De tenista de elite a mestre da gestão: José Salibi Neto decifra os desafios da liderança atual

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De tenista de elite a mestre da gestão: José Salibi Neto decifra os desafios da liderança atual


Uma das maiores referências em gestão corporativa do País, Salibi estará em Pernambuco em setembro para dois seminários de gestão do IEL

Por

Rafael Carvalheira


Publicado em 02/09/2026 às 12:24
| Atualizado em 02/09/2026 às 13:08


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A trajetória de José Salibi Neto é uma das mais singulares do ambiente de negócios brasileiro. Ex-tenista profissional de alto rendimento, ele transformou a disciplina e a leitura estratégica das quadras em um motor para revolucionar a educação executiva no país.

Co-fundador da HSM — ecossistema que conectou os maiores pensadores do mundo, como Peter Drucker, ao empresariado nacional —, Salibi tornou-se um dos autores de gestão mais lidos do Brasil, com mais de 2 milhões de cópias vendidas ao lado de seu parceiro intelectual, Sandro Magaldi.

Agora, em setembro de 2026, Salibi desembarca em Pernambuco para duas edições históricas do Seminário de Gestão do IEL, nas cidades de Recife e Caruaru. Ele dividirá os palcos com o lendário consultor indiano Ram Charan, seu parceiro na formulação de estratégias para tempos de volatilidade.

Nesta entrevista exclusiva, Salibi reflete sobre a pujança corporativa do Nordeste, o papel da liderança ética e como a ascensão da Inteligência Artificial exige que as empresas troquem a busca obsessiva por respostas automáticas pela arte de formular perguntas transformadoras.

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ECOSSISTEMA CORPORATIVO DO NORDESTE E A FOME DE CONHECIMENTO

Estou muito feliz de retornar a Recife e de visitar Caruaru pela primeira vez. Meu objetivo é trazer o que há de mais moderno no pensamento gerencial, especialmente neste momento em que somos todos dirigidos pela tecnologia e pela Inteligência Artificial.

Eu vejo de forma extremamente positiva tudo o que tem acontecido no ecossistema de negócios do Nordeste. Tenho recebido inúmeros convites de estados como Ceará, Paraíba, Bahia e Pernambuco. O que mais me chama a atenção na região é uma fome muito grande de conhecimento, tanto por parte das pessoas quanto das empresas.

Essa vontade genuína de aprender é o fator mais importante, pois é ela que vai elevar as organizações nordestinas a um novo patamar de performance.”

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E A ARTE DE PERGUNTAR

“Nós vivemos hoje em um mundo dominado pelas respostas. Essa é uma percepção que carrego há décadas, tendo trabalhado por mais de 40 anos próximo a gigantes como Peter Drucker e Jim Collins, cujos trabalhos sempre tiveram as perguntas como ponto central do trabalho deles.

Foi essa inquietação que me levou a escrever, junto com Sandro Magaldi, o livro A Arte de Fazer Perguntas Transformadoras. Logo após o lançamento, testemunhamos a explosão da Inteligência Artificial generativa, que tornou as respostas precisas uma commodity barata e acessível a qualquer um.

Se dois concorrentes fizerem a mesma pergunta para a IA, eles obterão exatamente a mesma resposta. Quem vai vencer esse jogo? Aquele que tiver a capacidade de formular a melhor pergunta.

Existem técnicas e visões de negócios específicas para desenvolver essa habilidade. Inclusive, deixo um conselho que serve tanto para o ambiente corporativo quanto familiar: não digam aos seus filhos apenas para tirar boas notas na escola, mas sim para que façam boas perguntas.”


Divulgação

José Salibi Neto – Divulgação

A FILOSOFIA DOS DOIS MOTORES NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

“O modelo mental de “Motor 1” (focado na eficiência da operação atual) e “Motor 2” (focado na inovação e no futuro do negócio), detalhado no livro A Estratégia do Motor 2, é perfeitamente aplicável a qualquer tipo de empresa, independentemente do porte ou da quantidade de recursos. Essa transição é muito mais uma postura mental do que uma questão financeira.

Quando fundei a HSM, em 1986, começamos com investimento zero. Viabilizávamos a operação por meio de patrocinadores e venda de ingressos projeto a projeto. Durante os primeiros anos, éramos uma estrutura pequena. A minha equação para fazer a empresa crescer era simples: eu dedicava 80% do meu tempo para operar o Motor 1 e 20% para desbravar o Motor 2.

Passava de dois a três meses por ano viajando pelo exterior de forma muito econômica para buscar a vanguarda do pensamento gerencial. Com o tempo, essa inovação trouxe tração e apoio. Portanto, qualquer micro, pequena ou média empresa pode — e deve — se estruturar a partir dessa mentalidade.”

EQUILÍBRIO ENTRE PRESENTE E FUTURO: A JORNADA DO CLIENTE

“Os líderes precisam aprender a habitar simultaneamente dois ambientes distintos. No presente, é preciso pagar contas, contratar talentos, resolver problemas cotidianos e garantir a sobrevivência operacional. No entanto, se o gestor não mantiver um pensamento voltado para o amanhã de forma paralela, a empresa simplesmente morrerá no presente.

Na HSM, eu exerci o papel de Motor 2 por muitos anos, buscando tendências fora do país, enquanto meus sócios garantiam o funcionamento impecável do Motor 1 no dia a dia. Para equilibrar essa fricção e evitar rupturas, a grande bússola deve ser o conceito de Jobs to Be Done (o trabalho a ser feito).

Esse princípio, que foi criado por Peter Drucker e refinado por Clayton Christensen, nos mostra que o que determina a decisão de compra de um cliente não é o produto que você quer construir para ele, mas sim o ‘trabalho’ que o cliente precisa que seja resolvido em sua própria vida. O sucesso de uma empresa acontece quando ela compreende a jornada real do seu cliente e o ajuda a progredir.”

NEUTRALIZAÇÃO DA LIDERANÇA TÓXICA NAS ORGANIZAÇÕES

“A presença de líderes tóxicos no ambiente de trabalho é um problema crônico e que ocorre com muito mais frequência do que gostaríamos de admitir. Mesmo com toda a minha bagagem profissional, passei por essa situação duas vezes na carreira por conta de escolhas equivocadas. O erro clássico é se deixar impressionar excessivamente por um currículo brilhante no papel e realizar pouca pesquisa sobre a personalidade e a conduta ética do indivíduo.

Gosto muito de uma premissa adotada por Elon Musk: o primeiro critério a ser avaliado em qualquer colaborador é se ele é, genuinamente, uma boa pessoa. Na nossa fome por crescimento e resultados rápidos, muitas vezes fechamos os olhos para os desvios de caráter e acabamos trazendo para dentro de casa lideranças que geram estresse severo e adoecimento emocional na equipe.

Meu conselho para quem contrata é: antes de fechar com alguém para uma posição de liderança, investigue o histórico e converse com outras pessoas sobre quem aquele profissional realmente é. E, se você já tem uma pessoa com perfil tóxico na sua empresa, o caminho é um só: afaste-a o mais rápido possível. Não demore.”

Serviço:

Recife — XI Seminário de Gestão

  • Data: 15 de setembro de 2026
  • Horário: 18h às 21h30
  • Local: Teatro Guararapes (Centro de Convenções de Pernambuco, Olinda)

Caruaru — IV Seminário de Gestão do Agreste

  • Data: 16 de setembro de 2026
  • Horário: 18h às 21h30
  • Local: Centro de Convenções do Senac Caruaru






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