“Diva: os primeiros 30 dias” será lançado durante a ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, neste domingo (12)
Emannuel Bento
Publicado em 10/10/2025 às 18:01
| Atualizado em 10/10/2025 às 18:13
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Há cinco anos, uma escultura de vulva feita em um terreno escavado no meio da Zona da Mata de Pernambuco rodou o mundo. “Diva”, de Juliana Notari, gerou publicações, textos críticos, matérias na imprensa internacional e uma enxurrada de memes.
“Toda essa repercussão, hoje, é como se fizesse parte da obra. Não existe leitura da obra sem a leitura da recepção”, diz a artista visual, que agora lança o livro “Diva: os primeiros 30 dias” durante a ART.PE – Feira de Arte Contemporânea de Pernambuco, neste domingo (12), às 15h.
Com cerca de 250 páginas, a publicação é organizada por Juliana Notari, Clarissa Diniz e Inês Maia. O volume revisita o primeiro mês de recepção da escultura monumental, situada na Usina de Arte, em Água Preta (PE).
Repercussão e debates
A repercussão ultrapassou o campo da arte e alcançou a esfera pública, alimentando debates sobre feminismo, censura, liberdade de expressão, colonialidade e questões de gênero, raciais e ambientais, num Brasil profundamente polarizado.
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“É o retrato de um tempo sombrio, mas também do tempo de hoje. Recebi ataques do campo conservador, mas também dos progressistas. O livro é um desejo de compilar isso tudo”, afirma Juliana.
Da esquerda, “Diva” recebeu críticas pelo possível impacto ambiental e também pelas imagens de bastidores que mostravam trabalhadores negros em volta da artista, que é branca.
A publicação reúne textos de Afonso Oliveira, Ana Luisa Lima, Beta Germano, Danilo Matoso, Débora Britto, Eliane Brum, Fabiana Moraes, Ivana Bentes, João Paulo Lima, Laís Domingues, Mariana Franco e Paula Guimarães, além de um artigo de Cayo Honorato, intitulado “Por uma teoria Diva da arte”. Nenhum dos textos foi escrito especialmente para o livro — todos foram gentilmente cedidos pelos autores.
Repercussão internacional
O livro também registra a repercussão internacional da escultura, que chegou a ser pauta em veículos como The Guardian e Le Monde, além de inspirar debates acadêmicos em universidades europeias e latino-americanas. Esse alcance consolidou Diva como uma das obras brasileiras mais comentadas da última década.
Notari destaca um episódio específico: quando o Daily Mail, tabloide londrino, publicou uma notícia sobre a obra censurando a “vulva gigante”.
“Foi chocante. Afinal, é uma obra de arte, uma escultura. Eles pixelaram, inclusive pixelaram até o reflexo da obra. Isso também ocorreu em tabloides de ex-colônias britânicas, como a Índia”, relata.
A artista acredita que episódios como esse são fruto de uma “misoginia milenar”. “Uma sociedade que cresceu com um ódio à mulher, embora o que motivou tudo isso tenha várias questões em volta.”
A distribuição do livro será gratuita, com uma tiragem impressa de 1.000 exemplares, destinada a autores, colaboradores, bibliotecas, instituições de arte e ao público em geral.

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