Crítica: Majórica, no Rio, não precisa de marketing para fazer sucesso

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Crítica: Majórica, no Rio, não precisa de marketing para fazer sucesso


Crítica | RJ
Majórica

Cinco estrelas (Ótimo)
R. Sen. Vergueiro, 15, Flamengo, região sul, Rio de Janeiro. @majoricario

Com 65 anos de ótimos serviços prestados à gastronomia carioca, a churrascaria Majórica exibe em sua fachada uma placa de patrimônio cultural da cidade, mas não costuma aparecer em rankings e premiações que condecoram os melhores restaurantes do Rio. Uma baita injustiça.

Isso talvez ocorra porque a casa, fundada por espanhóis de Maiorca (daí seu nome), não investe em marketing. Zero divulgação. Não tem assessoria de imprensa, não contrata influencers e suas redes sociais são pouco movimentadas (até a semana passada, o último post no Instagram datava de 2025).



Picanha especial da Majórica


Reprodução/Instagram

No caso da churrascaria, a fama se fez com divulgação espontânea baseada no que ela entrega: carnes na brasa à perfeição, acompanhamentos clássicos em porções fartas, fartíssimas, e sobremesas caprichadas.

Old school toda vida, a Majórica tem seu nome na entrada escrito em letra cursiva, decoração com motivos da Espanha e quadros antiguinhos (alguns tortos, mas só virginianos e alguém com TOC como eu repara nisso) e teto de madeira. E, importantíssimo, uma imensa churrasqueira a carvão, além de peças de carne e postas de bacalhau expostas no balcão, à escolha do comensal.

Dei uma conferida e pedi o triângulo de ponta de picanha angus (R$ 218). Poucos minutos depois vieram 500 gramas de uma carne braseada no sal grosso, que foi finamente fatiada à mesa. Sobre ela espalhei colheradas de um molho de salsinha na manteiga derretida que sempre me deixou muito satisfeita.

O molho saiu do cardápio, mas é gentilmente feito na hora a quem o solicitar, sem cobrança extra. Importante frisar que não se trata da manteiga de ervas que estamos acostumados a ver em alguns restaurantes, e sim de uma tigelinha com a manteiga derretida, fumegante e muita salsinha tostada.

Simples, saborosa e uma opção que deve ser levada fortemente em consideração como alternativa ao vinagrete (molho à campanha), também à disposição.

Acompanhamento-fetiche da Majórica, a batata pastel (R$ 41) de nome autoexplicativo nada mais é do que uma batata cortada à portuguesa, frita e “recheada” com ar. Eis a crocância e a maciez na mesma proporção, um verdadeiro tapa com luva de pelica nos restaurantes que insistem em servir a insípida e irritante batata congelada. As prussianas também são muito boas.



Batata pastel (R$ 41), batata cortada à portuguesa, frita e recheada com ar


Cleo Guimarães/Folhapress

A verdade é que tudo é muito bom na Majórica. Da linguiça (R$ 12 cada), torradinha em alguns pontos por fora e úmida por dentro (pau a pau com a do Braseiro da Gávea), ao galeto inteiro, espalmado e bem temperado (R$ 51), a sensação é a de que estamos diante de pratos feitos por quem realmente entende do assunto. Não há espaço para amadores na cozinha e no salão.

O arroz de brócolis (R$ 45), uma obsessão do carioca, vem em quantidade impressionante, com folhas, talos e alho bem incorporados aos grãos. Dos melhores que há, e olha que nem sou fã. O arroz maluco (biro-biro) da mesa ao lado também parecia incrível e, na minha memória de frequentadora há alguns anos, ele fazia jus ao que prometia.

Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulista

Chega o momento da sobremesa. Os clássicos, sempre eles, estão todos lá. Pudim de leite (R$ 15), goiabada com queijo (R$ 29), musse de chocolate (R$ 29), crema catalana (R$ 29) e banana frita com açúcar e canela (R$ 32) disputam a preferência com dois best-sellers: os profiteroles (R$ 48) e o creme de papaia com cassis (R$ 48).

Esse último me pega sempre, e encontrar um que seja homogêneo em sua cremosidade e com licor de qualidade (o francês Gabriel Boudier) é coisa rara. O da Majórica é assim.

Bem batido, sem a incômoda presença de um pedaço de mamão que não tenha se desfeito, nenhum cristal de gelo ou patacadas de sorvete.

Foi um final feliz em um restaurante agradável e hypado por méritos próprios desde os anos 1960 e que ressurgiu, literalmente, das cinzas após um incêndio que destruiu boa parte de suas instalações no início de 2012.





Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *