque da governadora, como ela própria tem ressaltado.
Duas vagas para a Federação?
Em função do tempo de Televisão se chegou a cogitar, o próprio Miguel Coelho falou nisso, de Raquel entregar as duas vagas à federação União Progressista. Uma fonte próxima ao Palácio garantiu a este blog que isso é praticamente impossível. Este é, sem dúvida, o maior embate que está para acontecer. Eduardo da Fonte foi escolhido pela Federação mas Miguel se recusa a aceitar o resultado tendo apelado para a direção nacional e recebido aval do presidente Antonio Rueda para seguir lutando pelo lugar. Não se afasta a possibilidade da disputa entre os dois permanecer e a governadora optar por um tertius na figura de Fernando Dueire, que é do seu partido.
A disputa no geral tem criado situações embaraçosas. Em um evento no município de Ferreiros esta semana na presença da governadora, o deputado federal Lula da Fonte terminou seu pronunciamento mandando um abraço do deputado federal Eduardo da Fonte que citou como “futuro senador de Pernambuco “ justificando a ausência do pai por outros compromissos assumidos. No mesmo local, antes de Lula da Fonte, o ex-prefeito Miguel Coelho se intitulou candidato ao Senado, mesmo a sua Federação tendo escolhido Eduardo da Fonte.
Quem tem enfrentado mais dificuldades para atender a todos é Túlio Gadelha. Nos eventos – está sempre presente – ele busca elogiar os demais concorrentes e por conta disso tem ouvido cobranças. Chamou Miguel de “senador” em Paudalho e Eduardo da Fonte fez chegar a ele seu desagrado. Esta semana elogiou Eduardo e não deve ter agradado Miguel. Esta semana na Mata Norte ele elogiou Fernando Dueire e acrescentou: “ vamos estar juntos na disputa pelo Senado”.
Entre o nacional e o local
A cientista política Priscila Lapa afirma que a montagem da chapa da governadora “passa por dois olhares. Um direcionado diretamente ao eleitor, tentando fazer essa conexão com o contexto nacional e a polarização lulismo x bolsonaismo. E o outro durecionado para a organização das alianças para vencer a disputa. Nem sempre esses dois olhares são perfeitamente compatíveis”.
Segundo ela, “na formação das alianças locais ela precisa considerar as variáveis políticas clássicas como: tempo de televisão, agregação de lideranças locais, recursos do fundo eleitoral, capilaridade do palanque e, do ponto de vista do eleitor, ela precisa considerar as motivações do voto. Pelo visto, até este momento ela não conseguiu ainda contabilizar melhor o arranjo possível para contemplar essas duas questões”.
E adianta: “hoje a formação de uma palanque competitivo passa por não melindrar forças políticas importantes no Estado e, ao mesmo tempo, não adentrar em questões partidárias como acontece com a disputa interna dentro da União Progressista. Sabendo que em alguma medida haverá perdas, a mesma vem apontando na formação de um consenso assim como ela fez em 2022 . Isso acontecendo haverá uma cobrança ainda maior pós eleição, caso ela vença, para a ocupação de espaços dentro do governo. Por outro lado, ela tem o conforto de ser um palanque atrativo para qualquer sentido que ela direcione”.














