Raquel Lyra evita revelar voto para presidente, mas destaca entregas junto ao Governo Lula: ‘Sou grata’

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Raquel Lyra evita revelar voto para presidente, mas destaca entregas junto ao Governo Lula: ‘Sou grata’


Governadora foi questionada duas vezes sobre quem apoiará na disputa pelo Planalto e não respondeu. Estratégia repete posição adotada em 2022


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A governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) citou o presidente Lula ao longo de boa parte da sabatina do Sistema Jornal do Commercio (SJCC), nesta quinta-feira (20). Agradeceu, elogiou e listou obras realizadas em parceria com Brasília. Questionada duas vezes sobre em quem vota para presidente, não respondeu.

A entrevista encerrou a série de sabatinas do SJCC com os candidatos ao Governo de Pernambuco. Antes de Raquel, foram entrevistados João Campos (PSB), na segunda-feira (17), e Ivan Moraes (PSOL), na terça (18).

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A pergunta feita duas vezes

O primeiro questionamento foi direto. O PSD, partido de Raquel, tem Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, enquanto Gilberto Kassab preside a legenda. Diante disso, os jornalistas perguntaram à governadora se ela já tinha um candidato para o Palácio do Planalto.

Raquel não respondeu diretamente. Em vez de citar um nome, afirmou que sua prioridade é discutir Pernambuco e retomou o discurso de “construir pontes”.

“A gente se comprometeu em 2022 de fazer o estado de Pernambuco construir pontes. Pontes com o governo federal, pontes com a sociedade, pontes com os municípios.”

Ao falar sobre a relação com Brasília, destacou investimentos federais e obras retomadas, segundo ela, a partir da parceria entre os dois governos.

A pergunta voltou mais adiante. Os entrevistadores questionaram se Raquel pretendia declarar apoio em algum momento da campanha. A resposta seguiu a mesma linha. “Eu vou discutir Pernambuco. E vou agradecer a quem preciso ser grata.”

A governadora não disse se pretende declarar voto posteriormente, mantendo o foco na relação institucional com o governo federal e no debate estadual.

A estratégia repete 2022

A posição se aproxima da estratégia adotada em 2022. No segundo turno contra Marília Arraes, Raquel não declarou apoio nem a Lula nem ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ela venceu com 58,70% dos votos válidos e se tornou a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco. Na disputa presidencial, Lula venceu no Estado.

Quatro anos depois, o cenário mudou. Raquel busca a reeleição, seu próprio partido tem um candidato ao Planalto e seu principal adversário estadual, João Campos, tem usado a relação com Lula como um dos principais elementos da campanha.

Do outro lado, a aposta na proximidade

Sabatinado pelo SJCC na segunda-feira (17), João Campos apresentou a relação com Lula como um dos principais diferenciais de sua campanha. O candidato do PSB afirma que os dois mantêm uma relação de amizade que vai além da aliança política e costuma reforçar essa proximidade em suas agendas eleitorais.

Ao comparar sua relação com a mantida pela governadora com o presidente, João estabeleceu uma distinção direta. “É como você ter um conhecido ou você ter um amigo.”

A aproximação também tem sido explorada na campanha. João vem publicando vídeos ao lado de Lula, enquanto sua chapa se apresenta como “Time de Lula”. Nas agendas, o candidato também costuma dizer que não esconde seus aliados, em uma indireta à estratégia de Raquel, que reúne em seu palanque nomes de diferentes — e, em alguns casos, opostos — campos políticos.

O contraste ajuda a explicar as estratégias das duas candidaturas na disputa pelo eleitorado de Lula: enquanto João busca transformar a amizade e a identificação política com o presidente em ativo eleitoral, Raquel destaca a parceria administrativa com o governo federal, mas evita declarar apoio a um candidato à Presidência.

A disputa ocorre em um Estado onde Lula mantém histórico de vitórias eleitorais.

A resposta pelas obras e pela parceria

Sem entrar na disputa sobre quem tem maior proximidade com o presidente, Raquel respondeu destacando obras e investimentos realizados em parceria com o governo federal.

Citou o Canal do Fragoso, cuja entrega prometeu para dezembro, conjuntos habitacionais que estavam parados havia até 14 anos e a entrega de quase 26 mil moradias por meio do Morar Bem e do Minha Casa, Minha Vida. Também mencionou a retomada da BR-104, da Transnordestina e a construção de hospitais da mulher.

Ao falar da relação com Lula, afirmou que o presidente poderia ter “fechado as portas”, mas manteve a parceria. “Eu sou grata ao presidente Lula, porque ele podia simplesmente ter fechado as portas.”

Raquel disse ainda ter pedido, no início do mandato, que eventuais divergências eleitorais não interferissem na relação entre os governos. “Não deixe que o que puder acontecer na eleição de 26 atrapalhe o que a gente pode fazer junto para Pernambuco.”

“Vão querer me rotular”

Ao tratar da relação com o governo federal e de sua posição na eleição presidencial, Raquel antecipou as críticas que espera enfrentar durante a campanha.

Sem anunciar apoio a nenhum candidato ao Planalto, afirmou que “vão querer me rotular”, mas defendeu que sua campanha deve estar centrada nas questões estaduais.

A estratégia ficou evidente na sabatina: Raquel reforça a parceria com Lula e destaca investimentos realizados com o governo federal, mas, até agora, evita transformar essa relação em uma declaração de voto para a Presidência da República.






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