Músico de Israel traduz clássicos de Beethoven e Mozart em samba

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Músico de Israel traduz clássicos de Beethoven e Mozart em samba


E se Beethoven tivesse nascido no Brasil? O músico israelense Amitai Kurtz, 28, transformou essa pergunta em projeto. No disco “But He Was Born in Brazil”, lançado nesta terça-feira (18), ele leva ao samba melodias de Beethoven, Mozart, Tchaikovsky e Chopin.

São oito faixas, distribuídas por apenas 17 minutos. A Quinta Sinfonia e “Für Elise”, de Beethoven, aparecem ao lado da Sinfonia nº 40 e da “Rondo alla Turca”, de Mozart, de “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, e do Noturno nº 2, de Chopin.

O projeto nasceu por acaso e, a princípio, serviria apenas para divulgar outro disco. Kurtz preparava um álbum autoral em hebraico e queria produzir vídeos que levassem gente ao seu Instagram. Escolheu o Noturno em Mi Bemol, de Chopin, e começou a tocá-lo em ritmo de samba.

“Foi como mágica. Funcionou tão bem que parecia que aquilo sempre tinha existido e eu só o tivesse tirado de algum lugar.”

A mudança aconteceu depressa. Kurtz publicou os primeiros vídeos do Samba Project há apenas dois meses. Hoje, seu perfil @amitai_kurtz, no Instagram, reúne 111 mil seguidores, e as versões em samba já circulam amplamente entre usuários brasileiros.

O sucesso fez o plano se inverter. O disco em hebraico foi adiado. “As pessoas não entendem hebraico”, diz. “Agora o Samba Project é a minha principal coisa.”

A relação de Kurtz com a música brasileira vinha de antes. Já conhecia Djavan, Gal Costa, Gilberto Gil, Ivan Lins e Tom Jobim quando decidiu vir ao país para entender melhor o que ouvia. Em fevereiro e março de 2025, ele passou dois meses no Brasil.

“Eu gosto muito de funk, groove, harmonia. Quando ouvi aquilo, era tudo de que eu gostava e pelo que era obcecado, mas com um filtro brasileiro. E filtro brasileiro, para mim, significa melhor.”

Aqui, teve aulas com guitarristas e tecladistas, participou de jams e observou de perto como os músicos tocavam samba. Ele também toca guitarra, baixo e bateria.

“Quando eu estava em Israel, achava que sabia tocar samba, mas não é a mesma coisa. Nunca é a mesma coisa”, diz. “Quando você ouve samba todos os dias, começa a entendê-lo no estômago.”

A viagem coincidiu com o Carnaval, mas o objetivo era musical. Kurtz conta que interrompeu por dois meses o trabalho que fazia em Israel como produtor e diretor musical. “Eu queria ir ao Brasil e entender o que estava acontecendo. Você ouve essas músicas e não entende por que são tão boas. O que vocês estão comendo? É a feijoada?”

O Samba Project também se formou sem planejamento. Para gravar os vídeos, Kurtz chamou um de seus melhores amigos, o baterista Omer Pank. O quintal da casa dele virou cenário porque estava sendo arrumado naquele dia.

Faltava um baixista. Kurtz fez uma publicação em suas redes sociais perguntando se alguém que gostasse de samba queria participar. Tom Pfeifel respondeu cerca de 30 segundos depois. Os três são israelenses, vivem em Tel Aviv e, não raro, recebem convidados para tocar com eles no jardim de Pank.

O título do álbum veio da mesma informalidade. Para criar um gancho nos vídeos, Kurtz passou a usar frases como “Mozart, but he was born in Brazil” —”Mozart, mas ele nasceu no Brasil”. “Não pensei demais”, diz. Quando precisou batizar o disco, um amigo sugeriu aproveitar a fórmula.

Na hora de escolher o repertório, porém, Kurtz diz ser rigoroso. Afirma que leva “um segundo” para perceber se determinada composição pode virar samba. Mas seu compositor favorito, Debussy, ainda não passou no teste.

“Pensei em ‘Clair de Lune’, mas ainda não fiz.” A adaptação, diz, só vale quando a combinação parece natural. “Senão, vira um cover ou alguma coisa assim. Precisa ser mágico.”

A regra principal é preservar a melodia. Kurtz altera o ritmo, introduz síncopes e, às vezes, muda uma nota ou a harmonia, mas evita descaracterizar a peça. “São melodias celestiais desses compositores geniais. Você não deveria mexer demais. É preciso respeitá-las.”

A reação do público brasileiro foi o que mais o surpreendeu. Kurtz diz ter recebido mensagens de ouvintes que não acreditavam que o trio fosse israelense, pedidos de shows no país e vídeos de brasileiros tocando seus arranjos.

“Eu fui educado sobre a coisa de vocês e agora vocês estão devolvendo o favor. Isso é alucinante para mim.”

Apesar dessa repercussão, esta é sua primeira entrevista a um veículo brasileiro. Antes, já havia falado sobre o Samba Project a rádios e programas de televisão israelenses. Pouco antes da conversa com a Folha, deu também uma entrevista a uma rádio alemã.

Na manhã desta quarta-feira (19), no dia seguinte ao lançamento, o álbum chegava a 56 mil reproduções no Spotify. Ele acompanhava os números durante as férias em Koh Phangan, na Tailândia.

Se Beethoven e Mozart podem nascer no Brasil, quais músicos brasileiros poderiam fazer a viagem inversa? Kurtz cita Tom Jobim, Djavan e Ivan Lins.

“Os compositores brasileiros têm influência da música clássica. As harmonias das baladas brasileiras e da música clássica são as mesmas, para mim.”



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *