Colapso no trilho da omissão

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Colapso no trilho da omissão



Ampliação e agravamento dos problemas com os trens assustam os usuários e elevam o tom de alerta: o que falta ocorrer para o colapso se impor?

Por

JC


Publicado em 16/06/2026 às 0:00

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Em discurso no Senado mais de 20 anos atrás, em 2005, Marco Maciel afirmou, sobre o Metrô do Recife: “O metrô é um transporte de massa de excelente qualidade e tem como característica transportar pessoas que não dispõem de transporte individual, como o automóvel, por exemplo. Portanto, é um transporte que atende à população de baixa renda, que mais sofre nos seus deslocamentos para o trabalho e que, consequentemente, fica duramente penalizada com esse retardamento”, alertava, diante dos baixos valores repassados pelo governo federal de então, na primeira gestão de Lula.
No pronunciamento, o então senador recordou que o metrô de superfície para a capital pernambucana e cidades do entorno, da Região Metropolitana, teve suas obras iniciadas em 1983, e as operações, dois anos depois. Começava ali a materialização do sonho de um transporte coletivo seguro, rápido e confortável, a exemplo de outros polos urbanos no Brasil e no exterior. E se sabia, desde então, que o destino desse tipo de transporte é a contínua expansão, até o atendimento pleno de seus caminhos potenciais, como demonstra hoje, no país, o metrô de São Paulo, que não cessa de inaugurar linhas, mesmo em uma megalópole apinhada de prédios e vias repletas de automóveis.
Em 1998 a expansão do Metrô do Recife foi reconhecida como necessária. Após as novas linhas e acréscimos estruturais, o atendimento à demanda saltou de 160 mil para 400 mil passageiros por dia. Hoje, com o sucateamento que vem desde a redução dos investimentos no primeiro governo Lula, o sucateamento do metrô pernambucano faz com que apenas metade desse contingente possa ser transportado – e com enormes dificuldades e riscos, evidenciados por falhas que se repetem e vão se tornando mais graves, apesar do encolhimento das operações semanais há mais de um ano.
Com dois descarrilamentos e a morte de um metroviário por choque elétrico em poucos dias, a população se pergunta o que falta acontecer para que o sistema entre em colapso e seja paralisado de forma prolongada, para evitar eventos piores. O processo em direção à concessão do serviço já se encontra em andamento, mas vem se arrastando há muitos anos, como se não fosse do interesse público a melhoria de um transporte coletivo abandonado. E há mais de uma década, os recursos repassados pelo governo federal não bastam sequer para o custeio, comprometendo as manutenções e deixando qualquer plano de expansão virar pura utopia.
A persistência política que garantia fluxos de investimentos, no passado, foi substituída por uma omissão difusa, segundo a qual o Metrô do Recife não é responsabilidade de nenhuma esfera de poder. Enquanto isso, a população pernambucana correu para uma opção que enche as emergências dos hospitais: as motos de aplicativos, estimuladas abertamente pelo governo federal, de maneira no mínimo temerária. E ao invés da mobilidade segura, apropriada aos centros urbanos congestionados, temos o pior trânsito do país, com um metrô que dá vergonha e medo.



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