O Brasil encontra-se em uma encruzilhada estrutural. Não há mágica contábil que sustente uma dívida crescendo a essa velocidade
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A sustentabilidade das contas públicas brasileiras voltou a ocupar o centro das preocupações do mercado financeiro e do setor produtivo. A divulgação de que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) — o principal termômetro da saúde fiscal do país — atingiu o preocupante patamar de 81,1% do PIB em maio expõe a fragilidade das contas públicas. Mais do que o número isolado, o que acende o sinal de alerta é a velocidade e a forte inclinação dessa curva de endividamento.
Para compreender a gravidade da situação, é preciso olhar para a dinâmica recente. Desde o início da atual administração, a dívida pública brasileira deu um salto impressionante de 9,4 pontos percentuais. Mas o que esse percentual estatístico significa no mundo real, quando o traduzimos para valores monetários?
Considerando que o PIB brasileiro acumulado em 12 meses orbita a casa dos R$ 11,5 trilhões, um avanço de 9,4 pontos percentuais representa um acréscimo de aproximadamente R$ 1,08 trilhão ao endividamento do Estado. É como se, em um curtíssimo espaço de tempo, 3 anos e meio, o país tivesse contraído uma nova dívida de mais de um trilhão de reais apenas para manter a engrenagem da máquina pública rodando, sem que essa montanha de recursos tenha se traduzido em ganhos proporcionais de infraestrutura, inovação, produtividade ou melhoria estrutural para a base da pirâmide social.












