Sol Pires: mercado imobiliário de luxo exige foco na experiência do cliente e curadoria

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Sol Pires: mercado imobiliário de luxo exige foco na experiência do cliente e curadoria



Com 16 anos de atuação, Sol Pires destaca que o modelo tradicional do mercado imobiliário historicamente priorizou o produto e aponta mudanças

Por

JC


Publicado em 15/09/2026 às 13:57

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O mercado imobiliário de alto e altíssimo padrão no Recife e na Região Metropolitana vivencia uma fase de transformação impulsionada por novas demandas de consumo e pelo avanço de projetos autorais. A avaliação é de Sol Pires, fundadora da Sol Imóveis Solutions — primeira imobiliária boutique de Pernambuco —, em entrevista concedida ao jornalista Lucas Moraes, no videocast Metro Quadrado.

 

Com 16 anos de atuação no segmento, Sol Pires destaca que o modelo tradicional do mercado imobiliário historicamente priorizou o produto em detrimento da escuta atenta das necessidades dos compradores.

“Sempre tive uma inquietação com relação ao mercado imobiliário ser tão focado em produto, em imóveis, e não nas pessoas. Em todos os serviços as pessoas estão em primeiro lugar, mas no mercado imobiliário o foco sempre foi o imóvel. Eu tinha essa inquietação de oferecer uma experiência mais focada nas pessoas, de ouvir mais e não só dizer: ‘Olha, esse é o imóvel para você'”, afirmou Sol Pires.

Mudança de perfil e busca pelo conceito wellness

Segundo Sol Pires, o comprador de alto padrão busca soluções funcionais para o estilo de vida da família. A metragem e o preço do metro quadrado deixaram de ser os únicos fatores determinantes. Cresce a procura por infraestruturas completas dentro dos próprios condomínios, alinhadas ao conceito de bem-estar (wellness).

“O cliente de alto padrão busca resolver algum problema. Ele tem alguma necessidade que não está conseguindo suprir com o que tem atualmente. Ele procura um imóvel maior, com mais qualidade de vida, segurança, monitoramento 24 horas e mais lazer dentro do prédio. O conceito wellness atinge os sentidos de uma vida saudável: ambientes para trabalhar, se exercitar, fazer massagem ou yoga. Quanto mais o empreendimento tiver esses serviços, mais atrai o cliente de luxo”, explicou.

Sol Pires ressalta também o surgimento de uma demanda expressiva por apartamentos de dois quartos com metragens elevadas (entre 95 m² e 130 m²), voltados para solteiros e empresários que priorizam conforto e espaço antes da constituição familiar.

Eixo de valorização e novas regiões de expansão

Durante a conversa, Sol Pires traçou um panorama geográfico dos investimentos no Grande Recife. Além dos endereços já consolidados — como a Avenida Boa Viagem, Aflitos e Poço da Panela —, há um movimento expressivo em direção a polos em consolidação com alto potencial de valorização de médio e longo prazo.

“Nós temos bairros bastante consolidados, que são localizações prêmio como a Avenida Boa Viagem. Mas a gente tem também regiões em expansão. Quem tiver visão de médio a longo prazo e puder investir, existem muitos bairros no centro como Ilha do Leite, Boa Vista, o Cais José Estelita e a Reserva do Paiva. São regiões que estão nessa fase de consolidação e quem comprar agora com certeza vai ter uma maior oportunidade”, pontuou.

Como exemplo do potencial do mercado recifense, a especialista citou casos de valorização no projeto do Cais do Porto, onde unidades adquiridas na planta por R$ 1,3 milhão alcançaram avaliações de até R$ 6 milhões.

Assinatura arquitetônica e segurança jurídica

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a evolução estética e técnica dos empreendimentos regionais. Para Pires, um projeto de alto padrão moderno exige uma tríade bem definida de especialistas: arquitetura de concepção, paisagismo e design de interiores.

“Hoje é essencial um empreendimento de alto padrão ser apresentado com no mínimo três arquitetos: o do projeto arquitetônico, o paisagista e o de design de interiores. Se não tem esses três bem definidos, é um projeto generalista. Além disso, o primeiro valor que agregamos é a segurança jurídica. Só vendemos imóveis regularizados, com Registro Geral de Incorporação (RGI) ou Habite-se regular. O cliente precisa ter a certeza de que não vai perder tempo nem comprar um problema”, detalhou.



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