São Paulo
Na exposição “O Brasil de Tarsila”, o visitante pode se sentir dentro das florestas pintadas por Tarsila do Amaral, viajar de Minas Gerais até Paris, caminhar ao lado do Abaporu e repousar diante do pôr do sol que a artista desenhou. Com assinatura de Juliana Miraldi e Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta da modernista, a mostra começa neste sábado (15).
A data também marca a inauguração do Nubank Arte Lab, espaço que ocupa 2.700 m² no primeiro andar do Conjunto Nacional, na avenida Paulista, e foi projetado para exposições imersivas, como esta.
SÃO PAULO – SP – BRASIL – 11- 08-2026 – A exposição de Tarsila do Amaral, ?O Brasil de Tarsila?, inaugura o novo Nubank Arte Lab, no Conjunto Nacional, em São Paulo, na Avenida Paulista. (Foto: Rafaela Araújo/Folhapress, GUIA) * EXCLUSIVO FOLHA DE SÃO PAULO ***
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Rafaela Araújo/Folhapress
Para isso, conta com três ambientes principais, o que inclui uma sala multiuso de 777 m² e outras duas que exibem conteúdo audiovisual de grande escala, com sistema de projeção e sensores de movimento adaptáveis a cada projeto. Logo na entrada uma telão digital transparente, com 84 m² já inicia a exposição.
A estrutura do local tem salas modulares, que podem se adaptar de acordo com as necessidades de cada mostra. Elas dispõe de sensores de temperatura e cheiro para aumentar a imersão do visitante. O pé direito alto permite a instalação de grandes estruturas e projeções. Também há sistema para controlar a iluminação, o que melhorar a qualidade do que é exibido.
“O Brasil de Tarsila” usa diversos desses recursos. Organizada em blocos temáticos, a mostra aproveita animação digital, projeção, som e cheiro para contar a trajetória da artista modernista. Não há quadros originais expostos por lá: eles viraram releituras, cenários e instalações interativas.
“Escolhemos dar protagonismo à obra e deixar a Tarsila falar. A única explicação que a gente colocou na sala é uma entrevista dela descrevendo o quadro”, diz Paola do Amaral Montenegro, que além de sobrinha-bisneta de Tarsila também é a gestora dos direitos sobre a obra da artista.
A sala que retrata a fase marcada pela temática social de Tarsila, por exemplo, dispõe de três manivelas. Ao serem giradas, elas revelam em um telão os rostos da obra “Operários” (1933).

Quadro “Operários” virou telão interativo na exposição; visitantes giram engrenagens e os rostos preenchem a tela
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A pintura é uma das mais conhecidas da artista e mostra tanto o crescimento urbano brasileiro na época como os reflexos da sua viagem à antiga União Soviética. A partir dessa experiência, ela absorveu influências visuais dos cartazes políticos do país.
Mais viagens da artista marcam presença na exposição. Uma das instalações interativas é um vagão de trem no qual cada janela corresponde a um dos lugares pelos quais Tarsila passou: França, Itália, Minas Gerais, Oriente Médio, Rio de Janeiro e a antiga URSS. Sobre a mesa dos passageiros, há reproduções de documentos e lembranças da artista relacionadas aos destinos.
Outras instalações mostram trabalhos com menções à natureza, entre eles “Manacá”, “Distância”, “Lago” e “Floresta”, todos do fim da década de 1920. Essas obras marcaram a era antropofágica de paulista.
A ideia da antropofagia era pegar influências estrangeiras, em especial de movimentos artísticos europeus, e engolir essas referências para transformá-las em algo brasileiro. Em suma, ela absorveu elementos do cubismo e do surrealismo para fazer obras que representam assuntos ligados ao Brasil. A mistura deu impulso ao universo de árvores distorcidas e personagens de formato estranho criados por Tarsila.
Por isso, a sala “Floresta Antropofágica” tem vegetação com formas curvas, piscina de bolinhas e sistema de áudio que emite sons de sapo e outros animais. O espaço também explora o olfato ao simular o cheiro de folhas, madeira e terra úmida.
Além de obras com cheiro, som e animação digital, há esculturas que dão efeito tridimensional aos quadros. O personagem de “Abaporu” (1928) vira um boneco que vai do chão até o teto da sala, em versão que mantém a proporção dos elementos da obra. A intenção é deixar o visitante aproximar-se, tocar, sentar junto à figura e fazer o famoso selfie.
Em uma das salas de projeção, o animal ilustrado em “O Sapo” (1928) se encontra com o homem de “Abaporu”, que anda pelo cenário característico das obras da modernista e passa por objetos de outros quadros, como as formas da tela “O Sono” (1928).
De certa forma, o prédio em que o Nubank Arte Lab está construído conversa com a mostra. O Conjunto Nacional é referência na arquitetura moderna brasileira por reunir várias soluções urbanas em um edifício desenhada na década de 1950.
Em setembro, com “O Brasil de Tarsila” em cartaz, outra exposição será inaugurada: “Fronteiras do Imaginário” reúne o ilustrador e designer sul-africano Maotik, artista digital francês radicado no Canadá, referência na criação de experiências imersivas.
O Brasil de Tarsila
Nubank Arte Lab – Conjunto Nacional – av. Paulista, 2.073, Consolação, região central. Qua. a seg. e feriados, das 10h às 22h. Abertura: sáb. (15). Até 31/10. Ingr.: a partir de R$ 80 em Fever













