Transporte sobre trilhos: Expansão de metrôs, trens e VLTs depende de investimentos e, principalmente, decisão política

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Transporte sobre trilhos: Expansão de metrôs, trens e VLTs depende de investimentos e, principalmente, decisão política


Avanços regionais são urgentes. É gigante o contraste entre a escala de crescimento do Sudeste e a pulverização de sistemas no Nordeste



Clique aqui e escute a matéria

O transporte sobre trilhos – metrôs, trens, VLTs e monotrilhos – no Brasil vive um momento de transição, marcado pelo início de um novo ciclo de expansão, mas ainda limitado por um ritmo de crescimento que não acompanha a demanda urbana do País.

De acordo com o Balanço Anual do Setor Metroferroviário 2025, lançado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) em abril de 2026, o setor transportou 2,59 bilhões de passageiros ao longo do ano, mantendo uma média de 8,7 milhões de usuários por dia útil.

Mas, embora os números mostrem uma recuperação pós-pandemia, o crescimento da rede foi de apenas 7 km no último ano, totalizando uma malha de 1.144,7 km. Atualmente, o País possui 20 projetos em execução que somam 138,7 km e 123 novas estações, com entregas previstas entre 2026 e 2028.

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

A diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia Lira, destaca que a sistematização desses dados é fundamental para qualificar o debate sobre mobilidade, especialmente em anos eleitorais, transformando o planejamento em entregas efetivas que superem o histórico de promessas adiadas. “O Balanço organiza, sistematiza e dá transparência às informações do setor metroferroviário. Trata-se de uma ferramenta para orientar o debate público com base em evidências, qualificando a formulação de políticas e o direcionamento de investimentos, especialmente em um ano em que o País discute suas prioridades”, destaca.

ABISMO ENTRE NORDESTE E SUDESTE


Fernando Frazão/Agência Brasil

Atualmente, o País possui 20 projetos em execução que somam 138,7 km e 123 novas estações, com entregas previstas entre 2026 e 2028 – Fernando Frazão/Agência Brasil

A disparidade regional é um dos traços mais marcantes do setor de transporte sobre trilhos no Brasil. A região Sudeste continua a exercer uma hegemonia absoluta, com São Paulo respondendo por 77% do total de passageiros transportados e o Rio de Janeiro por 12,7%.

Juntos, os dois estados concentram quase 60% da extensão operacional de toda a rede nacional. E não é de hoje. A ANPTrilhos destaca que essa escala é reflexo de metrópoles com mais de 10 milhões de habitantes, que demandam sistemas de alta capacidade, como os metrôs e trens metropolitanos que somam 682,8 km apenas nessas duas unidades da federação.

Em contrapartida, o cenário no Nordeste é caracterizado por sistemas de menor escala, muitas vezes servindo localidades com menos de 500 mil habitantes. No entanto, a região tem se destacado pela capilaridade e pela diversificação de modais, especialmente com o avanço dos Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs). Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Piauí possuem redes que, embora menores em volume de passageiros, são essenciais para a mobilidade local.

 balanço ainda aponta que o Nordeste também abriga frentes importantes de expansão, como os novos sistemas de VLT previstos para Salvador (BA), Campina Grande (PB) e Arapiraca (AL).

PROBLEMAS DO METRÔ DO RECIFE COLOCAM PERNAMBUCO EM DESTAQUE NEGATIVO

Cirio Gomes/TV Jornal

Metrô do Recife deveria operar com 31 trens, mas funciona atualmente com apenas 11 a 13 composições devido a constantes quebras e mais de uma década de ausência de investimentos – Cirio Gomes/TV Jornal

Reprodução

Trens usados da Trensurb e do Metrô de BH serão transferidos para o Metrô do Recife como solução emergencial – Reprodução

ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

Pernambuco enfrentou a maior retração absoluta, perdendo 8,4 milhões de passageiros. Esse recuo é atribuído às severas restrições orçamentárias enfrentadas pela CBTU
ALEXANDRE GONDIM/JC IMAGEM

Ao analisar os estados individualmente, o balanço do setor metroferroviário aponta que o Piauí registrou o maior crescimento relativo do País em 2025, com uma alta de 30,1% no número de passageiros, impulsionada pela implementação da política de Tarifa Zero no VLT de Teresina.

Por outro lado, Pernambuco enfrentou a maior retração absoluta, perdendo 8,4 milhões de passageiros. Esse recuo é atribuído às severas restrições orçamentárias enfrentadas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que impactaram diretamente a oferta de serviços no Recife e em outras capitais nordestinas como Natal, João Pessoa e Maceió.

Enquanto o Sudeste foca na expansão de linhas de metrô consolidadas e projetos de trens intercidades, o Nordeste busca consolidar redes de VLT. Na Bahia, por exemplo, o antigo Trem do Subúrbio de Salvador foi desativado para dar lugar a um novo sistema de VLT com mais de 30 km de extensão, cujos primeiros trechos devem ser entregues a partir de 2027.

Essa diferença de perfil mostra que, enquanto o Sudeste gerencia a saturação de sistemas gigantescos, o Nordeste tenta estruturar modais mais ágeis e adequados a cidades médias e capitais em crescimento.

IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS E A SUSTENTABILIDADE DO SETOR


Arte

Infográfico produzido por IA com dados apurados pela reportagem – Arte

Para além do transporte, o setor metroferroviário gerou R$ 44,6 bilhões em benefícios econômicos e sociais para o Brasil em 2025. Esses ganhos incluem a economia de 1,6 bilhão de horas em deslocamentos e a redução de 900 milhões de litros de combustíveis, o que evitou a emissão de 1,9 milhão de toneladas de poluentes.

O balanço reforça, ainda, que um sistema que produz tamanha riqueza social não pode depender exclusivamente da tarifa paga pelo usuário, sugerindo a necessidade de subsídios estruturados e novos instrumentos financeiros.

A manutenção da qualidade é outro ponto positivo: o setor encerrou o ano com 95,3% de regularidade e 98,1% de confiabilidade. Entretanto, para que a malha brasileira de 1.144,7 km deixe de ser considerada “modesta” diante das necessidades urbanas, o relatório aponta que é fundamental acelerar as obras em andamento e destravar a carteira de projetos em estruturação, que inclui iniciativas como o Trem de Alta Velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro e novas linhas de metrô em Brasília e Curitiba.






Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *