Trump acreditou que Lula iria abrir como os demais países. Mas Lula percebeu que a briga seria boa eleitoralmente e vai pregar a culpa nos Bolsonaro.
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A decisão do governo americano de impor uma tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros como resultado de uma investigação de um ano conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) deve ser entendida como decorrência de uma estratégia política de Donald Trump de negociar com seus parceiros sempre impondo o seu ponto de vista.
Resumindo: Donald Trump não negocia, ele impõe seu objetivo. Claro que no caso da China isso não foi possível porque com Xi Jinping não se briga. Basta ver como a China agiu quando Trump explodiu as tarifas, bancando a aposta até que Trump piscou.
Mas com os demais países a política de Trump não é negociar, é impor seus objetivos. Valeu para seus parceiros na Ásia, com a União Europeia e para seus vizinhos com o Canadá e México.
A diferença é que Trump faz isso espalhando brasa, até quando está em guerra com um país como no caso do Irã. E basta ver como ele colocou os amigos no Departamento de Estado substituindo os diplomatas profissionais.
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Dito isto, é possível entender como o USTR tratou o Brasil na questão 301. O objetivo era impor a visão americana assim como aconteceu com dezenas de países.
Talvez a avaliação tenha se mostrado equivocada porque o Brasil decidiu não aceitar o discurso. Até porque, quando a ação foi proposta, não havia conversa, já que Trump estava acusando Lula de Jair Bolsonaro.
E depois quando finalmente as conversas começaram ficou claro que os americanos chegaram na mesa com um pacote pronto. O que explica a forma como o governo Lula está respondendo ao documento do USTS.
De certa forma, pode-se dizer que os americanos se surpreenderam com o discurso do Brasil talvez pensando que o Brasil temia o tarifaço. Veio àquelas conversas de Lula com Trump de quimica e tudo mais, mas em nenhum momento os americanos abriram mão de suas metas.

Executivo afirmou que “iniciará imediatamente trâmites para acionar instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade” – Ricardo Stucker
Então, quando se ler o texto de 138 páginas que, na tradução livre, pode ser lido como “Aviso de Ação: Atos, Políticas e Práticas do Brasil Relacionados ao Comércio Digital e Serviços de Pagamento Eletrônico; Tarifas Injustas e Preferenciais; Anticorrupção Fiscalização; Proteção da Propriedade Intelectual; Acesso ao Mercado de Etanol; e Ilegalidade no Desmatamento”, fica claro que, efetivamente, não haveria negociação como a diplomacia internacional entende. Era aceitar ou taxar.
E taxou mesmo. Porque a decisão já estava tomada. Quem poderia abrir mão de tudo seria o Brasil. E como o Brasil de Lula deixou claro que não iria conversar sobre temas como PIX, mercado de etanol e legislação de plataformas, a coisa não evoluiu.
E não tinha como evoluir. A despeito das informações que 74 instituições enviaram ao USTR, muitas delas acreditando que os técnicos estariam sensíveis aos argumentos.
Eles não estavam porque não tinham autoridade para isso. No máximo, ele corrigiu alguns equívocos em alguns produtos da lista de exceção sempre à luz dos interesses dos importadores americanos.
Então, se todo mundo no Itamaraty sabia disso, por que o Brasil manteve as negociações? Por que precisa manter a conversa ainda que todos na sala saibam que não se vai avançar? E assim a conversa prosseguiu.
Certo, mas é onde entra a política nisso? Em todo o processo. Trump viu que o Brasil não iria capitular. Até pelo perfil de Lula que logo percebeu que não dava para falar de PIX, desmatamento, propriedade intelectual e corrupção numa conversa sobre tarifas.
Mas Lula percebeu que Trump estava lhe dando uma chance de aproveitar isso na campanha eleitoral e decidiu se aproveitar. Ele está se enrolando com a bandeira nacional, defendendo a soberania e jogando a culpa nos Bolsonaro. No fundo, o novo documento do USTR é um presente para Lula e Trump sabe disso.

Estudo comprovou a viabilidade técnica para a mistura de 30% de etanol anidro na gasolina – Divulgação
Então, a partir daí, as declarações de Marco Rubio e de Lula são previsíveis e esperadas. Ruim foi para Flávio Bolsonaro e para os demais candidatos que não vão ser ouvidos nem cheirados.
E o que acontece agora? Bom, vai ser preciso esperar o efeito na prática, ver as empresas que vão perder e, como já foi anunciado, chamar o BNDES para ajudar. E continuar a conversa.
Mas também não se pode ler o quadro geral e ficar com esse discurso de que exportamos apenas 12%. Não temos condições de nos dar esse luxo. Vender para os Estados Unidos é muito bom. E temos milhares de empresas que se especializaram nos Estados Unidos.
E precisamos continuar tentando vender para eles. Nossa corrente de comércio de US$ 80 bilhões sempre foi muito grande e diversificada e vai continuar mesmo com a taxação.
Sabendo que Trump sempre blefa. É da sua natureza não respeitar ninguém. Até porque ele não respeita ninguém.












