‘Há muita coisa em jogo para a infância hoje’, diz produtora de ‘Toy Story 5’

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‘Há muita coisa em jogo para a infância hoje’, diz produtora de ‘Toy Story 5’


Em “Toy Story 5“, novo filme da franquia que completou 30 anos, os brinquedos falantes precisam enfrentar uma nova ameaça. É que as crianças do bairro, incluindo a dona dos bonecos, Bonnie, estão parando de brincar para passar o dia interagindo com telas de tablets e celulares. O longa entrou em cartaz nos cinemas nesta quarta-feira (17).

“Há muita coisa em jogo para a infância hoje”, diz, em entrevista, Lindsey Collins, vice-presidente de desenvolvimento da Pixar e produtora de “Toy Story 5”. “É a primeira vez que os brinquedos estão mais preocupados com a sua criança do que com eles próprios.”

Collins tem acompanhado de perto os gostos da criançada desde que entrou no estúdio americano de animação, em 1997. Lá, trabalhou em filmes como “Vida de Inseto”, “Toy Story 2”, “Procurando Nemo”, “Ratatouille” e “Wall-E“, vencedor do Oscar.

O longa reflete um problema real. Pesquisas do Pew Research Center e da Organização Mundial da Saúde, a OMS, e livros como “A Geração Ansiosa“, do psicólogo Jonathan Haidt, mostram que as redes sociais têm um impacto negativo crescente sobre a saúde mental de jovens, que sentem mais solidão, apesar de hiperconectados. Nesse cenário, o uso progressivo e prolongado de telas por crianças e adolescentes vem alarmando especialistas da infância.

Andy, a primeira criança de Woody e sua turma, não precisava dividir a atenção entre tablets, redes sociais ou plataformas de streaming. Quando “Toy Story” chegou aos cinemas, a internet ainda engatinhava, e os brinquedos físicos reinavam no quarto das crianças, em uma disputa menos ferrenha com a televisão e os primeiros videogames. Mas hoje a competição com a tecnologia é impossível, lamenta o próprio Woody, coadjuvante neste quinto capítulo, porque ela serve para tudo ao mesmo tempo.

“Quando eu estava crescendo, era muito mais simples. Eles [os brinquedos] estão sentindo essa nostalgia em tempo real de como eram os filmes anteriores”, diz McKenna Harris, codiretora de “Toy Story 5” ao lado do veterano Andrew Stanton. “À medida que cada ‘Toy Story’ foi lançado pela Pixar, acompanharam o crescimento e as mudanças dentro da empresa, além de refletir as mudanças do mundo.”

Curiosamente, o filme que apresentou o xerife de pano há 30 anos foi revolucionário por ser o primeiro longa de animação 3D por computador. Ali começou uma nova era tecnológica para as narrativas infantis, encabeçada pela Pixar, que evoluiu de estúdio independente para um lucrativo braço da Disney —que, agora, tem em “Toy Story” uma de suas franquias mais rentáveis.



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