Um telefonema trouxe de volta o velho Jornal do Commercio, de Dr. F. Pessoa de Queiroz, que tinha Wladimir Calheiros como Diretor de Redação
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Recebi, às vésperas do Natal, mensagem de uma amiga muito querida, jornalista dos tempos mais antigos que, como eu, começou sua vida profissional no Jornal do Commercio, de F. Pessoa de Queiroz, e depois, assim como eu, foi trabalhar em Sucursais da Imprensa do Sul, que eram várias em Pernambuco. Foi uma boa notícia, essa mensagem da minha amiga. Mas, recebi também a notícia da morte do repórter fotográfico Sebastião Barbosa, meu companheiro na Editora Bloch, que nasceu no Amazonas, iniciou sua carreira em jornais de Belém, no Pará, e tornou-se um grande nome do Jornalismo brasileiro, trabalhando no Rio. Essa foi uma má notícia. Mas, a vida é assim, feita das boas e das más notícias, para todos aqueles que caminham aqui na terra.
O telefonema dessa amiga trouxe de volta o velho Jornal do Commercio, de Dr. F. Pessoa de Queiroz, que tinha Wladimir Calheiros como Diretor de Redação, e uma leva de jovens que almejavam mudar o mundo. Todos sonhadores, ali estavam, além de mim e dessa amiga, Lucio Flavio Regueira, Ricardo Noblat, Roberto Tavares, Tarcísio Baltar, José Carlos Rocha, Bete Salgueiro — para citar apenas alguns daqueles que sairiam para trabalhar em Sucursais de Jornais do Sul, e depois, nas próprias sedes desses mesmos jornais, uns no Rio de Janeiro, outros, em São Paulo. Quase sempre fugindo do ambiente político do Estado, depois do golpe de 1964.
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A notícia da morte do repórter-fotográfico Sebastião Barbosa, profissional de grande talento, me pegou de surpresa. Trabalhei com ele aqui no Recife na Sucursal das Empresas Bloch, e depois na Matriz, no Rio de Janeiro, inclusive numa Edição Especial sobre a Amazônia, trabalho que nos ocupou por quase 30 dias, viajando por aquele mundo verde e virgem, no Norte do País. Mas, aqui no Recife, como era efervescente o ambiente daquelas Sucursais! Disputava-se a notícia lá fora, mas dividíamos a cerveja na mesma mesa, nas noites de sexta-feira. Eu conhecia bem a Sucursal da Editora Bloch, pois lá estagiei quando ainda era estudante.
A Bloch produzia algumas das publicações mais lidas do País, como as Revistas Manchete, com mais de meio milhão de exemplares, Fatos & Fotos, Pais & Filhos, Ele e Ela, Desfile, Amiga e várias outras, para os mais diversos públicos. Trabalhar na Manchete, naquela época, era o sonho de todo jovem repórter, em qualquer parte do País. Na verdade, a revista reunia alguns dos melhores nomes do jornalismo brasileiro, a começar pelo Diretor de Redação, Justino Martins, ex-integrante da equipe da revista francesa Paris Match, uma das publicações mais respeitadas do mundo. Escreviam para a brasileira Manchete jornalistas como Zevi Ghivelder, Paulo Mendes Campos, Nilson Laje, Fernando Sabino, R. Magalhães Junior, Ledo Ivo, Josué Montello, Ney Bianchi, Arnaldo Niskier, Murilo Melo Filho e outros grandes nomes da Imprensa brasileira. O quadro de fotógrafos era inigualável. Estavam lá, entre outros, Gervásio Batista, Domingos Cavalcanti, Jader Neves, Walter Firmo, Orlando Abrunhosa, Gil Pinheiro, Antonio Luis Trindade, Nelson Santos e Sebastião Barbosa, que foi transferido do Rio para a Sucursal do Recife. E que agora é somente um nome no baú da saudade.
Entrei para trabalhar na Editora Bloch quando a Sucursal ocupava a cobertura de um edifício na Avenida Conde da Boa Vista, antes que o então prefeito do Recife, João Paulo, providenciasse a sua decadência. Também se instalavam no centro da cidade as Sucursais do Jornal do Brasil, chefiada pelo jornalista Paulo Rehder e, depois, pelo publicitário Bernardo Ludermir; a Sucursal do Jornal Estado de São Paulo era dirigida pelo veterano Otávio Morais e, anos depois, pelo jornalista Carlos Garcia; a Editora Abril, que tinha Edmundo Moraes e, depois do lançamento da Revista Veja, vários os jovens que se sucederam na Redação. O Globo tinha Ronildo Maia Leite, chefiando o jornalismo, em permanente conflito com o diretor comercial, José Carlos Alencar, mas convivendo. Nenhuma dessas Sucursais, no entanto, tinha instalações melhores do que a Bloch, número de profissionais, ou melhores condições para trabalhar e produzir.
A Sucursal da Bloch no Recife era dirigida por Fernando Luiz Cascudo, tinha como diretor-comercial Caio Souza Leão e Alexandrino Rocha como chefe de Reportagem. Joca Souza Leão era um jovem contato de Publicidade, antes de casar e viajar para estudar na Inglaterra. Eram repórteres de campo Antonio Teixeira Junior, Ivanildo Sampaio, Frederico Vasconcelos. Rosalvo Melo e Helena Beltrão entrariam na equipe pouco tempo depois. Os fotógrafos, longamente viajados, eram Clodomir Leite, Alcir Lacerda e Raimundo Costa, todos talentosos e experientes. A Sucursal da Bloch no Recife apresentava, sempre, bons resultados financeiros. Por conta disso, o diretor, Fernando Cascudo, foi para o Rio dirigir um novo Departamento criado pela empresa, que continuava em processo de expansão, com sua nova sede, na Praia do Flamengo, num belíssimo projeto de Oscar Niemeyer. O jornalista Ronald de Carvalho foi transferido da Redação da Fatos & Fotos, no Rio, para chefiar a Sucursal do Recife. E com ele veio Sebastião Barbosa. Na mesma época, eu fiz o roteiro inverso e fui transferido para a sede da empresa, no Rio.
Não demorou muito, a Sucursal do Recife começou a “murchar”. Além de mim, transferido após a morte do Padre Henrique, Raimundo Costa voltou para o Rio, chamado pela direção; Sebastião também voltou; Ronald foi enviado para uma Nova Sucursal, com sede em Belém. E a Sucursal do Recife passou a ser deficitária, com custos que, na avaliação dos Proprietários, só faziam crescer. Ricardo Noblat, talentoso jornalista, chefiava a Redação, mas o Departamento Comercial estava acéfalo. Um dia, Adolfo Bloch negou uma proposta de aumento salarial reivindicada para a Redação, com justiça, por Noblat, mandou demitir todo pessoal, jornalistas ou não, e fechar a Sucursal da Bloch em Pernambuco. Ricardo Noblat recebeu proposta de trabalhar na sede da empresa, não aceitou, pediu demissão e saiu com sua equipe e sua dignidade.
Passei algum tempo sem voltar ao Recife — e quando um dia cá estive, para fazer uma reportagem sobre um projeto ambicioso que pretendia criar um Complexo Industrial Portuário no Litoral Sul do Estado, chamado Suape, a Sucursal da Bloch era apenas uma lembrança — embora os integrantes daquela equipe estivessem todos vivos. Sebastião Barbosa, com quem durante 28 dias trabalhei produzindo uma Edição Especial da Manchete sobre a Amazônia, foi, assim como eu fui, mais um daquela equipe que tinha orgulho da Revista para a qual trabalhavam. Essa amiga de quem recebi a mensagem acima citada, não foi da Bloch, trabalhou noutra Sucursal. Restam, da Bloch, além de mim, Joca Souza Leão, aqui no Recife; e Frederico Vasconcelos, que brilhou na Folha de S. Paulo, está aposentado e vivendo na Paulicéia Desvairada. Somos, nós três, os “últimos canoeiros” de um velho barco que já não navega — que se encontra ancorado no porto silencioso do tempo.
Ivanildo Sampaio é jornalista
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