Às vésperas das novas tarifas, governo brasileiro recebeu dos EUA demandas consideradas negociáveis e inegociáveis durante reuniões bilaterais
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Ao longo das reuniões com os Estados Unidos, realizadas às vésperas da imposição de novas tarifas a produtos brasileiros, o governo brasileiro recebeu de autoridades americanas pleitos classificados como negociáveis e inegociáveis
“Nos afastamos, óbvia e evidentemente, de qualquer pretensão que pudesse expor ou a violação daquilo que é interesse nacional e soberania nacional – como é o caso do Pix -, ou aquilo que poderia representar um grande dano, prejuízo para o setor industrial brasileiro”, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, em coletiva de imprensa realizada nessa quinta-feira, 16.
“Os Estados Unidos da América – e eu chamo atenção, porque tem algumas pessoas defendendo a posição deles – pretendiam nada mais, nada menos do que a abertura de todo o mercado do setor químico, a redução a zero das tarifas dos bens industriais, o acesso ao mercado do setor automotivo norte-americano, e dentre outros setores”, afirmou.
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Já nesta sexta-feira, questionado sobre um suposto protecionismo do setor automotivo brasileiro, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil cumpre rigorosamente as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
“Para você importar um veículo, é 35% o imposto de importação. A Europa está aumentando agora para 45% o imposto de importação. Então, nós sempre cumprimos as regras da OMC. E os automóveis estão fora disso”, argumentou o vice-presidente.
Segundo Elias, nessas discussões de alto nível com o governo norte-americano, o governo brasileiro deixou claro que “jamais celebrará” qualquer tipo de acordo que represente violação dos interesses do País e do setor produtivo nacional.
Outro tema que veio à tona durante uma das rodadas de negociações realizadas na tentativa de evitar a aplicação da sobretarifa sobre os produtos brasileiros foi o dos minerais críticos. O ministro da Indústria disse que os EUA pediram que o Brasil limitasse o investimento interno em projetos e empresas de extração de minerais críticos.
“O que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que limitassem investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com outros países, como, por exemplo, com o Reino Unido e com a Austrália. Os Estados Unidos fecharam acordos nesse sentido, com esse enunciado e isso chegou a nos ser apresentado formalmente”, disse. “Obviamente, não aceitamos e não aceitaremos”, prosseguiu, dizendo que minerais críticos e terras raras são estratégicos e pertencem ao Brasil.
O titular do MDIC ainda argumentou que as negociações que ocorreram ao longo das últimas semanas com o embaixador Jamieson Greer foram consideradas “cordatas” pelo próprio representante do USTR (o Escritório do Representante Comercial americano), ainda que sem sucesso. E disse que há necessidade de uniformização do discurso por parte dos EUA.
“Enquanto um fala que falta boa fé, o outro reconheceu a atuação construtiva. Porque eles não estão combinando o discurso, eles estão falando coisas díspares entre eles”, criticou o ministro brasileiro.
Em publicação no X na madrugada de quinta-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo brasileiro não negociaram “de boa fé” e, por isso, houve a confirmação da tarifa de importação de 25% sobre produtos nacionais. Rubio disse ainda que as políticas econômicas de Lula são ruins para os americanos e para os brasileiros.












