Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cobertura vacinal no primeiro ano de vida continua aquém do ideal, comprometendo as novas gerações
JC
Publicado em 16/07/2026 às 0:00
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A situação de cobertura insuficiente e desconfiança em relação às vacinas continua desafiando as autoridades de saúde no mundo inteiro. Após a crise da pandemia de Covid, entre 2020 e 2021, parcelas da população em diversos países, inclusive o Brasil, deixaram de cumprir as demandas da agenda de imunização, em efeito direto causado pelas polêmicas relacionadas à eficácia e reações colaterais das substâncias imunizantes fabricadas a toque de caixa para salvar bilhões de pessoas. O problema é que a aversão à vacinação não se restringiu à teimosia de gente adulta, mas influenciou negativamente a rotina de imunização em bebês, crianças e adolescentes, comprometendo a proteção e submetendo as novas gerações à reversão da conquista de superação de doenças facilmente evitáveis – se a imunização é respeitada.
Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 85% dos bebês no planeta, o equivalente a 110 milhões de bebês, receberam as três doses devidas da vacina contra difteria, tétano e coqueluche. No entanto, quase 20 milhões de crianças não foram imunizadas, das quais 13,5 milhões que não tiveram sequer uma dose de qualquer vacina no primeiro ano de vida. O Brasil é um exemplo do quanto a pandemia foi um fator de desestabilização: em 2021, a cobertura para essas doenças foi de apenas 68%, retornando a 86% de cobertura com as três doses em 2025. Outras vacinas foram e continuam sendo relegadas. Significa uma geração comprometida pelo desleixo de pais e responsáveis que puseram na lata de lixo a credibilidade da ciência e de séculos de pesquisa em prevenção de enfermidades.
A melhoria do quadro representa o resultado de esforços conjuntos pela recuperação da confiança dos indivíduos, bem como por uma distribuição mais justa das substâncias imunizantes em nações vulnerabilizadas pela miséria ou pelas guerras e conflitos violentos. A cobertura global, apesar dos avanços, segue abaixo dos níveis de 2019, de antes da pandemia, ano referencial para as metas de cobertura lançadas para 2030. Para se ter uma ideia, há 674 mil crianças a mais na categoria “dose zero” do que em 2019. Nove países concentram mais da metade da população infantil nessa condição: Nigéria, Congo, Iêmen, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola.
A OMS e a Unicef mantêm o apelo aos governos nacionais, e às famílias que decidiram não vacinar, lembrando que a imunização é um direito da infância. Na cobertura vacinal para 13 doenças preveníveis em 195 países, 65 encontram-se estagnados ou retrocederam desde 2019. Além de questões estruturais, falta compromisso político e sobra hesitação, muitas vezes incentivada pelo descompromisso. No Brasil, a restauração dos níveis de imunização de antes da pandemia tem merecido atenção dos governos, com políticas públicas que reconhecem o problema e busca alternativas para acelerar as campanhas de vacinação, como a utilização de escolas para a aplicação das doses. A retomada dos trilhos da ciência em prol da ampliação da defesa imunológica contra doenças que podem matar, precisa estar na agenda política como um direito dos cidadãos, e não, como pauta de polêmicas sem sentido.












