Com palanques indefinidos, disputas internas e excesso de nomes, a corrida ao Senado em Pernambuco virou o ponto mais instável da eleição de 2026.
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Enquanto a disputa pelo Governo de Pernambuco começa a ganhar contornos mais nítidos, com a candidatura já definida da governadora Raquel Lyra (PSD) e a quase certa entrada do prefeito do Recife, João Campos (PSB), o cenário para o Senado segue no sentido oposto.
O que se vê hoje é um tabuleiro fragmentado, com muitos nomes colocados e nenhuma definição real. A eleição para senador, que deveria estar no centro das estratégias partidárias, virou um espaço de incertezas, conflitos internos e apostas ainda mal resolvidas.
Favoritismo instável
O nome mais sólido até aqui é o do senador Humberto Costa (PT). Ele é o candidato natural à reeleição, carrega o peso do apoio do presidente Lula (PT) e se beneficia de um histórico recente que comprova a força do lulismo em Pernambuco.
A eleição de Teresa Leitão, em 2022, mesmo com uma chapa fraca para o governo, ainda serve como referência concreta. Na época, ela teve dois milhões de votos e seu candidato a governador terminou em quarto lugar.
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Ainda assim, nem Humberto está livre de dúvidas. A principal delas é o palanque. Ele pode estar tanto com João Campos quanto com Raquel Lyra, dentro da estratégia de palanque duplo defendida por Lula.
A definição passa menos por vontade pessoal e mais por movimentos nacionais e acordos locais ainda pendentes.
O fator Marília
É nesse ponto que surge Marília Arraes como elemento de desequilíbrio. As pesquisas mostram que ela tem densidade eleitoral suficiente para mexer no jogo e, em alguns cenários, reduzir de forma significativa o favoritismo de Humberto Costa.
O problema dela por enquanto não é voto, é decisão. Marília ainda vive uma indefinição partidária, diante das negociações do Solidariedade com o PSDB, e também uma dúvida estratégica sobre qual cargo disputar em 2026.
Caso confirme candidatura ao Senado, o cenário muda de patamar e deixa de ser previsível.
Conflitos internos
No campo do centro e da centro-direita, o principal nó está dentro da federação União Progressista. Miguel Coelho (União Brasil) se lançou cedo como candidato ao Senado e mantém essa disposição, apoiado em sua força no Sertão.
Eduardo da Fonte (Progressistas), que controla a federação em Pernambuco, também quer a vaga. Não há espaço para os dois em um mesmo palanque. A disputa interna, por enquanto, é mais um fator de paralisia do que de definição, ainda que cada um dialogue com candidatos a governador distintos no plano estadual.
Dificuldades à direita
Anderson Ferreira tem o controle do PL e não enfrenta resistência interna para ser candidato. O problema é externo. Ele depende de espaço em um palanque viável e esse espaço, hoje, passa quase exclusivamente pela chapa de Raquel Lyra.
Gilson Machado (PL), por sua vez, representa o bolsonarismo mais ideológico, mas enfrenta rejeição elevada e dificuldades dentro do próprio partido. A tendência é que seu caminho seja a disputa proporcional por um mandato na Câmara Federal ou ele pode trocar de partido, apostar no apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e ver o que acontece.
Outras incógnitas
Silvio Costa Filho aparece como possibilidade, mas esbarra na contradição do Republicanos, aliado de Lula em Pernambuco e oposicionista no plano nacional.
Fernando Dueire tenta viabilizar a reeleição, mas perdeu o controle do MDB no estado e ficou sem palanque natural.
Jô Cavalcanti é a única candidatura sem entraves internos, ainda que com caráter mais simbólico do que competitivo. Para ela o que anda faltando é voto.
O peso do Senado
Toda essa confusão não é casual. O Senado será um dos principais campos de batalha política em 2026.
A direita busca ampliar sua força para tensionar o governo federal. A esquerda tenta garantir proteção institucional caso Lula vença mais uma vez. É por isso que há tantos nomes, tantas dúvidas e tão pouca definição.
Em Pernambuco, a eleição para o Senado ainda está longe de ser decidida, mas já deixou claro que será uma das disputas mais complexas e observadas do próximo ciclo eleitoral.
Não é por acaso que existem somente duas vagas em disputa e, por enquanto, já dá pra listar nove pré-candidatos.



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