Mais do que questões médicas, a saúde humana rende discussões de inovação, tecnologia e filosofia. Quem foi ao SP2B desta quinta pôde acompanhar debates que trataram temas como o tabu da morte até o “boom” de medicamentos como o Mounjaro e outras canetas emagrecedoras.
Com uma vasta lista de painéis, o festival tem parceria com a Folha e discute empreendedorismo e inovação até domingo, no parque Ibirapuera, zona sul da cidade.
No espaço Beyond, especialistas debateram os impactos da ascensão de ferramentas de inteligência artificial na saúde. Se de um lado, há crescente desenvolvimento tecnológico —com melhores pesquisas e robôs para cirurgias—, por outro, surgem dilemas sobre o acesso a dados privados.
“O que acontece com o dado em uma era onde ele é apenas a matéria-prima? A IA não precisa mais do dado bruto para saber quem você é”, disse o engenheiro e professor Demi Getschko, no painel com Rubia Coimbra, executiva da Cloudera. “Se você liga para o cardiologista à meia-noite e vai à farmácia depois, a IA já sabe que você é um paciente cardíaco de alto risco antes de qualquer exame.”
O debate ainda abordou como a popularização da IA tem levado muitas pessoas a recorrer a ferramentas digitais para consulta de saúde, em vez de irem a um hospital para serem analisadas por médicos de carne e osso.
“O fato de o médico ver que seu rosto está esquisito ou sua pele mais branca é algo que a IA, por enquanto, não substitui”, disse Coimbra.
No mesmo espaço, houve um bate-papo sobre a popularização do Mounjaro. A médica Isabela Busade conversou com Luiz Magno, diretor-executivo da Eli Lilly, fabricante do medicamento.
Os dois criticaram o que chamaram de “estigma” quanto ao uso do remédio. Também defenderam que o produto é um avanço tecnológico contra a obesidade. “Existe essa história de não querer se tratar porque parece que esse medicamento é ‘de moda’, quando, na verdade, a obesidade é uma doença”, afirmou Magno.
Mais cedo, ainda na saúde, houve um debate mais filosófico no auditório Believe. Autora de “Ancestrais do Futuro: Qual a Mudança que o seu Movimento Alcança?”, a professora Grazi Mendes conversou com Camila Appel, roteirista de séries como “Em Nome de Deus”.
Paciente oncológica em cuidados paliativos, Mendes falou sobre sua experiência com o câncer e a morte. A escritora criticou o tabu que rodeia o tema. “Tem muita gente com boa intenção que fala ‘você vai se curar’. Mas a cura não é mais uma questão para mim.”
Depois, no espaço Belong, houve ainda uma mesa sobre como a música pode gerar bons lucros a empresas que sequer pertencem ao setor artístico. O executivo Bruno Fonseca mostrou dados de uma nova pesquisa da BTA, empresa da qual é sócio-fundador.
Segundo os dados, quanto mais uma marca se aproxima de ações musicais, mais ela “ganha o coração dos fãs engajados”. A pesquisa fez ainda um ranking das marcas que melhor se destacam por isso no Brasil. A Vivo lidera a lista, seguida de Tim, Itaú, Coca-Cola e Samsung.














