Com as reservas petrolíferas perto do limite, crise no Estreito de Ormuz começa a ameaçar pra valer a indústria do “ouro negro” e seus negócios
JC
Publicado em 17/07/2026 às 0:00
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Área de conflito há séculos no Oriente Médio, pelo papel estratégico para o domínio de rotas marítimas comerciais, o Estreito de Ormuz voltou a sediar confrontos políticos e bélicos, com a disputa entre o Irã e os Estados Unidos na região, nos últimos meses. Passam pelo estreito na costa iraniana, também localizado na costa dos Emirados Árabes e de Omã, embarcações que transportam 20% do petróleo consumido no mercado global, especialmente para a Ásia. O gás natural líquido produzido pelo Catar, um dos maiores exportadores do mundo, também depende dessa rota. A soberania das nações sobre a passagem, contudo, faz tempo que ficou em segundo plano, em detrimento de interesses econômicos e políticos que se confundem na travessia de uma guerra que começou sem fundamento, prossegue com duelos retóricos repetitivos e não possui, até o momento, desfecho discernível.
A volta das tensões que fazem de Ormuz território minado ao invés de canal de petróleo, tem elevado o nível de preocupação com o abastecimento, pois do final de fevereiro até aqui, o estoque do produto vem sendo consumido para suprir a demanda que estaria sem atendimento, sem reservas acionadas em períodos de crise. A navegabilidade permitida pelo cessar-fogo foi novamente interrompida, com o retorno de hostilidades e ataques por ordem da Casa Branca e dos líderes em Teerã. Desta maneira, a instabilidade que predomina em Ormuz se espalha para os países produtores e consumidores de petróleo, que experimentam um dos impactos econômicos mais certos em caso de guerra: o risco de desabastecimento.
Se o impasse no estreito asiático persistir por muito tempo, a indústria de petróleo, do século passado, pode sofrer concorrência ampliada de uma indústria do século 21, na transição entre energia suja e energia limpa, afetando, por exemplo, o transporte automotivo? O avanço dos carros elétricos, sobretudo chineses, teria um janelão de oportunidade para avançar ainda mais, se os combustíveis fósseis enfrentassem um cenário crítico de distribuição. No prisma da economia, a indústria bélica estaria privilegiando a indústria dos motores elétricos, e colaborando para uma transição energética mais rápida do que o esperado pelas petrolíferas.
Dos 400 milhões de barris estocados para liberação gradual e emergencial na crise, 300 milhões já foram utilizados, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). A previsão da agência é que os 100 milhões de barris restantes acabem em algumas semanas. A partir daí, o desabastecimento será probabilidade quase certa para as populações que dependem do “ouro negro” que atravessa Ormuz. Os preços do petróleo já estão em alta novamente, em alguns lugares com reflexo nas bombas de diesel e gasolina, como nos Estados Unidos. O combustível de aviação é outro ponto de alerta, com potencial impacto no turismo global.
Com o petróleo enganchado no funil de Ormuz, o pior desabastecimento da história pode estar para acontecer nos próximos meses, se as negociações diplomáticas continuarem falhando, e as intervenções econômicas não surtirem efeito.














