Declarações fortes do ministro André Mendonça, do STF, pavimentam caminho de apuração rigorosa e necessária de crimes contra a República
JC
Publicado em 19/06/2026 às 0:00
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Depois de aparecer como a maior fraude bancária da história brasileira, envolvendo entidades financeiras públicas e privadas, além de suspeitos em elevadas esferas de poder num assalto estimado em dezenas de bilhões de reais, o caso do banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, mostra tamanha e diversificada ramificação que tem assustado a mais alta corte de Justiça do país. Pelo que sinaliza o relator do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, as implicações chegam a uma escala jamais vista, que diferenciam o caso de qualquer outro episódio nos últimos anos, como a Operação Lava Jato. Trata-se de um esquema articulado com possíveis contornos de crime organizado, com a participação ativa de figuras expoentes da República – e por isso mesmo, pela sobrevivência das instituições e o necessário amadurecimento da democracia que foi e segue sendo corroída enquanto não houver o devido esclarecimento dos fatos.
As palavras de Mendonça são duras e contundentes, como de quem não pretende esconder a gravidade das informações em apuração. “Há contornos de máfia. Há contornos de crime organizado. De fuzis, de metralhadoras, de armas raspadas, de infiltração do sistema policial”, afirmou na última terça. “Não é simplesmente um crime do colarinho branco. É mais do que isso. Não são simplesmente atores no gabinete, na Faria Lima, nos palácios, que praticaram fraudes e crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro, de prejuízos ao sistema financeiro nacional. E de lapidação de um fundo garantidor das poupanças do nosso país”.
Ao isolar o caso Master das semelhanças com investigações anteriores, o relator no Supremo confere peso ao que precisa vir a público, em nome do interesse coletivo e em defesa das estruturas que ainda sustentam a base institucional, apesar dos ataques sistemáticos desferidos por indivíduos instalados nos próprios mecanismos que visam destruir. A presença cada vez mais incômoda de membros do Congresso no rol de investigados, pode ser apenas a ponta do iceberg de um processo de depuração que não deve ser postergado.
Em entrevista ao UOL, o jurista Márlon Reis chegou a uma síntese coerente com as formulações de Mendonça. Ao definir o Master como um banco público disfarçado de privado, a partir do qual não existiu transação republicana, o jurista contribui para que os cidadãos tenham uma dimensão mais aproximada de um caso ímpar de crimes contra a República. Importante lembrar, como fez Reis, que o Código Penal não tem partido político – o que também é realçar que nenhum partido político, ou qualquer de seus integrantes, bem como membros de altos escalões dos Três Poderes, seja qual for o nível, está imune para se tornar impune.
Com delação ou sem delação, o rigor da lei há de servir ao Brasil para resgatar o respeito à Constituição, e acima de tudo, à população vilipendiada e assaltada por bandidos que não merecem panos quentes, e muito menos, argumentos atenuantes tecidos em comparações descabidas que apenas confundem a opinião pública. O caso Master requer esclarecimentos, e não, mais obstáculos ao que precisa ser conhecido.













