Beberibe abre caminhos

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Beberibe abre caminhos



Obra estratégica para o desenvolvimento da Região Metropolitana, dragagem do Rio Beberibe será licitada em valor de quase R$ 150 milhões

Por

JC


Publicado em 02/02/2026 às 0:00

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Um dos significados atribuídos à palavra Beberibe, que seria de raiz tupi, indica o movimento de águas que vão e vêm, como na maré. A oscilação pode ser transportada à imagem do cuidado e do descuido, da lembrança e do esquecimento da população e do poder público, a respeito de um dos mais importantes cursos d’água da Região Metropolitana do Recife, sobretudo para a capital e a cidade de Olinda. Continuando com o pensamento em gangorra, o Beberibe surge como um leito da desimportância, do abandono que forma um cenário deplorável do ponto de vista ambiental, e também na perspectiva social. O rio que vira depósito de lixo e de refugo humano deixa, em suas margens estreitadas, o acúmulo da vergonha dos pernambucanos.
Matéria publicada neste JC em outubro de 2021 retratava a condição de vida dos moradores nas proximidades do Beberibe, configurando situação dramática para mais de uma dezena de comunidades. Alagamentos e enchentes são frequentes nesses locais, onde o rio, em muitos pontos, parece um esgoto a céu aberto, expressão comum referendada pela Doutora em Geografia pela Universidade Federal de Pernambuco, Maria Goretti Cabral de Lima, para a reportagem do JC. Ao invés de abrir caminhos de integração e desenvolvimento, a urbanização tornou o Beberibe um beco sem saída – quase água sem movimento.
Em momento promissor da maré, uma vez concretizada a promessa do poder público estadual, a anunciada dragagem do rio tem tudo para ser um marco de virada em Pernambuco, beneficiando cidadãos recifenses e olindenses, restaurando a autoestima perdida na correnteza das últimas décadas. A maior obra em 40 anos, de R$ 147 milhões, vai desassorear 5,5 quilômetros do Beberibe, renovando a extensão desde a zona norte da capital até a Escola de Aprendizes Marinheiros, em Olinda. Estão previstas intervenções de engenharia de macrodrenagem, dragagem por sucção, recomposição e ampliação da calha do rio.
Pedro Ribeiro, secretário executivo de Periferias da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação do estado, a dragagem “representa dignidade para quem vive às margens do Beberibe e convive, a cada inverno, com o medo da chuva e do rio. Estamos enfrentando um problema histórico com uma intervenção estruturadora. Cuidar do rio é, acima de tudo, cuidar das pessoas que vivem ao seu redor”, afirmou. Sem dúvida. O que deve trazer à memória coletiva o longo período de descaso que resultou no agravamento desse problema histórico. A dignidade da população às margens do Beberibe ainda está por ser reconquistada, pois as obras nem iniciaram.
O projeto visa reduzir os riscos de alagamento e recuperar o rio degradado, encolhido e desvirtuado, removendo resíduos sólidos e a vegetação excedente, e promovendo ações de recuperação ambiental e urbana ao longo do trecho contemplado. Assim o Beberibe pode voltar a abrir caminhos nas cidades que corta, e não, ver seus caminhos encurtados por elas.



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