Cerca de mil atores, agentes, pais e profissionais da indústria audiovisual assinaram uma carta aberta contra cláusulas contratuais que permitem o uso de vozes de atores mirins por ferramentas de inteligência artificial. O documento afirma que um grande estúdio responsável por uma popular franquia infantil tem exigido que crianças cedam os direitos sobre suas vozes para aplicações comerciais de IA.
Organizada pela Agents for Young Performers Association (AYPA), a carta critica a prática por considerar que menores de idade não têm capacidade para dar consentimento. Segundo os signatários, a autorização dos pais não deveria servir como licença para capturar e clonar a voz de uma criança. A carta também critica o treinamento de plataformas com os áudios das crianças.
O grupo afirma que agentes e responsáveis que contestam as cláusulas recebem como resposta um “pegar ou largar”. A entidade defende que vozes de crianças sejam excluídas de contratos relacionados à inteligência artificial e argumenta que nenhum menor deveria ter sua identidade profissional transformada em um ativo comercial antes de compreender as consequências dessa decisão.
Embora a carta não cite a empresa, a iniciativa ocorre após o site Deadline revelar que a Hasbro, dona da franquia “Peppa Pig“, incluiu esse tipo de cláusula em contratos de dubladores da animação, para o uso em propagandas.
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